- Cortar a emissão de carbono dos EUA: o texto reafirma o comprometimento dos Estados Unidos em cumprir sua meta de emissões de gases de efeito estufa – redução de 17% das emissões em comparação com 2005 -, uma meta bem menos ousada do que a proposta pela União Europeia. Para isso, Obama promete limitar as emissões das usinas de carvão já existentes. São mais de 1.600 usinas, que geram 40% da energia dos EUA, e estão entre as mais poluentes do mundo. Além disso, Obama assegura a manutenção de subsídios para as energias renováveis, que quase foram barradas pelo Congresso no ano passado.
- Preparar os EUA para os impactos das mudanças climáticas: no segundo pilar, o governo americano promete se preparar para os impactos de eventos extremos causados pelo aquecimento global. Os EUA já observaram eventos extremos em 2012, como uma seca sem precedentes e a tempestade Sandy. Obama promete melhorar a infraestrutura de estadas, pontes, utilizar recursos para minimizar secas e incêndios e se preparar para futuras situações de enchentes e tornados.
- Liderar os esforços internacionais de combate às mudanças climáticas: por fim, Obama promete colocar os Estados Unidos na liderança internacional do combate às mudanças climáticas. Ele promete fazer acordos bilaterais com grandes economias (incluindo o Brasil) e investir na redução de emissões de desmatamento em países tropicais (o mecanismo Redd). Também defende o livre comércio de tecnologias limpas – uma espécie de puxão de orelha na China, que usa pesados subsídios para tornar suas placas solares mais baratas do que as americanas no comércio internacional.
10 de agosto de 2013
Caiu a ficha?
7 de outubro de 2008
Líderes indígenas prevêem "um desastre" criado pelo comércio de carbono...
Enquanto as nações ricas se preparam para aumentar a escala dos recursos destinados a esforços conservacionistas em países ricos em florestas mas com baixa renda, um grupo de líderes de florestas tropicais e de especialistas conservacionistas alerta para o fato de que os mais de um bilhão de habitantes carentes do planeta que dependem da floresta enfrentarão uma devastação econômica e cultural se os esforços para reduzir a emissão de gases de efeito estufa não conseguirem atender suas preocupações.
Mercado de Carbono: críticas...
Mesmo a criação de um fundo de compensação para redução do desmatamento é visto com pouco “otimismo” pelos países desenvolvidos, como se pode ler nessa reportagem. A definição da metodologia e mesmo a incorporação dos próprios projetos florestais no mercado de carbono foi difícil e, agora, iniciando as discussões para um tratado pós-Quioto, o tema deve ser levado à ampla discussão. Veja aqui, para se ter uma idéia, como o tempo para os projetos florestais no MDL está acabando.
Como defensor do tema de incorporação do desmatamento evitado no próximo tratado, e entendendo que esta é a única forma de colocar os países mais pobres e que mais sofrem com a pressão no planeta no rol dos beneficiários do mercado, coloco o ótimo texto de Sabrina Domingos sobre o assunto para reflexão.
Pesquisadores criticam o mercado de carbono
A falta de uma preocupação real com o meio ambiente é o principal argumento do físico Luiz Carlos Molion para criticar o mercado de carbono da forma como é conduzido atualmente. Oposicionista das teorias que defendem o aquecimento global causado pelo homem, Molion diz que o interesse das empresas e governos está em como entrar nesse mercado para ganhar dinheiro e não com a preservação do meio ambiente.
A opinião é compartilhada pelo pesquisador da fundação sueca Dag Hammarskjold e autor do livro Carbon Trading, Larry Lohmann, para quem o Protocolo de Quioto e o comércio de carbono nele previsto não trazem grandes alterações para o cenário mundial de emissões de gases do efeito estufa. “Trata-se um mecanismo de mercado, pouco prático e nada efetivo, que promove o comércio do direito de poluir. Acabou funcionando de maneira perversa ao drenar as atenções de soluções mais radicais e efetivas que agora se mostram urgentes”, defende.
Molion destaca que o lobby de grandes empresas geradoras de energia é prejudicial nesse contexto. Na Europa, os governos avaliam dados das emissões de carbono coletados entre 2002 e 2004; verificam o quanto as empresas locais poluíram nesse período e definem, por meio de cotas, o quanto elas poderão poluir daquele ponto em diante. O problema, ressalta o físico, é que muitas dessas empresas já melhoraram seus equipamentos ao longo desse tempo e estão poluindo menos do que o permitido – com isso, ganharão dinheiro vendendo suas cotas para as empresas altamente poluidoras que ultrapassam o limite estabelecido. “Por isso eu digo que não existe preocupação com o meio ambiente e com o futuro da humanidade. Isso se transformou atualmente em um comércio, uma nova bolsa, tanto que hoje existem firmas prontas para investir 1 trilhão de dólares em créditos de carbono com a intenção de vendê-los posteriormente”.
O que ocorre na Europa é exatamente o contrário do princípio “poluidor - pagador”, é o princípio “quem polui, ganha”, afirma Lohmann em entrevista concedida ao jornalista Rafael Evangelista para o site Com Ciência. O pesquisador argumenta que os grandes poluidores se beneficiam também comprando direitos de poluir mais, a partir de projetos em que investem no exterior e que, supostamente, economizariam carbono. É o caso de empresas que compram créditos gerados por projetos de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), como os que geram eletricidade a partir da queima de gases de um aterro sanitário. “Esses projetos oferecem, de bandeja, um turbilhão de direitos futuros de poluir para o conjunto já enorme de direitos à disposição das corporações do Norte”.
Em países como o Brasil, o desmatamento evitado das florestas tropicais tem sido apontado como uma alternativa na luta contra as mudanças climáticas. Molion afirma que a Floresta Amazônica é um seqüestrador ativo de carbono, absorvendo 2 toneladas de CO2 por hectare por ano. “Mas quando você olha o Protocolo de Quioto, as florestas nativas não são levadas em consideração, apenas as plantadas - exatamente para não permitir que países como o Brasil possam se utilizar disso”. Ele lembra que a maior parte das madeireiras que atuam na Amazônia são de fora do país e ressalta que esses empresários adotam um discurso contraditório. “Que hipocrisia é essa de dizer: você desmata, mas a madeira nós queremos aqui? É preciso acabar com essa hipocrisia”.
Saída
Lohmann considera que a única maneira de reverter a situação é promover uma regulação dura, que taxe e controle a indústria poluente, ao lado de reformas estruturais e investimentos fortes na redução do consumo de energia. “Os governos dos países industrializados precisarão transferir subsídios dos combustíveis fósseis para energia renovável; precisarão empreender investimentos públicos grandiosos em eficiência energética e transportes para fornecer a seus cidadãos mais opções sobre como utilizar energia; precisarão aplicar a regulação convencional e taxações de maneira mais radical”.
O tempo para se lidar com os problemas ambientais é uma questão que preocupa Molion. “Em 2045 teremos 9 bilhões de pessoas no planeta, que é finito e conta com recursos naturais finitos. A humanidade precisa viver mais alguns milhares de anos para que a tecnologia possa se desenvolver e nós possamos arranjar outras formas de gerar energia como, por exemplo, a fusão nuclear, ou desenvolver novos tipos de alimentos, ou até mesmo começar a explorar outros planetas”, avalia. “Tudo o que se puder fazer para economizar e utilizar melhor os recursos naturais existentes será muito bem-vindo. É importante olhar para o futuro e dar um tempo para a humanidade conseguir se desenvolver tecnologicamente. Mas nós realmente precisamos de tempo para isso”, conclui.
Fonte: Envolverde.
5 de outubro de 2008
Plano Nacional de Mudanças do Clima incorpora metas de redução do desmatamento...
"É um plano ousado, com metas voluntárias e setoriais que, juntas, representam a redução de centenas de milhões de toneladas de gás carbônico por ano, seja pela redução do desperdício, seja pelo aumento da eficiência energética, ou ainda pela redução progressiva do desmatamento ou aumento progressivo do plantio de florestas nativas e comerciais", destacou o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc.
O documento reúne as ações que o país pretende colocar em prática para combate às mudanças globais do clima e criar condições internas para o enfrentamento de suas conseqüências. É fruto do trabalho do Comitê Interministerial sobre Mudança do Clima (CI, de caráter permanente, formado por 16 ministérios e pelo Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, liderados pela Casa Civil). O plano também recebeu contribuição da Conferência Nacional do Meio Ambiente, que este ano debateu o tema Mudanças Climáticas.
No último dia 02 foi o momento da Secretaria Executiva do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas (FBMC) reunir-se para avaliar a versão do plano. No encontro, mediado pelo secretário-executivo do FBMC e diretor da Coppe/UFRJ, Luiz Pinguelli Rosa, representantes da Casa Civil, do Ministério de Ciência e Tecnologia, da Petrobras e do Instituto Ecoar apresentaram sugestões para serem incorporadas ao documento, que ficará em consulta pública até 31 de outubro.
Mudanças nas regras dos leilões do setor elétrico, com o objetivo de estimular o uso de energias alternativas como a eólica; incentivo a projetos para serem convertidos em créditos de carbono pela modalidade MDL (Mecanismos de Desenvolvimento Limpo) Programático; reduzir para quatro anos o período para medir a redução do desmatamento e a criação de um programa de estímulo ao reflorestamento de terras degradadas foram as principais considerações debatidas. O Fórum também recebeu sugestões da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), do Greenpeace, e do Fórum Baiano de Mudanças Climáticas, que reforçou a importância dos Diálogos Setoriais. Essas e outras sugestões que surgirem nas próximas reuniões do FBMC serão encaminhadas ao governo. "Por ser extenso e ter caráter dinâmico, o Plano abre possibilidade para muitas discussões. EFBMCsse é o maior mérito deste trabalho", comentou Pinguelli.
Também foi discutida uma nova agenda de Diálogo Setorial do FBMC para o período de um mês, durante a consulta pública. Três reuniões já estão previstas, uma em São José dos Campos no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), na Bahia, convocada pelo Fórum Baiano de Mudanças Climáticas, e no Paraná, pelo Fórum Paranaense de Mudanças Climáticas.
Fonte: FBMC através do CarbonoBrasil.
Leia mais sobre o Plano Nacional sobre Mudança do Clima aqui e aqui.
15 de julho de 2008
Compensação por serviços ambientais é tema de seminário na Câmara...
A Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara, a Frente Parlamentar Ambientalista, a Fundação SOS Mata Atlântica e a organização Conservação Internacional no Brasil promoveu dia 10 seminário para discutir a compensação por serviços ambientais. A compensação por serviços ambientais é o pagamento, com dinheiro ou outros meios, para aqueles que ajudam a conservar ou produzir esses serviços mediante a adoção de práticas, técnicas e sistemas que beneficiem a todos os envolvidos em determinada área geográfica.
A secretária-executiva do Ministério do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, deve participar da abertura das mesas de trabalho. O secretário de Extrativismo e Desenvolvimento Rural Sustentável, Egon Krakhecke, e o diretor do Serviço Florestal Brasileiro, Tasso Azevedo, devem participar do painel Pagamento sobre Serviços Ambientais no Brasil: Visão Governamental.
Fonte: Agência Brasil.
8 de julho de 2008
G-8 aceita corte de 50% na emissão de gases até 2050...
Durante o encontro, os líderes do G-8 expressaram também "forte preocupação" sobre a ameaça que a alta dos preços dos alimentos e do petróleo representa para a economia mundial. Eles destacaram que a capacidade de produção e refinamento de petróleo precisa ser ampliada para diminuir os preços do petróleo cru. Os governantes pediram esforços adicionais para aumentar a eficiência energética e diversificar as fontes de energia.
Alguns líderes ressaltaram a necessidade de cooperação entre as nações ricas e os países em desenvolvimento no que diz respeito ao câmbio estrangeiro. Segundo eles, as taxas de câmbio, os mercados financeiros em geral e os preços dos recursos naturais estão "muito relacionados" e medidas estruturais de longo prazo podem ser necessárias para combater os problemas nessas áreas.
O grupo concordou também em concentrar esforços para finalizar com sucesso a Rodada da Doha na Organização Mundial do Comércio (OMC), informou a agência Kyodo News, citando autoridades japonesas. As informações são da Dow Jones.
Fonte: Yahoo News.
UPDATE: a foto é uma ótima sacada do Danosse.
Síntese da reunião do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas...
Foram também apresentadas as ações desenvolvidas no âmbito dos Fóruns Estaduais de Mudanças Climáticas e debatido como se dará o processo construção do Plano Nacional Sobre Mudanças Climáticas (definido no Decreto Presidencial Nº. 6.263 de 21 de janeiro de 2007).
A reunião foi coordenada pelo Professor Luiz Pinguelli Rosa, Secretário Executivo do FBMC e contou com a presença do Ministro de Meio Ambiente, Carlos Minc. Também estiveram presentes representantes de Ministérios, Governos Estaduais, Fóruns Estaduais de Mudanças Climáticas, além de pesquisadores das universidades brasileiras, de empresas e organizações não-governamentais.
Leia aqui a matéria completa e as avaliações e contribuições sintetizadas.
Fonte: Portal do Meio Ambiente.
União Européia negocia regras de combate às mudanças climáticas...
Da Efe, em Paris Os ministros do Meio Ambiente da UE (União Européia) começaram nesta quinta-feira (3) as negociações para estabelecer as novas regras de combate às mudanças climáticas do continente. O objetivo é chegar a um acordo, a ser assinado antes do final do ano, que estabeleça como meta a redução de pelo menos 20% das emissões de dióxido de carbono (CO2).
Por enquanto, os países do Leste Europeu, liderados pela Hungria, já manifestaram sua rejeição em utilizar o ano de 2005 como referência para os cálculos do acordo. Esses países argumentam que a data favorece os membros mais ricos da UE. Segundo o bloco, o ano de 1990 seria mais adequado como base para os cálculos.
O pedido vai de encontro à posição da Comissão Européia --braço executivo da UE--, que argumenta que antes de 2005 não havia dados precisos sobre as emissões de CO2 de cada país.
O ministro do Meio Ambiente alemão, Sigmar Gabriel, disse que a Presidência francesa da UE conseguirá um compromisso antes de dezembro.
Os 27 países-membros da UE se comprometeram a reduzir suas emissões em 30% se conseguirem chegar, na cúpula de Copenhague em
Fonte: Folha Online.
Humanidade tem até 2015 para cortar emissões...
O cronômetro do aquecimento global está prestes a parar e a humanidade precisa agir logo para evitar danos à economia e ao meio ambiente. De acordo com o cientista indiano Rajendra Pachauri, presidente do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) e Prêmio Nobel da Paz em 2007, o mundo tem apenas sete anos para estabilizar as emissões de gases do efeito estufa a um nível considerado seguro. "Em 2015, as emissões atingirão o pico e terão de ser reduzidas obrigatoriamente", explicou Pachauri, em entrevista ao Correio, por telefone, de Abu Dhabi (Emiradores Árabes Unidos). "Se a temperatura média global aumentar dois graus Celsius em sete anos, teremos de começar a diminuir as emissões", alertou o especialista. Antes, o prazo estimado pelo IPCC expirava em 2020 - segundo o painel da Organização das Nações Unidas, os países industrializados precisariam cortar suas emissões entre 25 e 40 pontos percentuais para garantir a mitigação dos efeitos das mudanças climáticas.
De acordo com Pachauri, o impacto do aquecimento global será "bastante grave", caso o mundo não consiga atingir a meta até 2015. "As conseqüências não serão imediatas, vão demandar um certo tempo, e incluem impactos na agricultura, nos recursos hídricos e na preservação da vida selvagem. As ondas de calor, secas e inundações, tudo isso se tornará mais sério", previu. O Nobel da Paz demonstra ceticismo sobre a possibilidade de os Estados Unidos negociarem um acordo ambiental efetivo, nos moldes do Protocolo de Kyoto. "Eu espero que isso ocorra, mas quem pode saber disso?", desconversou.
Pachauri defendeu ainda a liderança da União Européia (UE) nesse processo e admitiu que se mantém otimista. Antes de viajar ao Oriente Médio, o cientista se reuniu com ministros do bloco em Paris e fez um alerta. "Se a UE não liderar, temo que qualquer tentativa de fazer mudanças e de gerenciar o problema da mudança climática vai desmoronar", disse, naquela ocasião. "Vocês não conseguirão trazer outros países também."
Ceticismo
O dinamarquês Bjorn Lomborg, conhecido mundialmente como o "ambientalista cético", disse por telefone à reportagem que as previsões de Pachauri são surreais. "Não existe base científica para falarmos em um prazo de sete anos, 20 anos ou 40 anos", afirmou, acrescentando que as reduções das emissões dependem da exigência do nível de corte. "É totalmente improvável a redução de emissões em sete anos", avisou. Segundo ele, o mundo tem despejado cada vez mais gases do efeito estufa na atmosfera. "Isso ocorre porque especialmente os países subdesenvolvidos estão queimando mais combustíveis fósseis", acrescentou.
Lomborg defendeu que a humanidade precisa parar de se preocupar com a redução de emissões para apoiar as pesquisas e o desenvolvimento de tecnologias limpas, mais baratas e eficientes. "O IPCC nos alerta que enfrentaremos o aquecimento global, que veremos o aumento do nível do mar em até 59cm no fim do século, mas nenhum desses cenários assustadores é plausível", declarou. O dinamarquês admitiu que aterrorizar pessoas apenas estimula a tomada de decisões baseadas no pânico. E ele citou como exemplo o etanol brasileiro. "Ainda que o Brasil tenha a oportunidade de aumentar a produção de cana-de-açúcar e de etanol, acabará expandido o consumo de combustíveis fósseis, pelo simples motivo de eles serem ponte para a riqueza."
Ontem, representantes do setor de energia da União Européia cogitaram um acordo com o Brasil e se afastaram da polêmica meta de biocombustíveis do Velho Continente. Apesar de não terem realizado propostas de mudanças concretas para a legislação de biocombustíveis, os ministros do bloco afirmam que a UE falhou em comunicar seus planos para fazer com que 10% do combustível dos transportes terrestres venham de fontes renováveis, até 2020.
Fonte: Correio Braziliense graças ao Carbono Brasil.
