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26 de março de 2009

Fundo Amazônia recebe US$ 100 milhões da Noruega...

Bruma na mata em Rondônia. Foto: Jeison T. Alflen.
O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, assinou ontem (25/03), às 14h30, com o governo da Noruega contrato de doação de US$ 100 milhões para o Fundo Amazônia.

Os recursos fazem parte da doação de US$ 1 bilhão prevista para ser repassada integralmente até 2015. O dinheiro será aplicado em ações de combate ao desmatamento na Amazônia e na produção sustentável.

Ao anunciar a doação para o Fundo Amazônia, durante cerimônia no Palácio do Planalto realizada em setembro do ano passado, o primeiro-ministro da Noruega, Jeans Stoltenberg, disse que, em contrapartida, o Brasil deve reduzir, de forma efetiva, a emissão de gases poluentes causados pelo desmatamento.

Por Redação da Agência Brasil.

PIB verde pode se tornar uma realidade...

Por Redação da Revista Idéia Socioambiental

Diante da pressão crescente por mecanismos que contemplem as externalidades das atividades econômico-financeiras, as ciências contábeis começam a rever suas práticas e conceitos. Muitos profissionais da área têm dedicado esforços para integrar as variáveis ambientais e sociais aos mecanismos de aferição do patrimônio das nações, criando ferramentas mais completas do que o Produto Interno Bruto (PIB) .

Partindo da premissa de que a forma como uma nação gerencia seus recursos naturais afetará seu desenvolvimento, pesquisadores da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (FIPECAFI) elaboraram uma metodologia para mensurar o patrimônio ambiental dos países. "É uma falta de inteligência pensar que maximizar o lucro de uma forma exponencial sem fim e continuar gerando toda a depredação do meio ambiente, os problemas sociais, a distribuição de renda, não vai interferir diretamente na sociedade", avalia José Roberto Kassai, professor da FIPECAFI, que juntamente com Nelson Carvalho, elaborou o estudo intitulado Balanço das Nações.

Até pouco tempo atrás, a ideia de incluir os recursos naturais na contabilidade das nações parecia uma possibilidade distante. Esse cenário começou a se modificar com a perspectiva ameaçadora das mudanças climáticas e do crescimento populacional - segundo estimativas, pode-se chegar a 9 bilhões de pessoas em algumas décadas, uma média de aumento de 1 bilhão a cada 15 anos. Diante dessa tendência, o desenvolvimento das nações será determinado pelo manejo inteligente dos recursos naturais, habilidade que depende de dados concretos quanto à disponibilidade dos ativos ambientais."No final, nossa sociedade será definida, não pelo que criamos, mas pelo que nos recusamos a destruir."

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25 de dezembro de 2008

Mudança climática: Outro ano de fenômenos extremos...

As temperaturas registradas este ano foram, em média, as mais altas desde 1850, quando os cientistas começaram a registrá-las, afirmou a Organização Meteorológica Mundial (OMM) em seu último estudo sobre a mudança climática. A ocorrência de fenômenos meteorológicos extremos, como inundações devastadoras, secas severas e persistentes, tempestades de neve e ondas de calor, se registrou em vários países, segundo esta agência da Organização das Nações Unidas.

O estudo da OMM mostra que este ano a temperatura média da terra e do mar foi 0,31 grau superior às registradas entre 1961 e 1990. A informação anterior a 2008 se baseia em dados obtidos por estações meteorológicas em terra, navios, bóias e também via satélite. “Em 2008, voltaram a ser registradas temperaturas superiores à média na Europa”, disse Carine Richard-Van Maele, da OMM. “Uma vasta zona geográfica, incluindo Sibéria e partes da Escandinávia, teve um inverno notoriamente mais suave”.

Na maior parte da Europa, janeiro e fevereiro foram “muito suaves’, com temperaturas média sete graus maiores do que na Escandinávia. De fato, para os moradores dessa região foi o inverno mais temperado em mais de cem anos. Mas, o inverno passado teve um frio incomum na maior parte da Eurásia. Em algumas regiões da Turquia, na mesma temporada foram registradas as temperaturas mais baixas em quase 50 anos. “Este inverno extremamente frio fez centenas de vítimas no Afeganistão e na China”, afirmou Maele.

Os dados mostram que fevereiro também foi um mês muito frio nos Estados Unidos. A região centro-ocidental do país, por exemplo, registrou temperaturas médias entre quatro e cinco graus abaixo do normal em algumas áreas. Quanto às mudanças abruptas das condições climáticas, os pesquisadores da OMM disseram que algumas zonas da América Central foram atingidas no meio do verão por uma onda de frio com temperaturas abaixo dos seis graus.

Por outro lado, em julho, em algumas zonas da América do Sul houve uma onda de calor com temperaturas 3% acima da média, no que foi o mês de inverno mais quente dos últimos 50 anos. O mesmo ocorreu no sul da Austrália, onde houve uma onda de calor sem precedentes com altas temperaturas. Adelaide teve o verão mais longo e quente de sua história. As variações dos padrões climáticos causaram as secas e inundações mais prolongadas e as tempestades mais devastadoras em muitas partes do mundo, segundo os especialistas da OMM.

O sul da província canadense de Colúmbia Britânica, por exemplo, sofreu seu quinto período mais seco em meio século. Na Europa, Espanha e Portugal foi registrado o inverno mais seco em décadas. Na América do Sul, uma grande parte de Argentina, Paraguai e Uruguai sofreram situação semelhante. O estudo também se estende às conseqüências devastadoras de inundações e ciclones em numerosos países. Bangladesh, Índia, Paquistão e Vietnã foram consideradas as nações mais prejudicadas e onde dezenas de milhares de pessoas perderam suas casas e mais de 10 milhões tiveram de ser reassentadas.

Os pesquisadores da OMM disseram que a camada de ozônio aumentou este ano sobre a Antártida em relação a 2007. Além disso, o gelo do mar Ártico atingiu seu segundo nível mais baixo desde que começaram as medições via satélite em 1979. Tendo em conta as mudanças dramáticas das condições climáticas e seu impacto no meio ambiente e na economia mundiais, a ONU divulgou na terça-feira novas pautas para ajudar os países a coletarem informação importante que permitirão enfrentar os desastres naturais.

“Para evitar que os desastres naturais sejam responsabilidade da atividade humana, precisamos de sistemas efetivos para identificar necessidades, gerir dados e ajudar a reduzir as respostas calibradas”, disse John Holmes, subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários. Esses sistemas podem ser proveitosos para a coordenação da distribuição de suprimentos em tempo e forma, diz Holmes na introdução do informe “Dados contra desastres naturais”, apresentado na terça-feira.

“A eficiência da resposta é especialmente importante porque, como agora fica claro, a vulnerabilidade diante dos desastres naturais e a ineficiência na distribuição da ajuda causa perdas econômicas desnecessárias, maior sofrimento e aprofunda a pobreza”, afirma. Baseando-se em estudos de caso como o tsunami do oceano Índico que em 2004 atingiu Indonésia e Sri Lanka, os últimos furacões na Guatemala, Moçambique e Haiti e o terremoto de 2005 no Paquistão, o livro destaca a necessidade de criar sistemas de gestão de informação para conseguir uma resposta efetiva aos desastres. “Deve-se reunir dados básicos antecipadamente como parte da preparação para responder aos desastres. As operações de busca e resgate, evacuações e os cuidados com as vítimas de tramas devem estar coordenadas”, acrescenta o livro.

Fonte: Envolverde.

8 de outubro de 2008

TV do Meio Ambiente...

Boa notícia aos amantes da natureza e educadores ambientais. Está chegando a TV do Meio Ambiente, canal de TV na internet destinado ao entretenimento e à difusão de informação e conhecimento. O novo site é interativo e utiliza linguagens de texto escrito, fotografia e vídeo.

Conheça a TV do Meio Ambiente: clique na imagem acima ou aqui.

Logo na página inicial, navegando pelas diferentes coleções temáticas, o internauta assiste aos vídeos que escolher. No site já estão sendo disponibilizados documentários, reportagens e filmes de animação que retratam o meio ambiente natural, rural, urbano e cultural brasileiros.

Para estimular a produção de vídeos pelo público e promover a discussão de temas ambientais foi criado o Espaço do Internauta. O visitante pode escrever comentários e publicar seus próprios vídeos, participando da Mostra do Internauta de Vídeo Ambiental, que premiará os vídeos mais votados pelos visitantes do site.

O espaço Notícias Ambientais trará, diariamente, as principais matérias jornalísticas sobre meio ambiente. Já a Exposição de Fotos apresenta o trabalho dos melhores fotógrafos brasileiros de natureza e temas relacionados ao meio ambiente. A exposição atual exibe 30 fotografias de Adriano Gambarini que retratam a biodiversidade e a cultura regional.

Mas não é só isso: reportagens exclusivas e inéditas, produzidas mensalmente pela equipe da TV do Meio Ambiente, estarão disponíveis aos espectadores do canal. A primeira Reportagem do Mês já está no ar: Montanhas do Rio mostra como essas formações naturais são aproveitadas em diferentes áreas, seja para a prática de escaladas radicais; como inspiração para o livro do fotógrafo Marco Terranova, que mostra a beleza do Rio sob ângulos inusitados; ou para pesquisa científica. A reportagem aborda também o projeto do Jardim Botânico que estuda orquídeas em extinção, encontradas somente nas encostas rochosas das montanhas da cidade. Outras matérias já estão em fase de produção, veja os detalhes na entrevista abaixo com o coordenador do projeto.

O novo canal de comunicação tem como missão a difusão da cultura ambiental. É direcionado a estudantes, professores, pesquisadores e a todos aqueles que buscam entretenimento e informação de qualidade. Venha participar na formação desse grande acervo que vai preservar a identidade ambiental e cultural do povo brasileiro. Divulgue seu vídeo.

A TV do Meio Ambiente é um projeto cultural, inscrito no Ministério da Cultura sob o Pronac nº 07-3605 e está apta a receber patrocínio para o projeto integral, reportagens especiais ou festival on-line de vídeos ambientais e também tem espaço promocional para inserção de banners.

Leia aqui uma entrevista com Ricardo Hanszmann, coordenador do projeto.

Fonte: Portal do Meio Ambiente.

7 de outubro de 2008

Líderes indígenas prevêem "um desastre" criado pelo comércio de carbono...

Cocar (aldeia Gavião em RO). Foto: Jeison T. Alflen.
Enquanto as nações ricas se preparam para aumentar a escala dos recursos destinados a esforços conservacionistas em países ricos em florestas mas com baixa renda, um grupo de líderes de florestas tropicais e de especialistas conservacionistas alerta para o fato de que os mais de um bilhão de habitantes carentes do planeta que dependem da floresta enfrentarão uma devastação econômica e cultural se os esforços para reduzir a emissão de gases de efeito estufa não conseguirem atender suas preocupações.

Reunidos pela Aliança Amazônica e o Programa Povos da Floresta, as lideranças florestais de cinco países amazônicos, bem como da República Democrática do Congo e da Indonésia, reuniram-se aqui durante o Congresso Mundial da Natureza, organizado pela IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza), para reivindicar um papel mais relevante na decisão dos termos do mecanismo de financiamento das mudanças climáticas que está sendo desenhado pelos países doadores. Os líderes disseram que este mecanismo – conhecido como Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação (REDD) – pode minar os direitos à terra que estão sendo reivindicados pelas comunidades de floresta em todo o mundo em desenvolvimento.

"Já estamos enfrentando uma pressão crescente por parte das mudanças climáticas, dos conservacionistas que nos querem impedir de utilizar nossas terras na floresta para fins econômicos e das empresas que detêm concessões governamentais para extrair minério, água e biocombustíveis das terras que são nossas há gerações", disse Tony James, da Guiana, Presidente da Associação dos Povos Ameríndios. "Cada vez mais se ouve falar a respeito do comércio de carbono, mas os povos indígenas não estão sendo incluídos nas discussões. Queremos saber: quem será o dono do carbono? Que impacto isto terá sobre nós?"

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6 de outubro de 2008

Planeta Terra no vermelho...

Dia 23 de setembro foi o Earth Overshoot Day, que em 1955 se desencadeou quase dois meses mais tarde. As projeções das Nações Unidas: sem adoção de medidas, em 2050 encerraremos no dia primeiro de julho.

É o dia em que a renda anual à nossa disposição acaba e os seres humanos vivos continuam a sobreviver pedindo um empréstimo ao futuro, ou seja, retirando riqueza aos filhos e aos netos. A data foi calculada pelo Global Footprint Network, a associação que mensura a pegada ecológica, ou seja, o sinal que cada um de nós deixa sobre o planeta retirando aquilo de que necessita para viver e eliminando o que não lhe serve mais, os rejeitos.

O dia 23 de setembro não é uma data fixa. Por milênios o impacto da humanidade, em nível global, foi transcurável: era um número irrelevante no que se refere à ação produzida pelos eventos naturais que modelaram o planeta. Com o crescimento da população (o século vinte começou com 1,6 bilhões de seres humanos e concluiu com 6 bilhões de seres humanos) e com o crescimento do consumo (o energético aumentou 16 vezes durante o século passado) o quadro mudou em períodos que, do ponto de vista da história geológica, representam uma fração de segundo.

Em 1961 metade da Terra era suficiente para satisfazer as nossas necessidades. O primeiro ano em que a humanidade utilizou mais recursos do que os oferecidos pela biocapacidade do planeta foi 1986, mas, daquela vez o cartãozinho vermelho se ergueu no dia 31 de dezembro: o dano ainda era moderado. Em 1995 a fase do superconsumo já devorara mais de um mês de calendário: a partir de 21 de novembro a quantidade de madeira, fibras, animais e verduras devoradas ia além da capacidade dos ecossistemas de se regenerarem; a retirada começava a devorar o capital à disposição, num círculo vicioso que reduz os úteis à disposição e constringe a antecipar sempre mais o momento do débito.

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5 de outubro de 2008

Plano Nacional de Mudanças do Clima incorpora metas de redução do desmatamento...

O Plano Nacional de Mudanças do Clima, apresentado no dia 25 de setembro, em Brasília, faz com que o Brasil se comprometa pela primeira vez a possuir médias decrescentes de desmatamento em todos os biomas, mensuráveis a cada quatro anos, até atingir o chamado desmatamento ilegal zero.

"É um plano ousado, com metas voluntárias e setoriais que, juntas, representam a redução de centenas de milhões de toneladas de gás carbônico por ano, seja pela redução do desperdício, seja pelo aumento da eficiência energética, ou ainda pela redução progressiva do desmatamento ou aumento progressivo do plantio de florestas nativas e comerciais", destacou o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc.

O documento reúne as ações que o país pretende colocar em prática para combate às mudanças globais do clima e criar condições internas para o enfrentamento de suas conseqüências. É fruto do trabalho do Comitê Interministerial sobre Mudança do Clima (CI, de caráter permanente, formado por 16 ministérios e pelo Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, liderados pela Casa Civil). O plano também recebeu contribuição da Conferência Nacional do Meio Ambiente, que este ano debateu o tema Mudanças Climáticas.

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No último dia 02 foi o momento da Secretaria Executiva do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas (FBMC) reunir-se para avaliar a versão do plano. No encontro, mediado pelo secretário-executivo do FBMC e diretor da Coppe/UFRJ, Luiz Pinguelli Rosa, representantes da Casa Civil, do Ministério de Ciência e Tecnologia, da Petrobras e do Instituto Ecoar apresentaram sugestões para serem incorporadas ao documento, que ficará em consulta pública até 31 de outubro.

Mudanças nas regras dos leilões do setor elétrico, com o objetivo de estimular o uso de energias alternativas como a eólica; incentivo a projetos para serem convertidos em créditos de carbono pela modalidade MDL (Mecanismos de Desenvolvimento Limpo) Programático; reduzir para quatro anos o período para medir a redução do desmatamento e a criação de um programa de estímulo ao reflorestamento de terras degradadas foram as principais considerações debatidas. O Fórum também recebeu sugestões da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), do Greenpeace, e do Fórum Baiano de Mudanças Climáticas, que reforçou a importância dos Diálogos Setoriais. Essas e outras sugestões que surgirem nas próximas reuniões do FBMC serão encaminhadas ao governo. "Por ser extenso e ter caráter dinâmico, o Plano abre possibilidade para muitas discussões. EFBMCsse é o maior mérito deste trabalho", comentou Pinguelli.

Também foi discutida uma nova agenda de Diálogo Setorial do FBMC para o período de um mês, durante a consulta pública. Três reuniões já estão previstas, uma em São José dos Campos no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), na Bahia, convocada pelo Fórum Baiano de Mudanças Climáticas, e no Paraná, pelo Fórum Paranaense de Mudanças Climáticas.

Fonte: FBMC através do CarbonoBrasil.

Leia mais sobre o Plano Nacional sobre Mudança do Clima aqui e aqui.

Manual de Capacitação: Mudança Climática e Projetos de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo...

O Centro de Gestão de Estudos Estratégicos (CGEE), uma organização social supervisionada pelo ministério da Ciência e Tecnologia, disponibiliza um conjunto de estudos prospectivos sobre o Setor de C,T&I no Brasil. As áreas de ação ou temas são Estudos Temáticos e de Futuro, Avaliação Estratégica, Articulção e Coorperação e Divulgação e Difusão Científica.

Relacionado à este último tema, o CGEE lançou o Manual de Capacitação: Mudança Climática e Projetos de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, lançado na 60ª reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em julho de 2008. O Manual é o principal material de apoio para os cursos do Programa de Capacitação Sobre Mudança do Clima e Projetos de MDL, organizados pelo CGEE em parceria com a Confederação Nacional da Indústria (CNI). Os cursos têm a finalidade de habilitar empresários e responsáveis municipais e estaduais para adoção de medidas de redução de emissões e elaboração de projetos de MDL.

O estudo propõe verificar o potencial de empresas e instituições estaduais e municipais para oportunidades de negócios no mercado de carbono. Além da atualização do documento Oportunidades de projetos de MDL para setores produtivos, elaborado pelo CGEE em 2006, o estudo identifica instituições brasileiras aptas a atuarem como Entidades Operacionais Designadas.

Em sua conclusão, o trabalho destaca o esforço brasileiro na criação de um cenário propício para a implementação de projetos de MDL. Entre as recomendações sugeridas estão a difusão de informações sobre o potencial do mercado de carbono, bem como a agilidade na definição dos critérios para o segundo período de compromisso do Protocolo de Quioto, o que facilitará a execução de uma política nacional de mudanças climáticas no Brasil.

Para baixar o material, um dos mais completos lançados no Brasil nos últimos tempos, clique na imagem acima ou aqui. Para acessar outros estudos da organização você pode visitar a página junto ao Ministério da Ciência e Tecnologia ou o sítio oficial.

12 de agosto de 2008

Estrada verde terá pavimento que elimina poluentes emitidos pelos veículos...

Partindo de um material desenvolvido por pesquisadores japoneses, engenheiros holandeses estão criando a primeira "estrada verde", capaz de eliminar da atmosfera a poluição emitida pelos veículos que trafegam por ela.

Estrada verde

Uma pequena estrada na cidade de Hengelo, Holanda, será pavimentada com um concreto especial contendo um aditivo capaz de capturar as partículas de óxidos de nitrogênio emitidas pelos escapamentos dos carros e caminhões.

Mais conhecidos pela sigla NOx, os óxidos de nitrogênio estão entre os mais danosos gases poluentes emitidos na atmosfera, sendo os principais responsáveis pela chamada chuva ácida.

Concreto purificador de ar

O concreto purificador de ar recebe em sua formulação um aditivo à base de dióxido de titânio. Quando exposto à luz do Sol, o material reage com os óxidos de nitrogênio, transformando-os em nitratos, que são inofensivos ao meio ambiente. Basta uma chuva para que todo o pó inerte seja lavado e a estrada fique limpa de novo.

A estrada de Hengelo foi escolhida porque está sendo reconstruída e por causa da excelente qualidade do ar da região, que permitirá um acompanhamento preciso dos resultados obtidos com a pavimentação capaz de eliminar a poluição do ar. As obras deverão terminar até o final de 2008.

Fonte: Site Inovação Tecnológica através do Portal do Meio Ambiente.

UPDATE: Para mais informações, leia aqui a matéria original na página da University of Twente.

Cinco perguntas sobre inventário de emissões de gases de efeito estufa (GEE)...

Mônica Pinto / AmbienteBrasil

Quanto cada empresa, Estado ou Município está contribuindo para o aquecimento global, ao lançar na atmosfera gases causadores de efeito estufa (GEE)? Responder tecnicamente a essa pergunta é a proposta dos inventários de emissões, procedimento adotado hoje não só em algumas esferas do poder público – ainda que timidamente -, mas também por empresas que, na prática, contribuem para o meio ambiente e, em geral, conseguem reduzir seus custos operacionais.

AmbienteBrasil conversou sobre esse processo com Marcelo Theoto Rocha, pesquisador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (CEPEA) da Universidade de São Paulo (USP) e sócio da Fábrica Éthica Brasil - Consultoria em Sustentabilidade. Confira.

AmbienteBrasil - O que é um inventário de emissões?

Marcelo Theoto Rocha - É como se fosse uma fotografia da empresa, município, estado ou país sobre suas emissões de gases de efeito estufa (GEE). Ao "tirar a foto", escolhe-se o que irá aparecer, ou seja, quais as fontes de emissões que serão inventariadas, dentro do que chamamos limites organizacionais e operacionais. Escolhe-se também qual a "nitidez da fotografia", ou seja, como serão feitas as estimativas de emissões. Para tanto, deve-se seguir alguns princípios: transparência, completude, consistência, precisão e relevância.
Outra característica importante de um inventário de emissões é que ele é um processo contínuo, aonde as fotografias vão sendo tiradas ao longo dos anos, sempre buscando um aperfeiçoamento.

AmbienteBrasil - Quais as vantagens de uma empresa privada investir nesse levantamento?

Theoto - O inventário nada mais é do que uma ferramenta para a gestão das emissões de gases de efeito estufa, e como toda ferramenta deve ser utilizada dentro de uma estratégia corporativa de mudanças climáticas e sustentabilidade.
Ao realizar o inventário, a empresa tem a oportunidade de melhor conhecer o seus processos em termos de emissão e com isto identificar corretamente possibilidades de redução de emissão, algumas das quais poderão ser realizadas como atividades de projeto do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo do Protocolo de Quioto.

AmbienteBrasil - Na esfera pública, Estados e Municípios têm sido sensíveis a essa proposta?

Theoto - Sim, vários Estados e Municípios estão pensando em realizar seus inventários de emissões. Nestes casos, é importante salientar que a realização do inventário deve servir para um propósito específico. Ter os dados de emissões simplesmente para tê-los não faz sentido algum. É preciso ter claro para que os dados servirão (ex: estabelecimento de uma política pública sobre emissões de GEE) e usar a experiência de se realizar um inventário como uma experiência contínua de aprendizado.

AmbienteBrasil - Há algum organismo que certifique os inventários de emissões realizados, seja pela iniciativa privada, seja pelo poder público?

Theoto - Os inventários podem seguir diferentes metodologias e/ou protocolos. Os protocolos mais conhecidos e respeitados são o GHG Protocol e a norma ISO 14064. Já em termos de metodologias, as mais conhecidas e respeitadas são do IPCC.
Ao seguir estes protocolos e metodologias, os inventários podem ser avaliados por empresas privadas independentes ("certificadoras") que poderão então atestar se o inventário foi feito de acordo com os protocolos e metodologias escolhidos. Este processo de "certificação", trata-se por enquanto de uma iniciativa voluntária, ou seja, não existe nenhuma obrigação legal por parte de quem realiza seu inventário de buscar tal atestado.
Dependendo da finalidade do inventário - por exemplo servir de base para uma política de comunicação -, recomenda-se que seja feita a avaliação independente.

AmbienteBrasil - Em termos ambientais, quais os ganhos proporcionados pelos inventários de emissões?

Theoto - Ao inventariar suas emissões, a empresa irá melhor conhecer seus impactos e com isto melhor desenhar uma estratégia de redução e compensação. Outros ganhos ambientais também podem ocorrer, tais como redução do consumo de matérias- primas, eficientização energética etc.

Fonte: Ambiente Brasil.

ONU planeja novas regras no MDL para diminuir especulação financeira...

As Nações Unidas querem fechar o cerco contra especuladores que tentam ganhar dinheiro com projetos de redução de emissões de gases do efeito estufa que seriam lucrativos mesmo sem receberem créditos de carbono.

Uma proposta de novas regras contra esta especulação, divulgada ontem pelo Painel de Metodologias da ONU, sugere que futuros projetos mostrem que o corte de emissões são resultados diretos do projeto do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), demonstrando, por exemplo, que os empréstimos bancários foram realizados por causa das vendas de créditos.
O MDL foi criado pela ONU para promover os investimentos em projetos de mitigação de gases do efeito estufa (GEE) que não aconteceriam sem os recursos financeiros vindas das vendas dos créditos de carbono. Este quesito, juntamente com os benefícios para o desenvolvimento sustentável, deveria ser a principal exigência para receber a aprovação das Nações Unidas, o que é chamado de adicionalidade.

No entanto, as Nações Unidas têm recebido críticas constantes sobre a falta de adicionalidade em muitos projetos aprovados que seriam viáveis economicamente sem precisar receber créditos de carbono.

Tais críticas têm ameaçado impactar no preço dos créditos negociados no mercado de carbono do Protocolo de Quioto. Os oficiais políticos da União Européia inclusive já expressaram preocupações sobre a qualidade dos projetos.

Aterros Sanitários

“O foco primário deve ser explorar os tipos de atividades de projetos que são potencialmente muito lucrativos mesmo sem considerar os recursos adicionais do MDL”, disse o Painel em uma chamada pública para comentários. O documento está disponível na página http://cdm.unfccc.int/public_inputs/2008/cers_rev/index.html e comentários serão aceitos até o dia 3 de setembro.

A nova regra seria inicialmente aplicada para novas usinas de biomassa que utilizem lixo para gerar energia. Porém o Painel de Metodologias destaca que poderá estendê-la para outros projetos, dependendo dos setores e tecnologias empregadas.

Para comprovar as dificuldades de atrair investimentos sem o MDL, os desenvolvedores de projetos terão duas opções. A primeira é provar que a atividade é a primeira deste tipo na região ou país onde está sendo desenvolvido.

Outra possibilidade seria demonstrar que o MDL é a única saída para os responsáveis pelo projeto obterem recursos financeiros, pois não conseguiriam diminuir as barreiras que impedem a atração de investimentos.

A partir desta semana, desenvolvedores de projetos terão que informar ao ministro de meio ambiente local e à Convenção Quadro de Mudanças Climáticas da ONU (UNFCCC) o início de novos projetos de redução de emissões com seis meses de antecedência, em um passo que pode tornar mais difícil um forte enfoque do papel do MDL na decisão comercial do lançamento do projeto.

Este é mais uma decisão tomada pela UNFCCC para garantir a qualidade dos projetos. Recentemente, a instituição já havia tornado o processo de aprovação de projetos mais rígido, o que trouxe impactos negativos para algumas consultorias que gerenciam o desenvolvimento de projetos e fazem as negociações dos créditos.

Leia mais:

Fonte: Carbono Brasil.

Ecovilas...

Segundo Robert Gilman em “Ecovilas e Comunidades Sustentáveis”, ecovilas definem sustentabilidade, incorporando aspectos ambientais, sociais, econômicos e espirituais. Ecovila é uma comunidade de 50 a 2.000 pessoas, unidas por um propósito comum. Este propósito varia de local para local, mas usualmente é baseado numa visão ecológica, social e espiritual.

Um assentamento de proporções humanas, funcionalmente completo, onde as atividades do ser humano se integram inofensivamente ao mundo natural, de forma a ajudar o desenvolvimento saudável deste e poder perdurar por um futuro indefinido, fazendo com que, ao trabalhar com o simples princípio de não retirar da Terra mais do que devolvemos a ela, as ecovilas promovem, na prática, a possibilidade da existência sustentável das gerações futuras.

As necessidades e princípios de uma ecovila se fundamentam no planejamento ocupacional. Veja aqui uma síntese desses princípios. A tecnologia e engenharia, voltada para soluções sustentáveis, locais e integradas, tem um papel muito importante nas ecovilas, como pode ser visto na captação de água, no banheiro seco, nos ecotelhados ou em outras diversas técnicas. A integração com a natureza garante a continuidade da implantação.

Conheça aqui algumas experiências de ecovilas no Brasil ligadas a IPEMA - Instituto de Ecovilas e Permacultura da Mata Atlântica.

Ecovilas movem-se em direção à sustentabilidade, dando alta prioridade a:

  1. Produção local de alimentos orgânicos / biodinâmicos (influência do design da permacultura.)
  2. Utilização de sistemas de energias renováveis, cataventos, biodigestores, etc
  3. Construção ecológica, tijolos de solocimento, bambu etc
  4. Criação de esquemas de apoio social e familiar, incluindo diversidade cultural e celebrações, danças circulares, etc
  5. Experiência com novos processos de tomada de decisão, utilizando técnicas de democracia profunda e facilitação de conflitos
  6. Economia auto-sustentável, baseada nos conceitos de localização e simplicidade voluntária
  7. Saúde integrada
  8. Educação holística baseada na percepção sistêmica

Fonte: Vamos criar uma ecovila? e Wikipedia.

A Terceira Grande Transição - da era petrolífera para a biocivilização...

Vistos com uma ampla perspectiva, o encarecimento do petróleo e a recuperação dos preços dos alimentos se mostrarão positivos se nos ajudarem a nos libertarmos da dependência do petróleo e a melhorar a vida dos pequenos agricultores em lugar de beneficiar as multinacionais da alimentação. A análise é de Ignacy Sachs.

PARIS – A prolongada evolução conjunta do gênero humano e da biosfera foi marcada no passado por duas grandes transições. A primeira, ao passar da coleta e da caça para a agricultura e criação de animais, ocorreu muitos milhares de anos atrás. A segunda, a era dos abundantes e baratos combustíveis de origem fóssil (carvão, petróleo e gás) começou há poucos séculos. Agora estamos no umbral da terceira grande transição, que deixará para trás a era do petróleo e, esperamos, de toda a energia de origem fóssil. A transição levará décadas, mas, segundo muitos indícios, já começou, empurrada pela alta espetacular dos preços do petróleo e pela recuperação dos preços dos alimentos.

Quando analisarem os acontecimentos de nosso tempo, os futuros historiadores verão a era da “energia fóssil” como um breve, mas acidentado, interlúdio que provocou um grande aumento da população mundial. Agora somos 6,7 bilhões de habitantes, e estima-se que seremos 9 bilhões em meados deste século, com a maioria da humanidade vivendo em áreas urbanas. Mas, apresentam-se dois grandes e iminentes desafios: o de uma potencialmente catastrófica mudança climática e o dilema de uma abismal desigualdade social, de mãos dadas com um crônico e severo déficit de oportunidades para a obtenção de trabalho decente.

Para evitar o aquecimento do clima, devido às excessivas emissões de gases causadores do efeito estufa, devemos modificar drasticamente nossas pautas de uso da energia. Para conseguirmos isso são necessárias três coisas: redução do consumo de energia por meio de uma mudança nos padrões de consumo e de estilos de vida; melhoria da eficiência energética; substituição dos combustíveis fósseis pelas diferentes energias renováveis (solar, eólica, hidráulica, marinha e biomassa).

Ao mesmo tempo, devemos reabrir a discussão sobre um novo ciclo de desenvolvimento rural para evitar o beco sem saída da excessiva e prematura urbanização, como aponta Mike Davis em seu livro “Planeta de bairros marginalizados”. É fundamental criar oportunidades de trabalho decente para bilhões de pobres das áreas rurais.

Estes objetivos podem ser conciliados mediante a promoção de modernas biocivilizações que sejam baseadas na energia solar aproveitada através da fotossíntese e que explorem os múltiplos usos da biomassa (alimento para seres humanos, forragem para animais, fertilizantes orgânicos, bioenergias, materiais de construção, fibras, plástico e outros produtos de química orgânica elaborados por bio-refinarias, indústrias farmacêuticas e de cosméticos). Os biocombustíveis são apenas um segmento de um todo mais amplo. Todas as grandes civilizações da antiguidade foram “civilisations du vegetal” (Pierre Gourou). As civilizações que virão serão diferentes das antigas, já que a humanidade se encontra em um novo e superior ponto da espiral do conhecimento. Deste modo, as modernas biocivilizações não devem ser vistas de modo algum como uma regressão, mas como um salto para o futuro.

Para envolver os pequenos proprietários rurais na produção sustentável e no processamento de biomassa, deveremos recorrer a tecnologias que impliquem conhecimentos e trabalho intensivos e, ao mesmo tempo, economia de recursos. As soluções virão de sistemas integrados de produção de alimentos/energia agro-ecológicos adaptados aos diferentes biomas e realizados com os princípios da “revolução sempre verde”, segundo as palavras de M. S. Swarninathan, também conhecidos como os da revolução duplamente verde. Trata-se de um difícil desafio, já que se pretende transformar as ameaçadoras crises dos alimentos e da energia em uma oportunidade para avançar para civilizações mais justas e sustentáveis.

Vistos com uma ampla perspectiva, o encarecimento do petróleo e a recuperação dos preços dos alimentos se mostrarão positivos se nos ajudarem a nos libertarmos da dependência do petróleo e a melhorar a vida dos pequenos agricultores em lugar de beneficiar as multinacionais da alimentação. Naturalmente, neste momento são necessárias medidas urgentes para ajudar os pobres urbanos afetados pelo atual encarecimento dos alimentos. As apostas são altas, mas o resultado está longe de ser garantido. Os capitalistas de risco são rápidos para aproveitar as ocasiões para fazer dinheiro com as novas tecnologias para produzir energia que estão surgindo graças ao petróleo caro e para explorá-las sem transformação séria do tecido social e econômico.

O começo da terceira grande transição coincide com o esgotamento dos mais importantes modelos de desenvolvimento, que dominaram o cenário desde o fim da Segunda Guerra Mundial. O comunismo se desmoronou com a queda do Muro de Berlim. O reformado capitalismo do pós-guerra deu lugar ao neoliberalismo. Mas, para alguns observadores, a recente crise financeira anuncia o início do fim do neoliberalismo. Por sua vez, a social-democracia está presa na situação de “sim à economia de mercado, não à sociedade de mercado”. É por isso que, condenada a inventar novos modelos, a próxima geração se dirigirá a inexplorados e excitantes territórios.

Uma coisa é certa: a emergência de biocivilizações, quando ocorrer, mudará a geopolítica mundial, pois favorecerá os países tropicais, qualificados por Pierre Gourou como “Terras da boa esperança”. Tanto mais se esses países conseguirem ampliar a vantagem que lhes dá o clima natural por meio da pesquisa, uma apropriada organização de sua produção e um efetivo desenvolvimento da cooperação Sul-Sul.

Ignacy Sachs é professor honorário na Escola de Altos Estudos em Ciência Sociais de Paris e na Universidade de São Paulo. Seu último livro é La troisième rive — à la recherche de l’ècodéveloppement (Paris, 2008).

Fonte: Portal do Meio Ambiente.

10 de agosto de 2008

Paredes, pedras e sustentabilidade Inca...

Andei afastado do Progresso Verde durante esses últimos dias, o que deixou o blog sem atualizações. Estava viajando e agora me atualizo do que está rolando com relação ao tema do Progresso para “rotear” informações por aqui.

Durante o período, visitei nosso vizinho Peru, um País com uma potencialidade turística tão grande quanto o explendor do império Inca. Na região da atual província de Cusco (incluindo a própria cidade de Cusco e Machu Picchu), onde se centralizava o império, transparece um exemplo de integração com a natureza e seus recursos mostrada pelo povo pré-colombiano.

Terraços em Pisac, Peru. Foto: Jeison T.Alflen.Terraços em Machu Picchu, Peru. Foto: Jeison T.Alflen.

E não se resume somente nos famosos terraços, que, seguindo as curvas de nível, serviam para conservação do solo em atividades de agricultura e contenção de encostas, mas também pelo planejamento das suas cidades (que hoje seriam chamadas “sustentáveis”) e outras aplicações da engenharia em diversas construções onde nota-se a vocação de trabalhar em conjunto com o meio ambiente, como se observa nas fotos abaixo, onde as pedras trabalhadas interagem completamente com as pedras originais.

Ruínas em Pisac, Peru. Foto: Jeison T.Alflen.Ruínas em Machu Picchu, Peru. Foto: Jeison T.Alflen.
Ruínas em Oyataintambo, Peru. Foto: Jeison T.Alflen.

Mais do que isso, apresentavam forma de trabalho comunitária e usavam banheiro seco. As cidadelas possuíam sistemas de abastecimento de água, irrigação e saneamento. As paredes das casas tinham isolamento térmico. As cidades foram construídas para durarem uma eternidade e é essa a intenção que sugiro tragamos para o dia a dia juntamente com os princípios de planejamento, engenharia, integração e conhecimento presentes até hoje nas ruínas.

Para quem se interessar, fiz um pacote com fotos que tirei lá no Peru de paredes inca, como a da foto abaixo: a famosa pedra dos 12 ângulos de Cusco. Completam o arquivo imagens de paredes das ruínas de Qoricancha, Sacsayhuaman, Oyantaytambo, Pisac e, claro, Machu Picchu. Para fazer o download, clique aqui ou aqui.

Pedra dos 12 ângulos em Cusco, Peru. Foto: Jeison T.Alflen.

Desta forma, retorno às postagens habituais, informando que termino esta semana meu projeto de pesquisa em Avoided Deflorestation, o que gerará, sem dúvida, postagens sobre desmatamento evitado para geração de créditos de carbono.

Fuerza!

UPDATE: o SBT apresentou hoje (11/08) uma matéria muito boa sobre o Peru. Leia aqui e aqui mais sotre a engenharia Inca.

UPDATE 2: para quem quiser saber mais sobre a viagem ou deseja informações para seguir o mesmo trajeto, relatei minha jornada no fórum Mochileiros. Só clicar ai: Cusco via Acre - 100% terrestre (julho 2008).

15 de julho de 2008

Compensação por serviços ambientais é tema de seminário na Câmara...

Rio Madeira no Estado do Amazonas. Foto: Jeison T. Alflen.
A Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara, a Frente Parlamentar Ambientalista, a Fundação SOS Mata Atlântica e a organização Conservação Internacional no Brasil promoveu dia 10 seminário para discutir a compensação por serviços ambientais.

A compensação por serviços ambientais é o pagamento, com dinheiro ou outros meios, para aqueles que ajudam a conservar ou produzir esses serviços mediante a adoção de práticas, técnicas e sistemas que beneficiem a todos os envolvidos em determinada área geográfica.

A secretária-executiva do Ministério do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, deve participar da abertura das mesas de trabalho. O secretário de Extrativismo e Desenvolvimento Rural Sustentável, Egon Krakhecke, e o diretor do Serviço Florestal Brasileiro, Tasso Azevedo, devem participar do painel Pagamento sobre Serviços Ambientais no Brasil: Visão Governamental.

Fonte: Agência Brasil.

Salão internacional apresenta inovações energéticas na França...

Equipamentos inteligentes que reduzem o consumo energético em uma residência ou água e energia produzidas a partir de um mesmo aparelho são alguns exemplos das inovações tecnológicas apresentadas na última semana no Salão Internacional de Soluções Energéticas Inovadoras, realizado em Nice, no sul da França.

O software desenvolvido pelo grupo Wirecom tecnologias ajuda a diminuir o uso energético residencial sem precisar contar com a consciência ambiental dos seus moradores. Instalados em cada equipamento doméstico, os chips permitem um reconhecimento mútuo e trocas de informações úteis para a regulação automática da temperatura, da luminosidade do ambiente e da utilização dos aparelhos eletrônicos e de informática.

“É uma solução para gestão de sistemas energéticos que permite o controle e otimização em função de vários parâmetros, como ocupação de uma sala e temperatura exterior”, explica o presidente da Wirecom, Thierry Allard.

O diretor comercial da francesa Enoleo, Pascal Torres, afirma que a economia de energia de “dois dígitos” é possível em 90% dos edifícios através de medidas de otimização e redução no uso. Alguns exemplos são a modernização de equipamentos, otimização da regulação, recuperação de energia, integração de fontes renováveis e melhoria do isolamento.

Atuando no setor de otimização energética e energias renováveis, as soluções tecnológicas desenvolvidas pela Enoleo têm como objetivo reduzir o consumo energético ao mesmo tempo em que se aumentem o conforto dos usuários e a segurança das instalações.

Certificações Green Buildings

Assim, surgiram as certificações de qualidade ambiental de construções, que avaliam o desempenho energético, o consumo de água, os materiais de construção, a utilização do espaço, a produção de poluição, o conforto e a qualidade interior. As edificações que são aprovadas em todos estes quesitos podem ser chamadas de “green buildings”.

Os principais selos de certificação existentes no mundo são o BREEAM, LEED, Green Star, CASBEE e HQE.

O inglês BREEAM (BRE Environmental Assessment Method) já certificou 65 mil edifícios, sendo que alguns setores são obrigados a obter esta certificação na Inglaterra. O norte-americano LEED (Leadership in Energy and Environmental Design) já certificou sete mil edificios e o francês HQE (Haute Qualité Environnemental), 150.

Tanto o australiano Green Star quanto japonês CASBEE (Comprehensive Assessment System for Building Environmental Efficiency) se baseiam no Breeam e no LEED e ainda possuem poucas certificações.

Apesar das similaridades, a maiorias dos selos não é exportável para outros paises, segundo o especialista em energia do Bureau Veritas, Patrick Vendeville. Ele explica que os métodos para certificação são baseados em regras e boas práticas locais e em adequação com a regulamentação local.

No Brasil, o processo ainda é recente e desenvolvido pelo Green Buildins Council do Brasil, utilizando o selo LEED.

O Bureau Veritas, líder mundial em certificação de normas de qualidade como os ISO 14001 e 9001, irá lançar um selo para “green buildings” em parceria com quatro empresas. O ‘Green Rating’ irá avaliar o desempenho de um edifício existente através de indicadores tangíveis e mensuráveis de eficiência energética, pegada de carbono, consumo de água, gestão de resíduos, saúde e disposição de transportes coletivos próximos ao edifício. “Primeiramente este padrão será aplicado a nível europeu, para depois ser transposto internacionalmente”, afirma Vendeville

A metodologia de auditoria, que está em fase de validação, já foi testada em quatro países (Espanha, Inglaterra, Alemanha e França). Vendeville ressalta que a principal dificuldade é responder às diferentes realidades de cada país.

Energia eólica para produzir água

Pensando nas regiões áridas e isoladas, onde o acesso à agua é escasso, a empresa francesa Eole-Water desenvolveu uma tecnologia para transformar a umidade do ar em água doce através do uso de energia eólica. A tecnologia Eole-Tech captura a água presente na atmosfera em forma de vapor e a transforma em líquido com a energia produzida a partir do vento.

“O rotor eólico conduz o compressor do sistema termodinâmico do circuito de condensação, assim como a turbina de circulação de ar e o gerador de energia elétrica. O ar ambiente é aspirado para a máquina, desumidecido e liberado”, explica o diretor da Eole-Water, Marc Parent.

A água recuperada é armazenada no alto do mastro, pressionando continuamente a coluna d'água. Assim, a água pode ser direcionada e estocada à distância, no local de consumo, por exemplo.

A grande vantagem da tecnologia é a produção simultânea de água e de energia elétrica, que pode ser estocada em baterias ou utilizada para produzir hidrogênio por eletrólise da água produzida. “Uma turbina com uma hélice de nove metros de diâmetro pode produzir 18 quilowatts (KW) à 10m/seg e 780 litros de água em 24 horas (em ambiente com 30° e 60% de umidade)”, explica Parent. A Eole-Water prevê o desenvolvimento em escala comercial para o ano que vem.

Por Paula Scheidt, CarbonoBrasil com reportagem de Fernanda B. Muller, enviada especial a Nice, França

Fonte: CarbonoBrasil.

14 de julho de 2008

Energia solar concentrada...

Um dos problemas do uso de energia solar em residências é a quantidade de placas coletoras que precisam ser instaladas, o que influi no tamanho da área de instalação e no custo. Cientistas do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, acabam de apresentar uma alternativa eficiente e de baixo custo.

A idéia, descrita em artigo publicado na edição de 11 de julho da revista Science, substitui os telhados por janelas, que, além de oferecer vista e claridade, passam a fornecer energia elétrica para uso dos moradores.

O segredo está no uso de um dispositivo chamado concentrador fotovoltaico orgânico, que usa tecnologias desenvolvidas para lasers e diodos emissores de luz. Como a luz é coletada em toda a área da janela e acumulada nas pontas, diminui o uso das caras células solares – os dispositivos semicondutores que transformam luz solar em eletricidade.

Segundo os autores do estudo, dos departamentos de Engenharia Elétrica e Ciência da Computação do MIT, a concentração aumenta em dez vezes a energia gerada por cada célula em relação aos valores normais. Como o sistema tem fabricação simples, os pesquisadores estimam que deverá estar disponível no mercado em até três anos.

Os dispositivos também poderão ser usados em sistemas existentes, com um aumento, de acordo com os pesquisadores, de 50% na eficiência com um pequeno custo.

Diferente dos dispositivos atuais, que usam grandes e caros espelhos, o novo modelo envolve uma mistura de tintas feitas de compostos como o dicianometileno. Ao serem aplicadas em camadas de vidro ou plástico, as tintas agem em conjunto para absorver a luz em uma faixa luminosa. As ondas são então emitidas novamente em comprimento de onda diferente e transportadas pelo painel para os coletores nas bordas.

“O projeto utiliza design inovador para alcançar alta conversão solar. Os resultados demonstram a importância crítica de pesquisa básica inovativa para trazer avanços na utilização da energia solar com baixo custo”, disse Aravinda Kini, gerente do Escritório de Ciências Energéticas Básicas do Departamento de Energia do governo norte-americano.

O artigo High-Efficiency organic solar concentrators for photovoltaics, de Michael Currie e outros, pode ser lido por assinantes da Science em www.sciencemag.org.

Fonte: Agência FAPESP.

Aqui a matéria direto do sítio do MIT.

8 de julho de 2008

Destinação do lixo é desafio...

O Brasil gera diariamente cerca de 141 mil toneladas de resíduos sólidos por dia, segundo dados da Associação Brasileira de Empresas Públicas e Resíduos Especiais (Abrelpe). O volume assustador de lixo produzido é ainda mais preocupante quando estima-se que 59,5% desse total são dispostos inadequadamente no ambiente, e apenas 3,8% são reciclados ou compostados. Esses números mostram a necessidade de ampliação de investimentos público-privados e da conscientização da população no que diz respeito à questão do lixo urbano e seus efeitos no meio ambiente.

A capital mineira tem um exemplo de um aterro sanitário de sucesso, cuja vida útil foi encerrada depois de 32 anos. Agora, estuda alternativas para o futuro. O caso de Belo Horizonte e exemplos de aterro consorciado e de concessão dos serviços de limpeza urbana para a iniciativa privada foram algumas experiências apresentadas no 6º Seminário Meio Ambiente e Cidadania, promovido pelo HOJE EM DIA, no último dia 17.

Segundo o diretor operacional da Superintendência de Limpeza Urbana de Belo Horizonte (SLU), Edmundo Martins, a população de BH gera cerca de 54,52 Kg de resíduo por minuto. A quantidade de resíduo aterrado na cidade é de 4.430 toneladas por dia, o que representa em média 94% do total. São dados bastante positivos, já que o aterro sanitário é uma destinação ambientalmente correta para o lixo.

Leia a matéria completa aqui.

Fonte: Ambiente Brasil.

Novo Atlas de Economia Solidária do Brasil está disponível na internet...

Lançado na semana passada, o novo Atlas da Economia Solidária no Brasil já pode ser acessado por meio do site do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Com informações atualizadas pelo mapeamento realizado até 2007, o atlas traz dados de 21.859 empreendimentos econômicos solidários distribuídos por municípios, estados, regiões, microrregiões, mesorregiões, territórios de cidadania e nacional.

Os dados coletados alimentam o Sistema Nacional de Informações em Economia Solidária (Sies), que registra e identifica todas as informações sobre os empreendimentos econômicos solidários e entidades de apoio, assessoria e fomento à economia solidária no país. As atividades são de produção de bens, prestação de serviço, fundos de crédito, comercialização ou de consumo solidário.

A gestão do SIES é realizada por meio de um mutirão nacional que executa o mapeamento dos empreendimentos. Em âmbito nacional, o Grupo de Trabalho do Mapeamento da Economia Solidária é formado pela Secretaria Nacional de Economia Solidária (Senaes) e pelo Fórum Brasileiro de Economia Solidária.

Em âmbito estadual, os fóruns estaduais de Economia Solidária, as delegacias regionais do trabalho, universidades e outras entidades que atuam com economia solidária também participam do processo. As atribuições desses grupos são as seguintes: Elaboração do Plano de Trabalho; Mobilização e sensibilização; Coordenação da coleta de informações e Manutenção do Sistema Estadual. O mapeamento é feito em duas fases. Na Fase I, são realizadas a identificação e a listagem; na Fase II, é feita a caracterização desses empreendimentos cadastrados.

O usuário do Atlas pode obter informações sobre a quantidade de empreendimentos, ano de criação, atividades econômicas (produtos e serviços), comercialização, crédito e finanças, autogestão e compromisso social e ambiental, entre outras. O Atlas foi desenvolvido pela Coordenação Geral de Informática do MTE juntamente com o Departamento de Estudos e Divulgação da Secretaria Nacional de Economia Solidária.

Os dados estão disponíveis no endereço: http://www.mte.gov.br/sistemas/atlases/. As entidades com características solidárias podem ainda informar seus dados no sistema por meio dos formulários que se encontram no endereço: www.sies.mte.gov.br.

Fonte: Envolverde/Adital.

G-8 aceita corte de 50% na emissão de gases até 2050...

O primeiro-ministro do Japão, Yasuo Fukuda, disse nesta terça-feira que as maiores economias industrializadas do mundo aceitaram reduzir a emissão de gases poluentes em 50% até 2050. O acordo foi anunciado durante o segundo dia de reunião da cúpula anual do G-8, no Japão. Segundo Fukuda, o grupo pediu para alguns países, em particular, o estabelecimento de metas de médio prazo para diminuir as emissões dos gases responsáveis pelo aquecimento global.

Durante o encontro, os líderes do G-8 expressaram também "forte preocupação" sobre a ameaça que a alta dos preços dos alimentos e do petróleo representa para a economia mundial. Eles destacaram que a capacidade de produção e refinamento de petróleo precisa ser ampliada para diminuir os preços do petróleo cru. Os governantes pediram esforços adicionais para aumentar a eficiência energética e diversificar as fontes de energia.

Alguns líderes ressaltaram a necessidade de cooperação entre as nações ricas e os países em desenvolvimento no que diz respeito ao câmbio estrangeiro. Segundo eles, as taxas de câmbio, os mercados financeiros em geral e os preços dos recursos naturais estão "muito relacionados" e medidas estruturais de longo prazo podem ser necessárias para combater os problemas nessas áreas.

O grupo concordou também em concentrar esforços para finalizar com sucesso a Rodada da Doha na Organização Mundial do Comércio (OMC), informou a agência Kyodo News, citando autoridades japonesas. As informações são da Dow Jones.

Fonte: Yahoo News.

UPDATE: a foto é uma ótima sacada do Danosse.