21 de fevereiro de 2008

Leis podem reduzir aquecimento global...

Mais de 100 parlamentares de Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Alemanha, Itália, França, Japão, Rússia, Brasil, China, Índia, México e África do Sul debaterão hoje e amanhã, em Brasília, políticas para combater o aquecimento global e as negociações do acordo que substituirá o Protocolo de Kyoto a partir de 2012. Os legisladores também formularão um documento com sugestões a serem apresentadas aos mandatários dos países que integram o G-8, o grupo das sete economias mais industrializadas mais a Rússia. O relatório será entregue na próxima reunião do G-8, que será promovida pelo Japão em julho.

Dirigentes de grandes companhias multinacionais e técnicos de organizações internacionais também estarão presentes. Para o senador Cícero Lucena (PSDB-PB), o debate entre parlamentares pode fazer com que os diferentes países criem leis compatíveis, as quais forçarão os Executivos a assumirem compromissos para combater as mudanças climáticas. O tucano é um dos cinco representantes brasileiros no fórum.

"Deve haver a mobilização da sociedade como um todo. O Executivo precisa ter vontade política. Mas, os Parlamentos também têm de se envolver, pois interferem nos Executivos", complementou a senadora Serys Slhessarenko (PT-MT), que também participará das discussões. Os outros representantes brasileiros são o senador Renato Casagrande (PSB-ES) e os deputados Antonio Palocci (PT-SP) e Augusto Carvalho (PPS-DF).

Na agenda, o estabelecimento de metas de redução de emissões de gases que provocam o efeito estufa, como o gás carbônico. Será debatida a criação de mecanismos que compensem economicamente quem conservar as florestas existentes em seus terrenos. A instituição de incentivos ao mercado de créditos de carbono também constará da pauta.

Biocombustíveis

Não poderá faltar o lobby brasileiro em favor dos biocombustíveis. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, um dos principais defensores do etanol e do biodiesel, é esperado para a cerimônia de abertura do evento.

Apesar de prejudicado pela eleição presidencial dos Estados Unidos, este ano é considerado crucial para o avanço das negociações do acordo que dará continuidade ao Protocolo de Kyoto - o qual não foi assinado pelos americanos. Diplomatas brasileiros esperam que os negociadores cheguem a um entendimento no ano que vem. "Os principais obstáculos são os países desenvolvidos adotarem metas razoáveis e os países pobres aceitarem compromissos sem que isso interfira no desenvolvimento econômico", comentou Lucena.

Como os países desenvolvidos enriqueceram às custas da destruição de suas matas, o Brasil acha que os países em desenvolvimento não devem ser punidos por manterem as maiores florestas do mundo. "As responsabilidades são comuns, mas diferenciadas", repetem os diplomatas brasileiros. O país defende também a transferência de tecnologias para que os países pobres cresçam de forma sustentável.

Fonte: Gazeta Mercantil

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