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26 de março de 2009

Fundo Amazônia recebe US$ 100 milhões da Noruega...

Bruma na mata em Rondônia. Foto: Jeison T. Alflen.
O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, assinou ontem (25/03), às 14h30, com o governo da Noruega contrato de doação de US$ 100 milhões para o Fundo Amazônia.

Os recursos fazem parte da doação de US$ 1 bilhão prevista para ser repassada integralmente até 2015. O dinheiro será aplicado em ações de combate ao desmatamento na Amazônia e na produção sustentável.

Ao anunciar a doação para o Fundo Amazônia, durante cerimônia no Palácio do Planalto realizada em setembro do ano passado, o primeiro-ministro da Noruega, Jeans Stoltenberg, disse que, em contrapartida, o Brasil deve reduzir, de forma efetiva, a emissão de gases poluentes causados pelo desmatamento.

Por Redação da Agência Brasil.

Terceiro projeto florestal é aprovado pela ONU...

O terceiro projeto de reflorestamento sob o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) do Protocolo de Quioto foi aprovado nesta semana pelas Nações Unidas. O Comitê Executivo do MDL registrou o Projeto Piloto sobre Terras Privadas Afetadas pela Mudança das Dunas de Areia, desenvolvido no Rajastão (Índia). Depois de três anos sem a aprovação de projetos florestais, este é o segundo a receber o aval da ONU em menos de um mês - Leia Registrado na ONU segundo projeto de reflorestamento.

Além disso, este é também o primeiro projeto de pequena escala a ser registrado. Três espécies de árvores, acácia e eucalipto para madeira e outra espécie frutífera, serão plantadas em 370 hectares de terras agrícolas degradadas através de uma cooperativa com 227 fazendeiros locais e com o Departamento Florestal de Haryana.

O projeto deve gerar 380 mil Redução Certificadas de Emissão temporárias (tRCEs) ao longo de vinte anos.

O objetivo do projeto é estabilizar as dunas de areia, aumentar a qualidade do solo, melhorar a capacidade de absorção de água, seqüestrar carbono e gerar renda para as comunidades locais através dos créditos de carbono. O Departamento Florestal de Haryana vê este projeto como piloto para a eventual replicação em outras áreas com baixa produtividade.

Atualmente existem mais de 1500 projetos de MDL registrados, desde energias renováveis até destruição de gases industriais, que devem produzir cerca de 1,5 bilhões de RCEs até 2012. O setor de reflorestamento, contudo, tem sido freado pelas complexidades e por um sistema de creditação temporário, resultando em baixas taxas de evolução de tais projetos dentro do MDL.

Fonte: Carbono Brasil.

PIB verde pode se tornar uma realidade...

Por Redação da Revista Idéia Socioambiental

Diante da pressão crescente por mecanismos que contemplem as externalidades das atividades econômico-financeiras, as ciências contábeis começam a rever suas práticas e conceitos. Muitos profissionais da área têm dedicado esforços para integrar as variáveis ambientais e sociais aos mecanismos de aferição do patrimônio das nações, criando ferramentas mais completas do que o Produto Interno Bruto (PIB) .

Partindo da premissa de que a forma como uma nação gerencia seus recursos naturais afetará seu desenvolvimento, pesquisadores da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (FIPECAFI) elaboraram uma metodologia para mensurar o patrimônio ambiental dos países. "É uma falta de inteligência pensar que maximizar o lucro de uma forma exponencial sem fim e continuar gerando toda a depredação do meio ambiente, os problemas sociais, a distribuição de renda, não vai interferir diretamente na sociedade", avalia José Roberto Kassai, professor da FIPECAFI, que juntamente com Nelson Carvalho, elaborou o estudo intitulado Balanço das Nações.

Até pouco tempo atrás, a ideia de incluir os recursos naturais na contabilidade das nações parecia uma possibilidade distante. Esse cenário começou a se modificar com a perspectiva ameaçadora das mudanças climáticas e do crescimento populacional - segundo estimativas, pode-se chegar a 9 bilhões de pessoas em algumas décadas, uma média de aumento de 1 bilhão a cada 15 anos. Diante dessa tendência, o desenvolvimento das nações será determinado pelo manejo inteligente dos recursos naturais, habilidade que depende de dados concretos quanto à disponibilidade dos ativos ambientais."No final, nossa sociedade será definida, não pelo que criamos, mas pelo que nos recusamos a destruir."

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25 de março de 2009

Wrap Rage: Amazon contra embalagens estúpidas...

Wrap Rage é o termo usado para descrever a raiva ou frustração diante de uma embalagem feita para não abrir. Você conhece bem: são aqueles plásticos duros que só abrem com faca, tampinha de iogurte que só furando com a unha, brinquedos amarrados por fiozinhos metálicos como se fossem prisioneiros de segurança máxima e saquinhos feitos para arrebentar de repente e promover chuvas de salgadinhos.

Pois a Amazon conseguiu um feito impressionante: criou uma embalagem “Frustration Free” (basicamente uma caixa de papelão cheia de flocos de isopor e that’s it) e está despachando produtos da Fischer Price, Microsoft e Mattel entre outros, já livres da embalagem original. Além de ser ecologicamente correto e fazer a felicidade dos consumidores, ponto para Amazon que ganha mais uma vez mídia espontânea com uma ação simples e genial. E mais: criaram uma página de videos e fotos, alimentada por clientes, com depoimentos, imagens de mãos com cortes, etc.

Vi no Update or Die.

Com desmatamento não há lucro futuro...

Um relatório da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) divulgado esta semana trouxe dados preocupantes sobre o desmatamento no mundo. O relatório coloca o Brasil em péssima situação quanto à conservação de suas matas.

No estudo, que analisa a perda absoluta de florestas entre 2000 e 2005, o Brasil figura como responsável por 42% de hectares da mata cortada em todo o mundo nesse período. O total mundial chegou a 7,3 milhões de hectares. No Brasil, a perda foi de 3,1 milhões de hectares anuais.

No Brasil, segundo a FAO, houve uma aceleração no desmatamento em comparação com o período entre 1995 e 2000. Naqueles anos, os cortes totalizaram 2,6 milhões de hectares.

O mundo perdeu a cada dia 200 quilômetros quadrados de florestas. E as projeções futuras do órgão da ONU apontam para a continuidade desse processo de devastação. Em nosso país, a expansão da agricultura e da pecuária e também a produção de biocombustíveis são elementos de estímulo ao crescente desmatamento.

Este relatório da FAO compilou dados até 2005, mas de lá para cá todos os estudos mostram que o desmatamento tem aumentando bastante e em alguns casos até com a justificativa de que isso faz parte do desenvolvimento econômico. Tal equívoco é estimulado pelo próprio presidente Lula quando ele diz coisas como que “entre um cerradinho e a soja” ele fica com a soja.

Colocar a destruição ambiental como um ônus inerente ao progresso é um raciocínio que favorece apenas aos que buscam o lucro fácil sem consideração com os graves problemas criados para toda a humanidade. Para este tipo de desenvolvimento econômico sem dúvida é imprescindível a destruição do meio ambiente.

Porém, esta é uma dicotomia falsa. Não pode haver conflito entre a preservação do meio ambiente e o progresso, pois quando isso acontece o próprio desenvolvimento acaba sendo de curto prazo, com o risco inclusive de um retrocesso que pode custar mais caro que os lucros obtidos durante a experiência.

A situação do planeta no aspecto ambiental é tão delicada que até proposições tidas como positivas para o equilíbrio ecológico exigem um debate aprofundado, pois onde parece existir uma solução pode estar o agravamento do problema.

A questão do biocombustível está neste plano. Quando a produção do biocombustível avança sobre nossas florestas, então o argumento ecológico deixa de fazer sentido. Aí o projeto deixa de atender a expectativa principal e se restringe ao aspecto meramente econômico.

Há cerca de um ano o jornalista Washington Novaes, um pioneiro brasileiro em ecologia e um dos melhores textos na área, escrevia sobre a produção do biocombustível na Indonésia, outro país campeão mundial em desmatamento.

Na Indonésia o desmatamento ocorre em florestas encontradas em pântanos turfosos. Isso acaba provocando a liberação intensa de dióxido de carbono, já que na turfa de áreas como essas, no Sudeste Asiático, estão armazenados cerca de 155 bilhões de toneladas de CO2, o que dá seis vezes as atuais emissões anuais no mundo. Os dados ele extraiu da revista New Scientist.

Então Novaes faz a pergunta inevitável: “Vale a pena, por exemplo, desmatar uma área e drenar o terreno turfoso, se ele libera 30 vezes mais dióxido de carbono do que a redução que é conseguida com o biocombustível produzido naquela área?”

São questões como essa que devemos avaliar quando nos defrontamos com números como estes divulgados agora pela FAO. Para onde nos leva um desenvolvimento econômico que agride o meio ambiente, provoca o aquecimento da Terra e cria outros problemas globais, além de deixar em nosso próprio país o terreno devastado e imprestável para o futuro?

Evidentemente fazemos uma pergunta retórica. O destino reservado aos brasileiros por um modelo como este pode ser previsto pelos problemas que já vivemos atualmente. E não podemos esperar a conta do futuro para só então denunciar que um progresso à custa do meio ambiente não vale sequer o seu lucro imediato.

** Texto do Movimento Água da Nossa Gente

EcoDebate a partir do sítio da SBEF.

7 de outubro de 2008

Mercado de Carbono: críticas...

Vocês, leitores, sabem como o Progresso Verde é democrático. Faço questão de expor todos os pontos de vista acerca de um assunto. Ultimamente tem-se criticado muito o mercado de carbono, principalmente no que diz respeito aos reais benefícios diretos ao meio ambiente. Vejo isso com muito otimismo, principalmente porque o motivo (e, quem sabe, benefício direto da discussão) é a redução de desmatamento ou desmatamento evitado que não possui amparo na metodologia atual, dependendo, unicamente, do mercado voluntário.

Mesmo a criação de um fundo de compensação para redução do desmatamento é visto com pouco “otimismo” pelos países desenvolvidos, como se pode ler nessa reportagem. A definição da metodologia e mesmo a incorporação dos próprios projetos florestais no mercado de carbono foi difícil e, agora, iniciando as discussões para um tratado pós-Quioto, o tema deve ser levado à ampla discussão. Veja aqui, para se ter uma idéia, como o tempo para os projetos florestais no MDL está acabando.

Como defensor do tema de incorporação do desmatamento evitado no próximo tratado, e entendendo que esta é a única forma de colocar os países mais pobres e que mais sofrem com a pressão no planeta no rol dos beneficiários do mercado, coloco o ótimo texto de Sabrina Domingos sobre o assunto para reflexão.

Pesquisadores criticam o mercado de carbono

A falta de uma preocupação real com o meio ambiente é o principal argumento do físico Luiz Carlos Molion para criticar o mercado de carbono da forma como é conduzido atualmente. Oposicionista das teorias que defendem o aquecimento global causado pelo homem, Molion diz que o interesse das empresas e governos está em como entrar nesse mercado para ganhar dinheiro e não com a preservação do meio ambiente.

A opinião é compartilhada pelo pesquisador da fundação sueca Dag Hammarskjold e autor do livro Carbon Trading, Larry Lohmann, para quem o Protocolo de Quioto e o comércio de carbono nele previsto não trazem grandes alterações para o cenário mundial de emissões de gases do efeito estufa. “Trata-se um mecanismo de mercado, pouco prático e nada efetivo, que promove o comércio do direito de poluir. Acabou funcionando de maneira perversa ao drenar as atenções de soluções mais radicais e efetivas que agora se mostram urgentes”, defende.

Molion destaca que o lobby de grandes empresas geradoras de energia é prejudicial nesse contexto. Na Europa, os governos avaliam dados das emissões de carbono coletados entre 2002 e 2004; verificam o quanto as empresas locais poluíram nesse período e definem, por meio de cotas, o quanto elas poderão poluir daquele ponto em diante. O problema, ressalta o físico, é que muitas dessas empresas já melhoraram seus equipamentos ao longo desse tempo e estão poluindo menos do que o permitido – com isso, ganharão dinheiro vendendo suas cotas para as empresas altamente poluidoras que ultrapassam o limite estabelecido. “Por isso eu digo que não existe preocupação com o meio ambiente e com o futuro da humanidade. Isso se transformou atualmente em um comércio, uma nova bolsa, tanto que hoje existem firmas prontas para investir 1 trilhão de dólares em créditos de carbono com a intenção de vendê-los posteriormente”.

O que ocorre na Europa é exatamente o contrário do princípio “poluidor - pagador”, é o princípio “quem polui, ganha”, afirma Lohmann em entrevista concedida ao jornalista Rafael Evangelista para o site Com Ciência. O pesquisador argumenta que os grandes poluidores se beneficiam também comprando direitos de poluir mais, a partir de projetos em que investem no exterior e que, supostamente, economizariam carbono. É o caso de empresas que compram créditos gerados por projetos de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), como os que geram eletricidade a partir da queima de gases de um aterro sanitário. “Esses projetos oferecem, de bandeja, um turbilhão de direitos futuros de poluir para o conjunto já enorme de direitos à disposição das corporações do Norte”.

Em países como o Brasil, o desmatamento evitado das florestas tropicais tem sido apontado como uma alternativa na luta contra as mudanças climáticas. Molion afirma que a Floresta Amazônica é um seqüestrador ativo de carbono, absorvendo 2 toneladas de CO2 por hectare por ano. “Mas quando você olha o Protocolo de Quioto, as florestas nativas não são levadas em consideração, apenas as plantadas - exatamente para não permitir que países como o Brasil possam se utilizar disso”. Ele lembra que a maior parte das madeireiras que atuam na Amazônia são de fora do país e ressalta que esses empresários adotam um discurso contraditório. “Que hipocrisia é essa de dizer: você desmata, mas a madeira nós queremos aqui? É preciso acabar com essa hipocrisia”.

Saída

Lohmann considera que a única maneira de reverter a situação é promover uma regulação dura, que taxe e controle a indústria poluente, ao lado de reformas estruturais e investimentos fortes na redução do consumo de energia. “Os governos dos países industrializados precisarão transferir subsídios dos combustíveis fósseis para energia renovável; precisarão empreender investimentos públicos grandiosos em eficiência energética e transportes para fornecer a seus cidadãos mais opções sobre como utilizar energia; precisarão aplicar a regulação convencional e taxações de maneira mais radical”.

O tempo para se lidar com os problemas ambientais é uma questão que preocupa Molion. “Em 2045 teremos 9 bilhões de pessoas no planeta, que é finito e conta com recursos naturais finitos. A humanidade precisa viver mais alguns milhares de anos para que a tecnologia possa se desenvolver e nós possamos arranjar outras formas de gerar energia como, por exemplo, a fusão nuclear, ou desenvolver novos tipos de alimentos, ou até mesmo começar a explorar outros planetas”, avalia. “Tudo o que se puder fazer para economizar e utilizar melhor os recursos naturais existentes será muito bem-vindo. É importante olhar para o futuro e dar um tempo para a humanidade conseguir se desenvolver tecnologicamente. Mas nós realmente precisamos de tempo para isso”, conclui.

Fonte: Envolverde.

5 de outubro de 2008

Plano Nacional de Mudanças do Clima incorpora metas de redução do desmatamento...

O Plano Nacional de Mudanças do Clima, apresentado no dia 25 de setembro, em Brasília, faz com que o Brasil se comprometa pela primeira vez a possuir médias decrescentes de desmatamento em todos os biomas, mensuráveis a cada quatro anos, até atingir o chamado desmatamento ilegal zero.

"É um plano ousado, com metas voluntárias e setoriais que, juntas, representam a redução de centenas de milhões de toneladas de gás carbônico por ano, seja pela redução do desperdício, seja pelo aumento da eficiência energética, ou ainda pela redução progressiva do desmatamento ou aumento progressivo do plantio de florestas nativas e comerciais", destacou o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc.

O documento reúne as ações que o país pretende colocar em prática para combate às mudanças globais do clima e criar condições internas para o enfrentamento de suas conseqüências. É fruto do trabalho do Comitê Interministerial sobre Mudança do Clima (CI, de caráter permanente, formado por 16 ministérios e pelo Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, liderados pela Casa Civil). O plano também recebeu contribuição da Conferência Nacional do Meio Ambiente, que este ano debateu o tema Mudanças Climáticas.

Continue lendo.

No último dia 02 foi o momento da Secretaria Executiva do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas (FBMC) reunir-se para avaliar a versão do plano. No encontro, mediado pelo secretário-executivo do FBMC e diretor da Coppe/UFRJ, Luiz Pinguelli Rosa, representantes da Casa Civil, do Ministério de Ciência e Tecnologia, da Petrobras e do Instituto Ecoar apresentaram sugestões para serem incorporadas ao documento, que ficará em consulta pública até 31 de outubro.

Mudanças nas regras dos leilões do setor elétrico, com o objetivo de estimular o uso de energias alternativas como a eólica; incentivo a projetos para serem convertidos em créditos de carbono pela modalidade MDL (Mecanismos de Desenvolvimento Limpo) Programático; reduzir para quatro anos o período para medir a redução do desmatamento e a criação de um programa de estímulo ao reflorestamento de terras degradadas foram as principais considerações debatidas. O Fórum também recebeu sugestões da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), do Greenpeace, e do Fórum Baiano de Mudanças Climáticas, que reforçou a importância dos Diálogos Setoriais. Essas e outras sugestões que surgirem nas próximas reuniões do FBMC serão encaminhadas ao governo. "Por ser extenso e ter caráter dinâmico, o Plano abre possibilidade para muitas discussões. EFBMCsse é o maior mérito deste trabalho", comentou Pinguelli.

Também foi discutida uma nova agenda de Diálogo Setorial do FBMC para o período de um mês, durante a consulta pública. Três reuniões já estão previstas, uma em São José dos Campos no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), na Bahia, convocada pelo Fórum Baiano de Mudanças Climáticas, e no Paraná, pelo Fórum Paranaense de Mudanças Climáticas.

Fonte: FBMC através do CarbonoBrasil.

Leia mais sobre o Plano Nacional sobre Mudança do Clima aqui e aqui.

12 de agosto de 2008

Hábitos de consumo e eletrodomésticos pouco eficientes são principais vilões do desperdício de energia...

Apesar de representarem problemas de segurança e funcionamento, instalações inadequadas ocasionam um desperdício de energia bem menor, quando comparado ao que resulta dos hábitos de consumo e de alguns tipos de iluminação e eletrodomésticos de baixa eficiência. Para estimar a perda média de energia ocasionada por incorreções em instalações residenciais, o engenheiro eletricista Ricardo Santos d’Avila reuniu em sua pesquisa dados disponibilizados por outros estudos e associações de fabricantes com resultados obtidos em experimentos realizados nos laboratórios da Seção Técnica de Altas Correntes do Instituto de Eletrotécnica e Energia (IEE) da USP.

O cálculo foi feito considerando-se apartamentos de 50 até 100 metros quadrados que apresentassem inadequações em componentes das instalações (interruptores, plugues, tomadas, disjuntores e emendas) e na seção (calibre) do fio de cobre utilizado. A espessura do fio de cobre escolhido para uma instalação deve ser apropriada à corrente elétrica que vai passar por ele, como explica o engenheiro: “Fios de menor seção representam economia imediata, já que o cobre é um material caro, que vem sofrendo sucessivas altas de preço nos últimos anos. Apesar disso, fios muito finos usados para passagem de altas correntes ocasionam superaquecimento do material, o que pode trazer perda de energia e, principalmente, riscos à segurança”.

Veja a conclusão do estudo aqui.

Cinco perguntas sobre inventário de emissões de gases de efeito estufa (GEE)...

Mônica Pinto / AmbienteBrasil

Quanto cada empresa, Estado ou Município está contribuindo para o aquecimento global, ao lançar na atmosfera gases causadores de efeito estufa (GEE)? Responder tecnicamente a essa pergunta é a proposta dos inventários de emissões, procedimento adotado hoje não só em algumas esferas do poder público – ainda que timidamente -, mas também por empresas que, na prática, contribuem para o meio ambiente e, em geral, conseguem reduzir seus custos operacionais.

AmbienteBrasil conversou sobre esse processo com Marcelo Theoto Rocha, pesquisador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (CEPEA) da Universidade de São Paulo (USP) e sócio da Fábrica Éthica Brasil - Consultoria em Sustentabilidade. Confira.

AmbienteBrasil - O que é um inventário de emissões?

Marcelo Theoto Rocha - É como se fosse uma fotografia da empresa, município, estado ou país sobre suas emissões de gases de efeito estufa (GEE). Ao "tirar a foto", escolhe-se o que irá aparecer, ou seja, quais as fontes de emissões que serão inventariadas, dentro do que chamamos limites organizacionais e operacionais. Escolhe-se também qual a "nitidez da fotografia", ou seja, como serão feitas as estimativas de emissões. Para tanto, deve-se seguir alguns princípios: transparência, completude, consistência, precisão e relevância.
Outra característica importante de um inventário de emissões é que ele é um processo contínuo, aonde as fotografias vão sendo tiradas ao longo dos anos, sempre buscando um aperfeiçoamento.

AmbienteBrasil - Quais as vantagens de uma empresa privada investir nesse levantamento?

Theoto - O inventário nada mais é do que uma ferramenta para a gestão das emissões de gases de efeito estufa, e como toda ferramenta deve ser utilizada dentro de uma estratégia corporativa de mudanças climáticas e sustentabilidade.
Ao realizar o inventário, a empresa tem a oportunidade de melhor conhecer o seus processos em termos de emissão e com isto identificar corretamente possibilidades de redução de emissão, algumas das quais poderão ser realizadas como atividades de projeto do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo do Protocolo de Quioto.

AmbienteBrasil - Na esfera pública, Estados e Municípios têm sido sensíveis a essa proposta?

Theoto - Sim, vários Estados e Municípios estão pensando em realizar seus inventários de emissões. Nestes casos, é importante salientar que a realização do inventário deve servir para um propósito específico. Ter os dados de emissões simplesmente para tê-los não faz sentido algum. É preciso ter claro para que os dados servirão (ex: estabelecimento de uma política pública sobre emissões de GEE) e usar a experiência de se realizar um inventário como uma experiência contínua de aprendizado.

AmbienteBrasil - Há algum organismo que certifique os inventários de emissões realizados, seja pela iniciativa privada, seja pelo poder público?

Theoto - Os inventários podem seguir diferentes metodologias e/ou protocolos. Os protocolos mais conhecidos e respeitados são o GHG Protocol e a norma ISO 14064. Já em termos de metodologias, as mais conhecidas e respeitadas são do IPCC.
Ao seguir estes protocolos e metodologias, os inventários podem ser avaliados por empresas privadas independentes ("certificadoras") que poderão então atestar se o inventário foi feito de acordo com os protocolos e metodologias escolhidos. Este processo de "certificação", trata-se por enquanto de uma iniciativa voluntária, ou seja, não existe nenhuma obrigação legal por parte de quem realiza seu inventário de buscar tal atestado.
Dependendo da finalidade do inventário - por exemplo servir de base para uma política de comunicação -, recomenda-se que seja feita a avaliação independente.

AmbienteBrasil - Em termos ambientais, quais os ganhos proporcionados pelos inventários de emissões?

Theoto - Ao inventariar suas emissões, a empresa irá melhor conhecer seus impactos e com isto melhor desenhar uma estratégia de redução e compensação. Outros ganhos ambientais também podem ocorrer, tais como redução do consumo de matérias- primas, eficientização energética etc.

Fonte: Ambiente Brasil.

ONU planeja novas regras no MDL para diminuir especulação financeira...

As Nações Unidas querem fechar o cerco contra especuladores que tentam ganhar dinheiro com projetos de redução de emissões de gases do efeito estufa que seriam lucrativos mesmo sem receberem créditos de carbono.

Uma proposta de novas regras contra esta especulação, divulgada ontem pelo Painel de Metodologias da ONU, sugere que futuros projetos mostrem que o corte de emissões são resultados diretos do projeto do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), demonstrando, por exemplo, que os empréstimos bancários foram realizados por causa das vendas de créditos.
O MDL foi criado pela ONU para promover os investimentos em projetos de mitigação de gases do efeito estufa (GEE) que não aconteceriam sem os recursos financeiros vindas das vendas dos créditos de carbono. Este quesito, juntamente com os benefícios para o desenvolvimento sustentável, deveria ser a principal exigência para receber a aprovação das Nações Unidas, o que é chamado de adicionalidade.

No entanto, as Nações Unidas têm recebido críticas constantes sobre a falta de adicionalidade em muitos projetos aprovados que seriam viáveis economicamente sem precisar receber créditos de carbono.

Tais críticas têm ameaçado impactar no preço dos créditos negociados no mercado de carbono do Protocolo de Quioto. Os oficiais políticos da União Européia inclusive já expressaram preocupações sobre a qualidade dos projetos.

Aterros Sanitários

“O foco primário deve ser explorar os tipos de atividades de projetos que são potencialmente muito lucrativos mesmo sem considerar os recursos adicionais do MDL”, disse o Painel em uma chamada pública para comentários. O documento está disponível na página http://cdm.unfccc.int/public_inputs/2008/cers_rev/index.html e comentários serão aceitos até o dia 3 de setembro.

A nova regra seria inicialmente aplicada para novas usinas de biomassa que utilizem lixo para gerar energia. Porém o Painel de Metodologias destaca que poderá estendê-la para outros projetos, dependendo dos setores e tecnologias empregadas.

Para comprovar as dificuldades de atrair investimentos sem o MDL, os desenvolvedores de projetos terão duas opções. A primeira é provar que a atividade é a primeira deste tipo na região ou país onde está sendo desenvolvido.

Outra possibilidade seria demonstrar que o MDL é a única saída para os responsáveis pelo projeto obterem recursos financeiros, pois não conseguiriam diminuir as barreiras que impedem a atração de investimentos.

A partir desta semana, desenvolvedores de projetos terão que informar ao ministro de meio ambiente local e à Convenção Quadro de Mudanças Climáticas da ONU (UNFCCC) o início de novos projetos de redução de emissões com seis meses de antecedência, em um passo que pode tornar mais difícil um forte enfoque do papel do MDL na decisão comercial do lançamento do projeto.

Este é mais uma decisão tomada pela UNFCCC para garantir a qualidade dos projetos. Recentemente, a instituição já havia tornado o processo de aprovação de projetos mais rígido, o que trouxe impactos negativos para algumas consultorias que gerenciam o desenvolvimento de projetos e fazem as negociações dos créditos.

Leia mais:

Fonte: Carbono Brasil.

A Terceira Grande Transição - da era petrolífera para a biocivilização...

Vistos com uma ampla perspectiva, o encarecimento do petróleo e a recuperação dos preços dos alimentos se mostrarão positivos se nos ajudarem a nos libertarmos da dependência do petróleo e a melhorar a vida dos pequenos agricultores em lugar de beneficiar as multinacionais da alimentação. A análise é de Ignacy Sachs.

PARIS – A prolongada evolução conjunta do gênero humano e da biosfera foi marcada no passado por duas grandes transições. A primeira, ao passar da coleta e da caça para a agricultura e criação de animais, ocorreu muitos milhares de anos atrás. A segunda, a era dos abundantes e baratos combustíveis de origem fóssil (carvão, petróleo e gás) começou há poucos séculos. Agora estamos no umbral da terceira grande transição, que deixará para trás a era do petróleo e, esperamos, de toda a energia de origem fóssil. A transição levará décadas, mas, segundo muitos indícios, já começou, empurrada pela alta espetacular dos preços do petróleo e pela recuperação dos preços dos alimentos.

Quando analisarem os acontecimentos de nosso tempo, os futuros historiadores verão a era da “energia fóssil” como um breve, mas acidentado, interlúdio que provocou um grande aumento da população mundial. Agora somos 6,7 bilhões de habitantes, e estima-se que seremos 9 bilhões em meados deste século, com a maioria da humanidade vivendo em áreas urbanas. Mas, apresentam-se dois grandes e iminentes desafios: o de uma potencialmente catastrófica mudança climática e o dilema de uma abismal desigualdade social, de mãos dadas com um crônico e severo déficit de oportunidades para a obtenção de trabalho decente.

Para evitar o aquecimento do clima, devido às excessivas emissões de gases causadores do efeito estufa, devemos modificar drasticamente nossas pautas de uso da energia. Para conseguirmos isso são necessárias três coisas: redução do consumo de energia por meio de uma mudança nos padrões de consumo e de estilos de vida; melhoria da eficiência energética; substituição dos combustíveis fósseis pelas diferentes energias renováveis (solar, eólica, hidráulica, marinha e biomassa).

Ao mesmo tempo, devemos reabrir a discussão sobre um novo ciclo de desenvolvimento rural para evitar o beco sem saída da excessiva e prematura urbanização, como aponta Mike Davis em seu livro “Planeta de bairros marginalizados”. É fundamental criar oportunidades de trabalho decente para bilhões de pobres das áreas rurais.

Estes objetivos podem ser conciliados mediante a promoção de modernas biocivilizações que sejam baseadas na energia solar aproveitada através da fotossíntese e que explorem os múltiplos usos da biomassa (alimento para seres humanos, forragem para animais, fertilizantes orgânicos, bioenergias, materiais de construção, fibras, plástico e outros produtos de química orgânica elaborados por bio-refinarias, indústrias farmacêuticas e de cosméticos). Os biocombustíveis são apenas um segmento de um todo mais amplo. Todas as grandes civilizações da antiguidade foram “civilisations du vegetal” (Pierre Gourou). As civilizações que virão serão diferentes das antigas, já que a humanidade se encontra em um novo e superior ponto da espiral do conhecimento. Deste modo, as modernas biocivilizações não devem ser vistas de modo algum como uma regressão, mas como um salto para o futuro.

Para envolver os pequenos proprietários rurais na produção sustentável e no processamento de biomassa, deveremos recorrer a tecnologias que impliquem conhecimentos e trabalho intensivos e, ao mesmo tempo, economia de recursos. As soluções virão de sistemas integrados de produção de alimentos/energia agro-ecológicos adaptados aos diferentes biomas e realizados com os princípios da “revolução sempre verde”, segundo as palavras de M. S. Swarninathan, também conhecidos como os da revolução duplamente verde. Trata-se de um difícil desafio, já que se pretende transformar as ameaçadoras crises dos alimentos e da energia em uma oportunidade para avançar para civilizações mais justas e sustentáveis.

Vistos com uma ampla perspectiva, o encarecimento do petróleo e a recuperação dos preços dos alimentos se mostrarão positivos se nos ajudarem a nos libertarmos da dependência do petróleo e a melhorar a vida dos pequenos agricultores em lugar de beneficiar as multinacionais da alimentação. Naturalmente, neste momento são necessárias medidas urgentes para ajudar os pobres urbanos afetados pelo atual encarecimento dos alimentos. As apostas são altas, mas o resultado está longe de ser garantido. Os capitalistas de risco são rápidos para aproveitar as ocasiões para fazer dinheiro com as novas tecnologias para produzir energia que estão surgindo graças ao petróleo caro e para explorá-las sem transformação séria do tecido social e econômico.

O começo da terceira grande transição coincide com o esgotamento dos mais importantes modelos de desenvolvimento, que dominaram o cenário desde o fim da Segunda Guerra Mundial. O comunismo se desmoronou com a queda do Muro de Berlim. O reformado capitalismo do pós-guerra deu lugar ao neoliberalismo. Mas, para alguns observadores, a recente crise financeira anuncia o início do fim do neoliberalismo. Por sua vez, a social-democracia está presa na situação de “sim à economia de mercado, não à sociedade de mercado”. É por isso que, condenada a inventar novos modelos, a próxima geração se dirigirá a inexplorados e excitantes territórios.

Uma coisa é certa: a emergência de biocivilizações, quando ocorrer, mudará a geopolítica mundial, pois favorecerá os países tropicais, qualificados por Pierre Gourou como “Terras da boa esperança”. Tanto mais se esses países conseguirem ampliar a vantagem que lhes dá o clima natural por meio da pesquisa, uma apropriada organização de sua produção e um efetivo desenvolvimento da cooperação Sul-Sul.

Ignacy Sachs é professor honorário na Escola de Altos Estudos em Ciência Sociais de Paris e na Universidade de São Paulo. Seu último livro é La troisième rive — à la recherche de l’ècodéveloppement (Paris, 2008).

Fonte: Portal do Meio Ambiente.

8 de julho de 2008

Novo Atlas de Economia Solidária do Brasil está disponível na internet...

Lançado na semana passada, o novo Atlas da Economia Solidária no Brasil já pode ser acessado por meio do site do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Com informações atualizadas pelo mapeamento realizado até 2007, o atlas traz dados de 21.859 empreendimentos econômicos solidários distribuídos por municípios, estados, regiões, microrregiões, mesorregiões, territórios de cidadania e nacional.

Os dados coletados alimentam o Sistema Nacional de Informações em Economia Solidária (Sies), que registra e identifica todas as informações sobre os empreendimentos econômicos solidários e entidades de apoio, assessoria e fomento à economia solidária no país. As atividades são de produção de bens, prestação de serviço, fundos de crédito, comercialização ou de consumo solidário.

A gestão do SIES é realizada por meio de um mutirão nacional que executa o mapeamento dos empreendimentos. Em âmbito nacional, o Grupo de Trabalho do Mapeamento da Economia Solidária é formado pela Secretaria Nacional de Economia Solidária (Senaes) e pelo Fórum Brasileiro de Economia Solidária.

Em âmbito estadual, os fóruns estaduais de Economia Solidária, as delegacias regionais do trabalho, universidades e outras entidades que atuam com economia solidária também participam do processo. As atribuições desses grupos são as seguintes: Elaboração do Plano de Trabalho; Mobilização e sensibilização; Coordenação da coleta de informações e Manutenção do Sistema Estadual. O mapeamento é feito em duas fases. Na Fase I, são realizadas a identificação e a listagem; na Fase II, é feita a caracterização desses empreendimentos cadastrados.

O usuário do Atlas pode obter informações sobre a quantidade de empreendimentos, ano de criação, atividades econômicas (produtos e serviços), comercialização, crédito e finanças, autogestão e compromisso social e ambiental, entre outras. O Atlas foi desenvolvido pela Coordenação Geral de Informática do MTE juntamente com o Departamento de Estudos e Divulgação da Secretaria Nacional de Economia Solidária.

Os dados estão disponíveis no endereço: http://www.mte.gov.br/sistemas/atlases/. As entidades com características solidárias podem ainda informar seus dados no sistema por meio dos formulários que se encontram no endereço: www.sies.mte.gov.br.

Fonte: Envolverde/Adital.

RCEs são negociadas a preços recorde...

Custos da energia em alta e dúvidas sobre a oferta de créditos de carbono até 2012 empurraram para cima os preços nos mercados primário e secundário de Reduções Certificadas de Emissão (RCEs) ao longo do mês de junho e avançando em julho.

Em três de julho, as negociações secundárias de RCEs expedidas fecharam em 21,50 euros para os contratos de dezembro de 2008 na Bolsa Européia do Clima (ECX - European Climate Exchange), ganhando cerca de três euros ao longo do ultimo mês e alcançando nova alta. Um pico temporário de 22 euros aconteceu devido aos rumores de que a França assumiria sozinha a responsabilidade de conectar-se ao International Transaction Log (ITL) da ONU, um gesto muito esperado por todos os países da União Européia (UE) para facilitar a negociação completa das RCEs expedidas. Os novos níveis acima de 21 euros apareceram apesar da queda de 1,80 euros do mercado de permissões da UE (EUAs - European Union Allowances) para 27,45 euros, o que segundo reportagem da Reuters, os negociadores dizem ser devido a correções neste mercado.

Isto reduz o spread entre EUAs e RCEs em cerca de 7,50 ou 6,15 euros, apesar de ser incerto que as RCEs mantenham os preços atuais se as EUAs continuarem a serem negociadas em baixa. De qualquer maneira, o movimento nos contratos para dezembro de 2008 não contam toda a história sobre a tendência dos preços no mercado de RCEs.

Os preços aumentaram ainda mais nos contratos a longo prazo, que agora valem mais do que os contratos a curto prazo. As RCEs para dezembro de 2009 fecharam em 22,25 euros, para dezembro de 2010 em 22,92 euros; para dezembro de 2011 em 23,89 euros e para dezembro de 2012 em 24,93 euros, uma curva de preços mais convencional, como descreveriam analistas técnicos.

Continue lendo.

Fonte: Carbono Brasil.

22 de junho de 2008

O preço do petróleo...

A escalada do preço do barril de petróleo assume contornos extremamente preocupantes. O preço do ouro negro mais do que triplicou em apenas quatro anos, ou seja, dos 30 dólares de 2003 passou para os 50 em 2004, para os 70 em 2005 e para os 100 em 2008.

E agora? As perspectivas não se afiguram muito animadoras. A crescente atividade especulativa e a desvalorização do dólar contribuem para o pessimismo reinante nesta matéria.

O petróleo é um bem muito sensível às realidades geopolíticas, facilmente comprovável no aumento do seu preço em virtude do clima de crispação entre o Irão e os EUA e, posteriormente, no clima de tensão vivido na fronteira entre a Turquia e o Iraque.

Para além dos fatores apontados anteriormente, outras causas permitem explicar o aumento exponencial do preço do petróleo, nomeadamente uma procura desenfreada levada a cabo pela Índia e China, países com grande dimensão demográfica e um elevado crescimento econômico, a invasão, ocupação e posterior instabilidade política e social do Iraque e até mesmo algumas catástrofes naturais.

A apreensão vivenciada pela comunidade internacional prende-se com as inevitáveis conseqüências deste ritmo alucinante de subida do preço do petróleo: este aumento reflete-se no crescimento econômico, com um inegável abrandamento, e na inflação, com um aumento. O constante aumento, no mercado internacional, de alguns bens essenciais, como o trigo, açúcar, café e o arroz, é disso exemplo: de Janeiro de 2007 até agora o pão já registrou uma subida de 25% , fruto do acréscimo de 124% do preço do trigo verificado na zona euro neste ano.

Aumentando o custo do petróleo aumenta necessariamente o custo da generalidade dos bens pois tudo é transportado e os bens são produzidos com recurso a energia estando esta presente em tudo o que consumimos.O abrandamento do crescimento econômico é outras das conseqüências do aumento do preço do petróleo, pois preços altos implicam menos consumo e consequentemente dificuldades para as empresas que assim não conseguem escoar a produção. Este abaixamento na produção traz consigo grandes dificuldades às empresas e invariavelmente assiste-se a um aumento das taxas de desemprego.

Aumentando o custo do petróleo aumenta necessariamente o custo da generalidade dos bens pois tudo é transportado e os bens são produzidos com recurso a energia estando esta presente em tudo o que consumimos.

O abrandamento do crescimento econômico é outras das conseqüências do aumento do preço do petróleo, pois preços altos implicam menos consumo e consequentemente dificuldades para as empresas que assim não conseguem escoar a produção. Este abaixamento na produção traz consigo grandes dificuldades às empresas e invariavelmente assiste-se a um aumento das taxas de desemprego.

Texto elaborado por Miguel Jardim, docente da ESJM.

Vi no Ecomoniz e tirei o gráfico do Acionista.

14 de junho de 2008

Reino Unido e Irlanda sugerem comércio de carbono para cidadãos...

Campanhas educativas não fazem você esquecer que é preciso diminuir o consumo de combustível, economizar água e desligar a luz; porém nunca ninguém exigiu um pagamento pelos excessos de consumo destes bens, certo? Pensar que ações ambientalmente corretas são atitudes meramente voluntárias está com os dias contados com os primeiros indícios de um mercado de carbono para cidadãos.

Dois países vizinhos, Reino Unido e Irlanda, lançam propostas para dividir a responsabilidade pela redução de gases do efeito estufa (GEE) com seus habitantes. O Reino Unido inicia nesta semana um sistema experimental no estilo ‘cap-and-trade’ (captura e comércio) para pessoas físicas, já a Fundação para Sustentabilidade Econômica (Foundation for the Economics of Sustainability - Feasta) sediada em Dublin, na Irlanda, propõe um sistema de comércio de carbono que limitaria o consumo de combustíveis fósseis, o ‘cap-and-share’ (captura e compartilhamento).

Veja aqui, na matéria do Carbono Brasil a iniciativa dos dois Países.

9 de junho de 2008

Mudança climática: estudo da KPMG identifica quatro riscos às empresas...

Estudo da KPMG International, intitulado Climate Changes Your Business, identificou quatro riscos às empresas relacionados à mudança climática: normativo, reputacional, físico e de litígios. Concluiu-se também que tais riscos devem pesar cada vez mais no futuro. Eles se materializam, independentemente dos índices atuais de alterações no clima.

A pesquisa é baseada em análise autorizada de 50 estudos publicados que abordam os riscos comerciais e os impactos econômicos no geral da mudança climática em âmbito setorial. Dos quatro riscos apurados, o mais citado (presente em 72% dos relatórios) foi o relacionado à legislação.

Empresas e setores que falham em se adequar a um ambiente empresarial mutante criado por novas leis e normas enfrentam desvantagens competitivas, ao mesmo tempo em que incertezas regulatórias dificultam o planejamento das empresas. Já o risco físico foi abordado por metade dos estudos analisados. Entretanto, a maioria deles se refere exclusivamente a impactos diretos em eventos relacionados ao clima. O potencial indireto e os riscos de longo prazo são menos discutidos. Continue lendo.

Fonte: Administradores.com.br

Mudando os hábitos de consumo...

Compilo aqui algumas dicas para mudar nossos hábitos de consumo visando minimizar nossa influência quanto às mudanças climáticas.

A primeira dica é o sítio do IDEC (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor). Neste especial diversas informações sobre vários aspectos do impacto ambiental nos dias de hoje, como por exemplo o que você pode fazer no dia a dia para combater o desmatamento, para economizar energia, para minimizar as emissões provocadas pelo transporte, e para reduzir a produção de lixo.

O IDEC propões uma mudança radical. Existe um princípio no direito internacional que se aplica à questão das mudanças climáticas não apenas entre países, mas também para definir qual deve ser a divisão de trabalho entre governo, empresas e consumidores: responsabilidades comuns, mas diferenciadas. Queremos dizer que os consumidores têm papel fundamental, mas dependem de alternativas que devem ser estimuladas por políticas públicas conduzidas pelo governo e implementadas pelas empresas, que devem ofertar produtos e serviços “sustentáveis”, ou seja, com menor impacto social e ambiental negativo.

De qualquer maneira, é importante ressaltar que os hábitos do consumidor são uma parte do problema (e da solução). É preciso que governos e indústrias - os quais o consumidor pode, evidentemente, pressionar - contribuam para uma mudança radical nos padrões de produção e consumo.

As pessoas no mundo desenvolvido, como em alguns países e cidades em desenvolvimento – de Manchester e Manhatan a Moscou e Mumbai – podem desde já começar a “deixar o hábito”, segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).

Algumas medidas simples podem reduzir à metade as emissões diárias de CO2 de um indivíduo, com a possibilidade de cortes ainda maiores se alguns setores, como os fornecedores de energia, automobilíticos, aviação e fábricas de eletrodomésticos, contribuírem mais para um estilo de vida global mais ecológico.

Pesquisas demonstram que, por exemplo, se cada passageiro de uma empresa aérea reduzisse para menos de 20kg o peso dos bens e pertences carregados e comprassem aquilo que necessitasse ao chegar, no “duty-free” do saguão de chegada, poder-se-ia reduzir anualmente aproximadamente dois milhões de toneladas das emissões de dióxido de carbono. Leia aqui mais sobre pequenas escolhas para reduzir nosso impacto.

A campanha da ONU intitulada "Deixe o vício do CO2" sugere, entre outras atitudes, que o consumidor coma menos carne de boi e mais verduras, não use escova elétrica para escovar os dentes e desligue seu computador quando não o estiver usando.

O foco da campanha são os consumidores que andam a pé, que não precisam fazer "grandes mudanças, ou grandes sacrifícios", para reduzir pela metade sua cota individual de emissões de gases nocivos ao ambiente, de acordo com o Pnuma, que escolheu a Costa Rica para lançar a iniciativa. Leia mais aqui.

No Folha Online li que o IEA pede "revolução tecnológica" contra emissões de CO2. Segundo a agência, o mundo deve destinar 1% de seus recursos anuais para reduzir à metade as emissões de gases que provocam o efeito estufa até 2050, anunciou a IEA (Agência Internacional de Energia, na sigla em inglês), que pediu "uma revolução tecnológica" para combater o aquecimento global.

Caso não sejam adotadas medidas, as emissões de CO2, um dos principais gases que provocam o efeito estufa, aumentarão 130% até meados do século e a demanda de petróleo subirá 70%, revelou a IEA em um relatório divulgado em Tóquio.

Para reduzir à metade as emissões de CO2, o mundo deveria gastar 45 bilhões de dólares adicionais para desenvolver tecnologias energéticas limpas, ou seja, 1% do PIB (Produto Interno Bruto) médio do planeta, calculou a IEA. "Não há dúvida alguma de que alcançar o objetivo de 50% de redução de emissões constitui um desafio formidável", declarou o diretor executivo da agência, Nobuo Tanaka.

Saiba mais:

4 de junho de 2008

Negociações de carbono...

Diversas novidades no mercado de carbono. A primeira é que o governo decidiu adotar fator único de emissão de CO2 para projetos de MDL. A Comissão Interministerial de Mudança Global do Clima (CIMGC) decidiu adotar um fator único de emissão nacional de dióxido de carbono (CO2) para ser adotado pelos projetos de energia renovável do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) e pretende aprovar uma resolução com os novos valores em breve.

O anúncio da escolha, decidida na última reunião da Comissão no dia 29 de abril, foi festejado pelos desenvolvedores de projetos, que temiam inviabilidade de alguns projetos se mantida a idéia de fatores diferenciados para quatro sub-regiões do país. “Foi uma notícia muito boa, pois todos estávamos torcendo para que fosse um único fator”, afirma o diretor comercial da consultoria Mundus Carbo, Felipe Bittencourt. Clique aqui para acessar a carta da CIMGC e aqui para ver a notícia completa.

Uma das últimas tarefas da ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, foi a de acompanhar a iniciativa que coloca à disposição das empresas brasileiras uma metodologia internacional que vai permitir realizar inventários de gases de efeito estufa, a fim de controlar sua emissão. Segundo ela, é uma contribuição e um esforço voluntário de cada empresa no sentido de colaborar para a diminuição das emissões de gases de efeito estufa.

A iniciativa é do GVces - Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas, em parceria com o Ministério do Meio Ambiente, o WRI - World Resources Institute, o WBCSD - World Business Council for Sustainable Development e o CEBDS - Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável: adotar a metodologia mais utilizada por corporações internacionais para saber como andam as emissões de gases de efeito estufa nas empresas brasileiras. Aqui você lê a notícia completa.

Todas essas iniciativas visam normatizar o mercado de carbono deixando aberto espaço também para o mercado voluntário que tem recebido impulso cada vez maior por empresas e cidadãos que desejam neutralizar suas pegadas de carbono. Em 2007, o mercado voluntário mais do que triplicou, saltando de 97 milhões para 331 milhões de dólares. Acusações sobre a baixa qualidade dos créditos perseguem o mercado voluntário. As críticas, no entanto, não diminuem o interesse de pessoas e corporações em minimizar os impactos que causam no clima global e melhorar sua imagem pública. Nesta matéria são condensados os volumes de compensações negociadas.

Apesar das tentativas de regular o mercado, as negociações de carbono através do MDL estão sofrendo duras críticas. Os pesquisadores entendem que o resultado é gasto de dinheiro sem a obtenção de cortes reais de emissão – o que subverte as garantias dadas pelos governos de que o mercado de carbono está reduzindo drasticamente os gases do efeito estufa. Leia mais aqui.

1 de junho de 2008

Ambientalista diz que com esse sistema econômico o mundo está a caminho do abismo...

Apesar das novas tendências do mercado e do nosso dever de utilizá-las em prol do desenvolvimento sustentável, fortes críticas devem ser jogadas a todo mercado consumidor que não trabalha com responsabilidade social e ambiental.

Podem acrescentar o "ismo" que vocês quiserem. Na Venezuela dizem que é o socialismo do século 21. No Paraguai há tons de "cristianismo comunitário". Idéias díspares que pipocam aqui e ali, a busca de uma saída, a constatação de que do jeito que está não dá. É óbvio que reproduzir o sistema econômico existente - em que a "liberdade individual" foi promovida com o objetivo de tornar uma criança de seis anos uma consumidora integral - não tem futuro. Nem o sistema, nem a criança. Aliás, no Brasil o cãozinho de estimação é um consumidor voraz e mesmo que ele não peça o dono às vezes gasta mais com ele do que com a "criadagem".

É só extrapolar o que vivemos hoje nas grandes cidades brasileiras para o mundo como um todo. É só pensar no "direito" de cada chinês e indiano a ter um automóvel cada. É só casar esse objetivo com a escassez de energia. É só constatar do que é capaz o capitalismo desvairado: o Reino Unido exporta 20 toneladas de água engarrafada por ano para a Austrália e importa outras 20 toneladas. Fonte: New York Times. Quanto custa em termos de energia essa viagem maluca da água "comoditizada", como diz a Amyra?

Gus Speth, um ambientalista americano que é professor de Yale e criou dois grupos importantes de defesa do meio ambiente - o Natural Resources Defense Council e o World Resources Institute - escreveu o livro "The Bridge at the Edge of the World" em que basicamente diz que não tem jeito.

Ele escreve: "Metade das florestas tropicais e temperadas sumiram. Cerca de metade das wetlands também. Estima-se que 90% dos peixes predadores grandes sumiram. Vinte por cento dos corais também. As espécies estão desaparecendo em um ritmo mil vezes mais rápido que o normal. Químicos tóxicos persistentes podem ser encontrados às dúzias em cada um de nós."

Não li o livro, ainda. As resenhas dizem que ele propõe uma "mudança transformadora do próprio sistema." Speth afirma que o pragmatismo e o incrementalismo dos ecologistas não leva a lugar algum. Talvez ele tenha visto uma edição recente da National Geographic. Na capa, o perigo do aquecimento solar. Na contracapa, um anúncio do gigante SUV da Chevrolet que foi escolhido "carro verde do ano", uma banheira que queima 1 litro de gasolina a cada cinco quilômetros na cidade mas, se o dono achar uma bomba, pode ser abastecido com o álcool de milho.

O triste é notar que no Brasil, da extrema-direita à extrema-esquerda, com raríssimas exceções, essas idéias não fazem parte do discurso político. Não são articuladas. O desenvolvimentismo com dinheiro do BNDES é o que temos de mais avançado. É nossa idéia de "progresso". Progresso rumo a quê?

Por Luiz Carlos Azenha

Fonte: Vi o Mundo

29 de maio de 2008

Fundo Amazônico...

Nem bem terminei de definir o tema do artigo para minha pós em engenharia ambiental, eis que surge o assunto do "avoided deflorestation" no BNDES. Ainda não é um mecanismo de flexibilização, mas estamos no caminho. Mr. Fearnside agradece.

A semana que vem promete. Além dos números sobre o desmatamento, sai o decreto de criação do Fundo Amazônico, que será gerido pelo BNDES e receberá dinheiro de doações para ser distribuído para atividades que ajudem a conter o desmatamento da região.

No dia 5, o conselho do Fundo Amazônico e sua regulamentação também serão revelados ao distinto público. O conselho, em outros tempos, seria chamado de saco de gatos. Vai ter de fazendeiro a ambientalista, de índio a empresário e de acadêmicos a técnicos do governo. É uma salada que pode dar certo.

Em 2 meses, o fundo estará apto a receber dinheiro. O primeiro a entrar virá do bolso do governo norueguês. Serão 500 milhões de dólares ao longo de cinco anos. Os recursos são de uma reserva para aplicação em meio ambiente constituído pelo governo da Noruega com uma taxação sobre a exploração de petróleo no Mar do Norte. O governo brasileiro bem podia copiar a idéia.

O fundo não irá enriquecer ninguém, a não ser a si próprio. A partir de uma média de desmatamento nos últimos dez anos, ele terá condições de captar doações toda a vez que a taxa anual de derrubada na Amazônia ficar abaixo desse número. Vai funcionar mais ou menos assim: a cada tonelada de carbono não emitida por conta da redução do desmatamento, o Brasil terá direito de captar junto a doadores 5 dólares.

Fonte: O Eco