25 de dezembro de 2008

Mudança climática: Outro ano de fenômenos extremos...

As temperaturas registradas este ano foram, em média, as mais altas desde 1850, quando os cientistas começaram a registrá-las, afirmou a Organização Meteorológica Mundial (OMM) em seu último estudo sobre a mudança climática. A ocorrência de fenômenos meteorológicos extremos, como inundações devastadoras, secas severas e persistentes, tempestades de neve e ondas de calor, se registrou em vários países, segundo esta agência da Organização das Nações Unidas.

O estudo da OMM mostra que este ano a temperatura média da terra e do mar foi 0,31 grau superior às registradas entre 1961 e 1990. A informação anterior a 2008 se baseia em dados obtidos por estações meteorológicas em terra, navios, bóias e também via satélite. “Em 2008, voltaram a ser registradas temperaturas superiores à média na Europa”, disse Carine Richard-Van Maele, da OMM. “Uma vasta zona geográfica, incluindo Sibéria e partes da Escandinávia, teve um inverno notoriamente mais suave”.

Na maior parte da Europa, janeiro e fevereiro foram “muito suaves’, com temperaturas média sete graus maiores do que na Escandinávia. De fato, para os moradores dessa região foi o inverno mais temperado em mais de cem anos. Mas, o inverno passado teve um frio incomum na maior parte da Eurásia. Em algumas regiões da Turquia, na mesma temporada foram registradas as temperaturas mais baixas em quase 50 anos. “Este inverno extremamente frio fez centenas de vítimas no Afeganistão e na China”, afirmou Maele.

Os dados mostram que fevereiro também foi um mês muito frio nos Estados Unidos. A região centro-ocidental do país, por exemplo, registrou temperaturas médias entre quatro e cinco graus abaixo do normal em algumas áreas. Quanto às mudanças abruptas das condições climáticas, os pesquisadores da OMM disseram que algumas zonas da América Central foram atingidas no meio do verão por uma onda de frio com temperaturas abaixo dos seis graus.

Por outro lado, em julho, em algumas zonas da América do Sul houve uma onda de calor com temperaturas 3% acima da média, no que foi o mês de inverno mais quente dos últimos 50 anos. O mesmo ocorreu no sul da Austrália, onde houve uma onda de calor sem precedentes com altas temperaturas. Adelaide teve o verão mais longo e quente de sua história. As variações dos padrões climáticos causaram as secas e inundações mais prolongadas e as tempestades mais devastadoras em muitas partes do mundo, segundo os especialistas da OMM.

O sul da província canadense de Colúmbia Britânica, por exemplo, sofreu seu quinto período mais seco em meio século. Na Europa, Espanha e Portugal foi registrado o inverno mais seco em décadas. Na América do Sul, uma grande parte de Argentina, Paraguai e Uruguai sofreram situação semelhante. O estudo também se estende às conseqüências devastadoras de inundações e ciclones em numerosos países. Bangladesh, Índia, Paquistão e Vietnã foram consideradas as nações mais prejudicadas e onde dezenas de milhares de pessoas perderam suas casas e mais de 10 milhões tiveram de ser reassentadas.

Os pesquisadores da OMM disseram que a camada de ozônio aumentou este ano sobre a Antártida em relação a 2007. Além disso, o gelo do mar Ártico atingiu seu segundo nível mais baixo desde que começaram as medições via satélite em 1979. Tendo em conta as mudanças dramáticas das condições climáticas e seu impacto no meio ambiente e na economia mundiais, a ONU divulgou na terça-feira novas pautas para ajudar os países a coletarem informação importante que permitirão enfrentar os desastres naturais.

“Para evitar que os desastres naturais sejam responsabilidade da atividade humana, precisamos de sistemas efetivos para identificar necessidades, gerir dados e ajudar a reduzir as respostas calibradas”, disse John Holmes, subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários. Esses sistemas podem ser proveitosos para a coordenação da distribuição de suprimentos em tempo e forma, diz Holmes na introdução do informe “Dados contra desastres naturais”, apresentado na terça-feira.

“A eficiência da resposta é especialmente importante porque, como agora fica claro, a vulnerabilidade diante dos desastres naturais e a ineficiência na distribuição da ajuda causa perdas econômicas desnecessárias, maior sofrimento e aprofunda a pobreza”, afirma. Baseando-se em estudos de caso como o tsunami do oceano Índico que em 2004 atingiu Indonésia e Sri Lanka, os últimos furacões na Guatemala, Moçambique e Haiti e o terremoto de 2005 no Paquistão, o livro destaca a necessidade de criar sistemas de gestão de informação para conseguir uma resposta efetiva aos desastres. “Deve-se reunir dados básicos antecipadamente como parte da preparação para responder aos desastres. As operações de busca e resgate, evacuações e os cuidados com as vítimas de tramas devem estar coordenadas”, acrescenta o livro.

Fonte: Envolverde.

28 de novembro de 2008

Sintetizando...

"Não acuse a natureza, ela faz a parte que lhe cabia. Agora, faça a sua."

John Milton

George Carlin - Save the planet...

O comediante e critico George Carlin fala sobre "salvar o planeta" e como estamos enganados.

26 de novembro de 2008

Amazônia deixará de existir se desmate chegar a 50%...

Terra Indígena Rio Branco (RO). Foto: Jeison T. Alflen
Modelo pioneiro do Inpe que relaciona clima e vegetação indica que savana empobrecida se instala no lugar da floresta. Segundo pesquisador, corte adicional de 30% na área da floresta empurraria a vegetação a novo estado, no qual a mata não voltaria

A floresta amazônica deixará de existir se mais 30% dela forem destruídos. A afirmação foi feita ontem em Manaus, durante a conferência científica Amazônia em Perspectiva.

“O número agora está consolidado. Se 50% de toda a Amazônia for desmatada, um novo estado de equilíbrio vai existir no bioma”, afirma Gilvan Sampaio, do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). Hoje aproximadamente 20% de toda a floresta amazônica, que tem mais de 8 milhões de quilômetros quadrados, já sumiram “No Brasil, esse número está ao redor de 17%.” Por Eduardo Geraque, da Folha de S.Paulo, 21/11/2008.

E pode chegar aos 50% até o meio do século. Um estudo de 2006 da Universidade Federal de Minas Gerais prevê que, se o ritmo do corte raso continuar, quase metade da floresta que sobra hoje tombará até 2050.

O novo modelo desenvolvido pelo pesquisador não considera mais a vegetação como algo estático, como ocorria nos estudos apresentados anteriormente. “Desta vez, existe uma espécie de conversa entre o clima e a vegetação”, afirma Sampaio, que havia publicado uma versão anterior de seus modelos no ano passado.

De acordo com o estudo, que analisa a situação da floresta num intervalo de 24 anos, a região leste da Amazônia ainda é a mais sensível. Como o clima depende da vegetação, e vice-versa, a ausência de árvores na parte oriental da Amazônia fará com que as chuvas diminuam até 40% naquela região.

“As pessoas têm a idéia de que a floresta cortada sempre se regenera, mas nesse novo estado de equilíbrio isso não deve mais ocorrer, pelo menos no leste da floresta.”

Terra Indígena Rio Branco (RO). Foto: Jeison T. Alflen

O estudo também mostra que a geografia do desmatamento pouco importa para que o ponto de não-retorno da floresta seja atingido. “A questão é quanto você tira e não de onde”. Se países como o Peru e a Venezuela, onde a situação da floresta é melhor hoje, começarem a desmatar muito, todo o bioma estará em perigo.

A conseqüência desse novo equilíbrio ecológico será bem mais impactante no lado leste. Sem chuva, a tendência é que toda a região vire uma savana pobre. “Não é possível falar em cerrado, porque ele é muito mais rico do que a capoeira que surgiria na Amazônia.”

O oeste amazônico, entretanto, onde estão o Amazonas e Roraima, continuariam a ter florestas, mesmo nessa nova realidade climática. “A umidade continuaria a ser trazida do Atlântico pelo vento”, diz.

O desafio brasileiro para impedir que a floresta entre em um novo estágio evolutivo parece até fácil de ser resolvido -no papel. Dos 5 milhões de hectares da Amazônia que estão dentro do país, 46% são protegidos por lei. Mas, na prática, a preservação dessas regiões não é integral.

Uma prova clara disso foi dada ontem também na conferência de Manaus. Dados apresentados por Alberto Setzer, também do Inpe, mostram que entre 2000 e 2007 os satélites registraram focos de incêndio em 92% das unidades de conservação da Amazônia. “Isso me deixa consternado”, diz Setzer.

Em Roraima e Tocantins, 100% das áreas de proteção ambiental tiveram incêndios. “Muitas dessas unidades de conservação não têm nem meios para combater o fogo”, afirma o pesquisador.

O sumiço de parte da floresta amazônica terá conseqüências imediatas para o Nordeste. “A tendência de desertificação vai aumentar bastante”, diz Sampaio. O grupo do Inpe ainda estuda as conseqüências da possível nova Amazônia para as demais regiões do Brasil.

Fonte: Ecodebate.

Soluções inovadoras virão de desconhecidos...

Co-fundador de empresas de consultoria na área de sustentabilidade, John Elkington afirma que a crise econômica é necessária para destruir alguns elementos da cultura global e que a mudança virá de pessoas vistas como loucas

Paula Scheidt do Portal do Meio Ambiente.

“Muitas das soluções que precisamos para o futuro não virão das grandes empresas, mas sim de pessoas sobre os quais vocês nunca ouviram falar”, afirma o inglês John Elkington, co-fundador da SustainAbility e diretor da Volans Venture, fundada neste ano com o objetivo de encontrar soluções empreendedoras para enfrentar os grandes desafios atuais, que segundo ele vão desde as mudanças climáticas e pobreza até o acesso a medicamentos. 

Autor de 17 livros, incluindo o Guia do Consumidor Verde que vendeu um milhão de cópias em 1988, Elkington é uma autoridade mundial em responsabilidade corporativa e desenvolvimento sustentável. O empresário diz que para os empreendedores inovadores, que estão na borda do sistema, será muito mais fácil aproveitar a desestruturação econômica desta crise, pois não estão focados na ‘antiga ordem’.

Elkington afirma que, há dois anos, já vem dizendo que a humanidade ruma em direção a uma descontinuidade econômica, não uma recessão. “Acho que isto está apenas começando”, exclama.

A curto prazo, o empresário e consultor explica que o resultado desta crise será devastador sobre o cidadão a e sustentabilidade. “Muitas empresas a usarão como desculpa para cortar gastos e enxugar áreas com especialistas”, garante, ressaltando já ter atravessado cinco recessões e ter visto as empresas fazerem exatamente isso em áreas como segurança, saúde e meio ambiente. “Esta é a má notícia”.

A boa notícia, diz, talvez venha daqui a três a cinco anos. “Devido à desestabilização do modelo econômico, causada porque os líderes empresariais e políticos não sabem o que está acontecendo nem o que fazer, a oportunidade de levar adiante mudanças radicais será muito maior”, comenta.

Segundo Elkington, os desafios atuais serão apenas enfrentados quando empresas, governos e os cidadãos se alinharem em torno de uma meta e cita os planos da Nissan para ter 60 modelos de veículos elétricos nas estradas em até três anos. “Eles já fazem isso porque vêem que o mercado para este tipo de veículo está crescendo, pois observam um aumento de interesse do governo japonês, principalmente no nível municipal”, conta.

O especialista prevê, além de falências absolutas, muitas fusões e incorporações, com uma grande transformação no cenário empresarial. “Esta também é uma oportunidade imensa para usar um exemplo da ecologia: muitas vezes precisamos de um incêndio numa floresta para limpar o espaço para que novas plantas possam crescer”, compara.

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13 de outubro de 2008

Desmatamento na Amazônia cai 27% nos meses mais críticos do ano...

Números do sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real (Deter), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), mostram que a média de desmatamento nos três meses mais secos do ano (junho, julho e agosto) vem caindo desde 2004, chegando ao menor valor agora em 2008 - 649 km2.

Nesses meses tradicionalmente ocorrem o maior volume de corte da floresta. A área desmatada no período chegou a ser de 5.858 km2 em 2004, início do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. E está sendo reduzida desde então: foi de 1.568 km2 em 2005; 1.187 km2 em 2006; 884 km2 em 2007 e 649 km2 em 2008.

"Este ano registramos a menor média em cinco anos para os meses mais críticos e uma redução de 27% sobre o ano anterior", destaca o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc. Ele acrescenta que os números mostram que seu governo está conseguindo manter a tendência de queda registrada na gestão da ministra Marina Silva. "Mas os números não são bons. Temos que reduzir ainda mais o desmatamento na Amazônia", diz Minc.

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9 de outubro de 2008

Sintetizando...

"No final, nossa sociedade será definida, não pelo que criamos, mas pelo que nos recusamos a destruir."

John C. Sawhill

Eco Power Conference 2008...

O Fórum Internacional de Energia Renovável e Sustentabilidade – Eco Power Conference 2008 - já conta com as inscrições abertas para sua 2ª edição que acontece entre os dias 19 e 21 de novembro, em Florianópolis/SC.

Entre outros pontos, o evento pretende oportunizar a atualização de conhecimentos bem como a troca de experiências multidisciplinares na área de energias renováveis e meio ambiente. Serão diversos painéis que abordarão temas como “Energias renováveis do mar”, “Energia Nuclear”, “Transversalidade do uso e desenvolvimento da Amazônia”, “Construções sustentáveis”, “Energia Eólica”, “Mudanças Climáticas”, “Oportunidades emergentes de integração sustentável da matriz energética da América Latina”, entre outros. Direcionada a empresários, políticos, investidores, entidades financeiras e ambientalistas, a Eco Power Conference 2008 - considerado um dos maiores centros de debates sobre o assunto - reunirá novamente grandes nomes nacionais e internacionais.

Para realizar inscrições ou obter mais informações, a organização do evento disponibilizou este site.

8 de outubro de 2008

Game...

Conheça o Formigator, um formigueiro virtual com navegação espacial que o usuário encontra dicas para reinventar caminhos e contribuir com a melhora do planeta. Dentro do formigator você encontrará o Formigame, a idéia é melhorar o formigueiro para gerações futuras.

Outro game é Carona. Onde você tem que colocar quatro formigas dentro do mesmo carro antes de abrir o sinal, para fazer isso basta clicar em dois carros próximos. Depois de um certo tempo ele informa quantos quilômetros você economizou colocando as formigas todas dentro do mesmo carro.

O game faz parte da nova campanha da Chevrolet visando ações ecologicamente corretas e de sustentabilidade.

Com informações do Jacaré Banguela e Uhull!

TV do Meio Ambiente...

Boa notícia aos amantes da natureza e educadores ambientais. Está chegando a TV do Meio Ambiente, canal de TV na internet destinado ao entretenimento e à difusão de informação e conhecimento. O novo site é interativo e utiliza linguagens de texto escrito, fotografia e vídeo.

Conheça a TV do Meio Ambiente: clique na imagem acima ou aqui.

Logo na página inicial, navegando pelas diferentes coleções temáticas, o internauta assiste aos vídeos que escolher. No site já estão sendo disponibilizados documentários, reportagens e filmes de animação que retratam o meio ambiente natural, rural, urbano e cultural brasileiros.

Para estimular a produção de vídeos pelo público e promover a discussão de temas ambientais foi criado o Espaço do Internauta. O visitante pode escrever comentários e publicar seus próprios vídeos, participando da Mostra do Internauta de Vídeo Ambiental, que premiará os vídeos mais votados pelos visitantes do site.

O espaço Notícias Ambientais trará, diariamente, as principais matérias jornalísticas sobre meio ambiente. Já a Exposição de Fotos apresenta o trabalho dos melhores fotógrafos brasileiros de natureza e temas relacionados ao meio ambiente. A exposição atual exibe 30 fotografias de Adriano Gambarini que retratam a biodiversidade e a cultura regional.

Mas não é só isso: reportagens exclusivas e inéditas, produzidas mensalmente pela equipe da TV do Meio Ambiente, estarão disponíveis aos espectadores do canal. A primeira Reportagem do Mês já está no ar: Montanhas do Rio mostra como essas formações naturais são aproveitadas em diferentes áreas, seja para a prática de escaladas radicais; como inspiração para o livro do fotógrafo Marco Terranova, que mostra a beleza do Rio sob ângulos inusitados; ou para pesquisa científica. A reportagem aborda também o projeto do Jardim Botânico que estuda orquídeas em extinção, encontradas somente nas encostas rochosas das montanhas da cidade. Outras matérias já estão em fase de produção, veja os detalhes na entrevista abaixo com o coordenador do projeto.

O novo canal de comunicação tem como missão a difusão da cultura ambiental. É direcionado a estudantes, professores, pesquisadores e a todos aqueles que buscam entretenimento e informação de qualidade. Venha participar na formação desse grande acervo que vai preservar a identidade ambiental e cultural do povo brasileiro. Divulgue seu vídeo.

A TV do Meio Ambiente é um projeto cultural, inscrito no Ministério da Cultura sob o Pronac nº 07-3605 e está apta a receber patrocínio para o projeto integral, reportagens especiais ou festival on-line de vídeos ambientais e também tem espaço promocional para inserção de banners.

Leia aqui uma entrevista com Ricardo Hanszmann, coordenador do projeto.

Fonte: Portal do Meio Ambiente.

Energia geotérmica é nova aposta para renováveis...

Aproveitar o calor do fundo da Terra para gerar energia é uma das mais novas apostas dos especialistas para produção de energia renovável no futuro. Técnicas avançadas permitem extrair o calor de rochas subterrâneas mesmo em locais onde não há atividade vulcânica. Pesquisas já estão sendo realizadas na Europa e, nos Estados Unidos, o número de projetos em desenvolvimento nessa área aumentou em 20% desde janeiro deste ano.

Em países onde há erupções vulcânicas, o uso dos gêiseres para movimentar geradores já é prática comum. Agora, cientistas desenvolvem mecanismos para trazer calor à superfície em qualquer lugar do planeta, imitando de forma artificial e controlada o funcionamento dos vulcões. Esse método é conhecido como Sistema de Engenharia Geotermal (EGS, sigla em inglês).

A idéia consiste em abrir buracos paralelos no solo, com alguns metros de distância entre eles, e continuar cavando até que se encontre rocha quente o suficiente (algo em torno de 200ºC). Em seguida, bombeia-se água fria em uma das aberturas para que saia pelo outro lado a uma temperatura elevada. A água superaquecida transforma-se em vapor, que pode ser utilizado para mover geradores e produzir energia elétrica.

A região de Soultz-sous-Forêt, a 50 quilômetros de Estrasburgo, na fronteira entre a França e a Alemanha, conta, desde junho, com uma central experimental para produzir 1,5 megawatt de energia. Os pesquisadores dos dois países têm utilizado o método para realizar experimentos na região da Alsácia. Eles fazem perfurações que chegam a 5 mil metros de profundidade e produzem gêiseres artificiais com capacidade de jorrar 100 litros por segundo. Ao chegar à superfície com uma temperatura de 163°C, a água injetada é suficiente para alimentar duas turbinas, cada uma com 25 megawatts.

Falta percepção

O pesquisador do Instituto Tecnológico de Massachusetts, Jefferson Tester, acredita que essa fonte de energia tem sido negligenciada porque é invisível. “Todos são capazes de sentir o vento ou o sol, mas poucos notam que o interior da Terra é quente, por isso ninguém pensa em escavar para buscar esse calor”.

Ele acredita que um investimento de cerca de 1 bilhão de dólares em projetos de demonstração nos próximos 15 anos poderiam mudar essa situação. “Isso forneceria informação suficiente para permitir que EGSs de 100 gigawatts fossem criados na América até 2050, a um preço comercialmente aceitável”, defende.

Os estudos realizados na Europa já indicam que as perspectivas são estimulantes. A tecnologia empregada permite escavar em profundidades cada vez maiores e com turbinas mais eficientes. Cálculos mostram que a 40 quilômetros de profundidade será possível aquecer água a 1.000°C.

Apesar disso, extrair energia do subterrâneo nem sempre foi tão fácil. Até a invenção do EGS, o campo era conhecido como “energia geotérmica de rocha seca quente”. Para extrair o calor de rochas impermeáveis como o granito, cuja a secura aumenta a capacidade de aquecimento, é preciso torná-las permeáveis – por isso a palavra “engenharia” foi incluída no novo nome do processo. Parte do bilhão de dólares proposto por Tester seria utilizado para descobrir como escavar esse tipo de rocha de maneira mais barata e eficiente.

Além do custo de exploração, outro problema para tornar a energia geotérmica viável é o possível risco de terremotos. Os micro-sismos revelaram-se os maiores empecilhos técnicos nas experiências realizadas na Alsácia. As pesquisas ainda precisam ser desenvolvidas a ponto de evitar que injeções de água em baixa temperatura não causem rachaduras na camada de rochas aquecidas.

* Com informações de The Economist.

Fonte: Carbono Brasil.

Energia literalmente limpa...

A empresa ScotishPower Renewables anunciou que a partir de 2011, deverá produzir energia elétrica gerada por correntes marítimas.

Após 4 anos de testes, a Tidal Turbine - algo como turbina da maré - funciona do mesmo modo que as turbinas de energia eólica, só que embaixo d’água e com pás um pouco menores. Colocadas no fundo do mar, as pás giram com o movimento das correntes e geram energia, além de não emitirem gases, ainda têm a vantagem de que correntes marítimas são previsíveis.

As primeiras turbinas serão instaladas na costa escocesa e irlandesa e irão gerar energia capaz de abastecer em torno de 40.000 casas.

Mais aqui.

Fonte: Update or Die.

7 de outubro de 2008

Quercus - Animais...

Criada pela McCann e com pós-produção da Seagulls Fly, a nova campanha da associação nacional de conservação da natureza Quercus mostra, de uma forma crítica, que continuamos acabando com o nosso planeta e os moradores dele à cada dia que passa. Confira abaixo o vídeo e a genialidade desta campanha.

Créditos para o Com Limão.

Site da NASA mostra mudanças climáticas...

O Jet Propulsion Laboratory da NASA disponibiliza, em seu site sobre as Mudanças Climáticas, uma série de interessantes animações sobre o degelo da calota polar, as emissões de CO2, o nível dos mares e as temperaturas médias anuais.

Por sua capacidade interativa e visual, estas animações constituem um eficaz recurso didático para analisar as evidências e efeitos das mudanças climáticas. Derretimento do gelo, nível dos mares, emissão de CO2 e mudanças climáticas são as variáveis analisadas e apontadas desde o início da Revolução Industrial até os dias atuais.

Para visualizar, clique na imagem acima ou aqui.

Vi no Sedentário & Hiperativo.

Líderes indígenas prevêem "um desastre" criado pelo comércio de carbono...

Cocar (aldeia Gavião em RO). Foto: Jeison T. Alflen.
Enquanto as nações ricas se preparam para aumentar a escala dos recursos destinados a esforços conservacionistas em países ricos em florestas mas com baixa renda, um grupo de líderes de florestas tropicais e de especialistas conservacionistas alerta para o fato de que os mais de um bilhão de habitantes carentes do planeta que dependem da floresta enfrentarão uma devastação econômica e cultural se os esforços para reduzir a emissão de gases de efeito estufa não conseguirem atender suas preocupações.

Reunidos pela Aliança Amazônica e o Programa Povos da Floresta, as lideranças florestais de cinco países amazônicos, bem como da República Democrática do Congo e da Indonésia, reuniram-se aqui durante o Congresso Mundial da Natureza, organizado pela IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza), para reivindicar um papel mais relevante na decisão dos termos do mecanismo de financiamento das mudanças climáticas que está sendo desenhado pelos países doadores. Os líderes disseram que este mecanismo – conhecido como Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação (REDD) – pode minar os direitos à terra que estão sendo reivindicados pelas comunidades de floresta em todo o mundo em desenvolvimento.

"Já estamos enfrentando uma pressão crescente por parte das mudanças climáticas, dos conservacionistas que nos querem impedir de utilizar nossas terras na floresta para fins econômicos e das empresas que detêm concessões governamentais para extrair minério, água e biocombustíveis das terras que são nossas há gerações", disse Tony James, da Guiana, Presidente da Associação dos Povos Ameríndios. "Cada vez mais se ouve falar a respeito do comércio de carbono, mas os povos indígenas não estão sendo incluídos nas discussões. Queremos saber: quem será o dono do carbono? Que impacto isto terá sobre nós?"

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Mercado de Carbono: críticas...

Vocês, leitores, sabem como o Progresso Verde é democrático. Faço questão de expor todos os pontos de vista acerca de um assunto. Ultimamente tem-se criticado muito o mercado de carbono, principalmente no que diz respeito aos reais benefícios diretos ao meio ambiente. Vejo isso com muito otimismo, principalmente porque o motivo (e, quem sabe, benefício direto da discussão) é a redução de desmatamento ou desmatamento evitado que não possui amparo na metodologia atual, dependendo, unicamente, do mercado voluntário.

Mesmo a criação de um fundo de compensação para redução do desmatamento é visto com pouco “otimismo” pelos países desenvolvidos, como se pode ler nessa reportagem. A definição da metodologia e mesmo a incorporação dos próprios projetos florestais no mercado de carbono foi difícil e, agora, iniciando as discussões para um tratado pós-Quioto, o tema deve ser levado à ampla discussão. Veja aqui, para se ter uma idéia, como o tempo para os projetos florestais no MDL está acabando.

Como defensor do tema de incorporação do desmatamento evitado no próximo tratado, e entendendo que esta é a única forma de colocar os países mais pobres e que mais sofrem com a pressão no planeta no rol dos beneficiários do mercado, coloco o ótimo texto de Sabrina Domingos sobre o assunto para reflexão.

Pesquisadores criticam o mercado de carbono

A falta de uma preocupação real com o meio ambiente é o principal argumento do físico Luiz Carlos Molion para criticar o mercado de carbono da forma como é conduzido atualmente. Oposicionista das teorias que defendem o aquecimento global causado pelo homem, Molion diz que o interesse das empresas e governos está em como entrar nesse mercado para ganhar dinheiro e não com a preservação do meio ambiente.

A opinião é compartilhada pelo pesquisador da fundação sueca Dag Hammarskjold e autor do livro Carbon Trading, Larry Lohmann, para quem o Protocolo de Quioto e o comércio de carbono nele previsto não trazem grandes alterações para o cenário mundial de emissões de gases do efeito estufa. “Trata-se um mecanismo de mercado, pouco prático e nada efetivo, que promove o comércio do direito de poluir. Acabou funcionando de maneira perversa ao drenar as atenções de soluções mais radicais e efetivas que agora se mostram urgentes”, defende.

Molion destaca que o lobby de grandes empresas geradoras de energia é prejudicial nesse contexto. Na Europa, os governos avaliam dados das emissões de carbono coletados entre 2002 e 2004; verificam o quanto as empresas locais poluíram nesse período e definem, por meio de cotas, o quanto elas poderão poluir daquele ponto em diante. O problema, ressalta o físico, é que muitas dessas empresas já melhoraram seus equipamentos ao longo desse tempo e estão poluindo menos do que o permitido – com isso, ganharão dinheiro vendendo suas cotas para as empresas altamente poluidoras que ultrapassam o limite estabelecido. “Por isso eu digo que não existe preocupação com o meio ambiente e com o futuro da humanidade. Isso se transformou atualmente em um comércio, uma nova bolsa, tanto que hoje existem firmas prontas para investir 1 trilhão de dólares em créditos de carbono com a intenção de vendê-los posteriormente”.

O que ocorre na Europa é exatamente o contrário do princípio “poluidor - pagador”, é o princípio “quem polui, ganha”, afirma Lohmann em entrevista concedida ao jornalista Rafael Evangelista para o site Com Ciência. O pesquisador argumenta que os grandes poluidores se beneficiam também comprando direitos de poluir mais, a partir de projetos em que investem no exterior e que, supostamente, economizariam carbono. É o caso de empresas que compram créditos gerados por projetos de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), como os que geram eletricidade a partir da queima de gases de um aterro sanitário. “Esses projetos oferecem, de bandeja, um turbilhão de direitos futuros de poluir para o conjunto já enorme de direitos à disposição das corporações do Norte”.

Em países como o Brasil, o desmatamento evitado das florestas tropicais tem sido apontado como uma alternativa na luta contra as mudanças climáticas. Molion afirma que a Floresta Amazônica é um seqüestrador ativo de carbono, absorvendo 2 toneladas de CO2 por hectare por ano. “Mas quando você olha o Protocolo de Quioto, as florestas nativas não são levadas em consideração, apenas as plantadas - exatamente para não permitir que países como o Brasil possam se utilizar disso”. Ele lembra que a maior parte das madeireiras que atuam na Amazônia são de fora do país e ressalta que esses empresários adotam um discurso contraditório. “Que hipocrisia é essa de dizer: você desmata, mas a madeira nós queremos aqui? É preciso acabar com essa hipocrisia”.

Saída

Lohmann considera que a única maneira de reverter a situação é promover uma regulação dura, que taxe e controle a indústria poluente, ao lado de reformas estruturais e investimentos fortes na redução do consumo de energia. “Os governos dos países industrializados precisarão transferir subsídios dos combustíveis fósseis para energia renovável; precisarão empreender investimentos públicos grandiosos em eficiência energética e transportes para fornecer a seus cidadãos mais opções sobre como utilizar energia; precisarão aplicar a regulação convencional e taxações de maneira mais radical”.

O tempo para se lidar com os problemas ambientais é uma questão que preocupa Molion. “Em 2045 teremos 9 bilhões de pessoas no planeta, que é finito e conta com recursos naturais finitos. A humanidade precisa viver mais alguns milhares de anos para que a tecnologia possa se desenvolver e nós possamos arranjar outras formas de gerar energia como, por exemplo, a fusão nuclear, ou desenvolver novos tipos de alimentos, ou até mesmo começar a explorar outros planetas”, avalia. “Tudo o que se puder fazer para economizar e utilizar melhor os recursos naturais existentes será muito bem-vindo. É importante olhar para o futuro e dar um tempo para a humanidade conseguir se desenvolver tecnologicamente. Mas nós realmente precisamos de tempo para isso”, conclui.

Fonte: Envolverde.

6 de outubro de 2008

Sintetizando...

"O pessimista se queixa do vento,
o otimista espera que ele mude
e o realista ajusta as velas"

W.G.Ward

Eco Cartoon...

A exposição "Eco Cartoon", que aconteceu até o dia 29 do último mês em um shopping de Brasília, mostra charges e cartoons de desenhistas de vários países alertando para os perigos do aquecimento global.

No primeiro Salão Internacional de Humor, onde está a exposição, estão à mostra 100 trabalhos de várias partes do Brasil e de outros países. Eles são julgados pelo público e por um júri especializado e recebem prêmios. O primeiro lugar mostra como o homem mata a natureza e a si mesmo e o segundo, o ser humano inconsciente, que corta as árvores.

Clicando aqui você assiste a reportagem do DFTV e abaixo coloquei algumas obras que tirei do vídeo. Curti muito a do ringue de boxe... e vocês, gostaram de qual?“

Genial!

Planeta Terra no vermelho...

Dia 23 de setembro foi o Earth Overshoot Day, que em 1955 se desencadeou quase dois meses mais tarde. As projeções das Nações Unidas: sem adoção de medidas, em 2050 encerraremos no dia primeiro de julho.

É o dia em que a renda anual à nossa disposição acaba e os seres humanos vivos continuam a sobreviver pedindo um empréstimo ao futuro, ou seja, retirando riqueza aos filhos e aos netos. A data foi calculada pelo Global Footprint Network, a associação que mensura a pegada ecológica, ou seja, o sinal que cada um de nós deixa sobre o planeta retirando aquilo de que necessita para viver e eliminando o que não lhe serve mais, os rejeitos.

O dia 23 de setembro não é uma data fixa. Por milênios o impacto da humanidade, em nível global, foi transcurável: era um número irrelevante no que se refere à ação produzida pelos eventos naturais que modelaram o planeta. Com o crescimento da população (o século vinte começou com 1,6 bilhões de seres humanos e concluiu com 6 bilhões de seres humanos) e com o crescimento do consumo (o energético aumentou 16 vezes durante o século passado) o quadro mudou em períodos que, do ponto de vista da história geológica, representam uma fração de segundo.

Em 1961 metade da Terra era suficiente para satisfazer as nossas necessidades. O primeiro ano em que a humanidade utilizou mais recursos do que os oferecidos pela biocapacidade do planeta foi 1986, mas, daquela vez o cartãozinho vermelho se ergueu no dia 31 de dezembro: o dano ainda era moderado. Em 1995 a fase do superconsumo já devorara mais de um mês de calendário: a partir de 21 de novembro a quantidade de madeira, fibras, animais e verduras devoradas ia além da capacidade dos ecossistemas de se regenerarem; a retirada começava a devorar o capital à disposição, num círculo vicioso que reduz os úteis à disposição e constringe a antecipar sempre mais o momento do débito.

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5 de outubro de 2008

Plano Nacional de Mudanças do Clima incorpora metas de redução do desmatamento...

O Plano Nacional de Mudanças do Clima, apresentado no dia 25 de setembro, em Brasília, faz com que o Brasil se comprometa pela primeira vez a possuir médias decrescentes de desmatamento em todos os biomas, mensuráveis a cada quatro anos, até atingir o chamado desmatamento ilegal zero.

"É um plano ousado, com metas voluntárias e setoriais que, juntas, representam a redução de centenas de milhões de toneladas de gás carbônico por ano, seja pela redução do desperdício, seja pelo aumento da eficiência energética, ou ainda pela redução progressiva do desmatamento ou aumento progressivo do plantio de florestas nativas e comerciais", destacou o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc.

O documento reúne as ações que o país pretende colocar em prática para combate às mudanças globais do clima e criar condições internas para o enfrentamento de suas conseqüências. É fruto do trabalho do Comitê Interministerial sobre Mudança do Clima (CI, de caráter permanente, formado por 16 ministérios e pelo Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, liderados pela Casa Civil). O plano também recebeu contribuição da Conferência Nacional do Meio Ambiente, que este ano debateu o tema Mudanças Climáticas.

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No último dia 02 foi o momento da Secretaria Executiva do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas (FBMC) reunir-se para avaliar a versão do plano. No encontro, mediado pelo secretário-executivo do FBMC e diretor da Coppe/UFRJ, Luiz Pinguelli Rosa, representantes da Casa Civil, do Ministério de Ciência e Tecnologia, da Petrobras e do Instituto Ecoar apresentaram sugestões para serem incorporadas ao documento, que ficará em consulta pública até 31 de outubro.

Mudanças nas regras dos leilões do setor elétrico, com o objetivo de estimular o uso de energias alternativas como a eólica; incentivo a projetos para serem convertidos em créditos de carbono pela modalidade MDL (Mecanismos de Desenvolvimento Limpo) Programático; reduzir para quatro anos o período para medir a redução do desmatamento e a criação de um programa de estímulo ao reflorestamento de terras degradadas foram as principais considerações debatidas. O Fórum também recebeu sugestões da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), do Greenpeace, e do Fórum Baiano de Mudanças Climáticas, que reforçou a importância dos Diálogos Setoriais. Essas e outras sugestões que surgirem nas próximas reuniões do FBMC serão encaminhadas ao governo. "Por ser extenso e ter caráter dinâmico, o Plano abre possibilidade para muitas discussões. EFBMCsse é o maior mérito deste trabalho", comentou Pinguelli.

Também foi discutida uma nova agenda de Diálogo Setorial do FBMC para o período de um mês, durante a consulta pública. Três reuniões já estão previstas, uma em São José dos Campos no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), na Bahia, convocada pelo Fórum Baiano de Mudanças Climáticas, e no Paraná, pelo Fórum Paranaense de Mudanças Climáticas.

Fonte: FBMC através do CarbonoBrasil.

Leia mais sobre o Plano Nacional sobre Mudança do Clima aqui e aqui.

Manual de Capacitação: Mudança Climática e Projetos de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo...

O Centro de Gestão de Estudos Estratégicos (CGEE), uma organização social supervisionada pelo ministério da Ciência e Tecnologia, disponibiliza um conjunto de estudos prospectivos sobre o Setor de C,T&I no Brasil. As áreas de ação ou temas são Estudos Temáticos e de Futuro, Avaliação Estratégica, Articulção e Coorperação e Divulgação e Difusão Científica.

Relacionado à este último tema, o CGEE lançou o Manual de Capacitação: Mudança Climática e Projetos de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, lançado na 60ª reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em julho de 2008. O Manual é o principal material de apoio para os cursos do Programa de Capacitação Sobre Mudança do Clima e Projetos de MDL, organizados pelo CGEE em parceria com a Confederação Nacional da Indústria (CNI). Os cursos têm a finalidade de habilitar empresários e responsáveis municipais e estaduais para adoção de medidas de redução de emissões e elaboração de projetos de MDL.

O estudo propõe verificar o potencial de empresas e instituições estaduais e municipais para oportunidades de negócios no mercado de carbono. Além da atualização do documento Oportunidades de projetos de MDL para setores produtivos, elaborado pelo CGEE em 2006, o estudo identifica instituições brasileiras aptas a atuarem como Entidades Operacionais Designadas.

Em sua conclusão, o trabalho destaca o esforço brasileiro na criação de um cenário propício para a implementação de projetos de MDL. Entre as recomendações sugeridas estão a difusão de informações sobre o potencial do mercado de carbono, bem como a agilidade na definição dos critérios para o segundo período de compromisso do Protocolo de Quioto, o que facilitará a execução de uma política nacional de mudanças climáticas no Brasil.

Para baixar o material, um dos mais completos lançados no Brasil nos últimos tempos, clique na imagem acima ou aqui. Para acessar outros estudos da organização você pode visitar a página junto ao Ministério da Ciência e Tecnologia ou o sítio oficial.

12 de agosto de 2008

Sintetizando...

"A natureza criou o tapete sem fim que recobre a superfície da terra. Dentro da pelagem desse tapete vivem todos os animais, respeitosamente. Nenhum o estraga, nenhum o rói, exceto o homem."

Monteiro Lobato

O planeta agradece: Eficiência Energética...

Uma casa ecológica é uma casa saudável que respeita o ambiente e tira maior partido do que a natureza dá.

Por exemplo, uma casa com orientação a sul permite um maior aproveitamento da energia e luminosidade do sol. A escolha do isolamento térmico adequado é igualmente determinante, evitando perdas de calor no Inverno e ganhos de calor no Verão.

Hábitos de consumo e eletrodomésticos pouco eficientes são principais vilões do desperdício de energia...

Apesar de representarem problemas de segurança e funcionamento, instalações inadequadas ocasionam um desperdício de energia bem menor, quando comparado ao que resulta dos hábitos de consumo e de alguns tipos de iluminação e eletrodomésticos de baixa eficiência. Para estimar a perda média de energia ocasionada por incorreções em instalações residenciais, o engenheiro eletricista Ricardo Santos d’Avila reuniu em sua pesquisa dados disponibilizados por outros estudos e associações de fabricantes com resultados obtidos em experimentos realizados nos laboratórios da Seção Técnica de Altas Correntes do Instituto de Eletrotécnica e Energia (IEE) da USP.

O cálculo foi feito considerando-se apartamentos de 50 até 100 metros quadrados que apresentassem inadequações em componentes das instalações (interruptores, plugues, tomadas, disjuntores e emendas) e na seção (calibre) do fio de cobre utilizado. A espessura do fio de cobre escolhido para uma instalação deve ser apropriada à corrente elétrica que vai passar por ele, como explica o engenheiro: “Fios de menor seção representam economia imediata, já que o cobre é um material caro, que vem sofrendo sucessivas altas de preço nos últimos anos. Apesar disso, fios muito finos usados para passagem de altas correntes ocasionam superaquecimento do material, o que pode trazer perda de energia e, principalmente, riscos à segurança”.

Veja a conclusão do estudo aqui.

Estrada verde terá pavimento que elimina poluentes emitidos pelos veículos...

Partindo de um material desenvolvido por pesquisadores japoneses, engenheiros holandeses estão criando a primeira "estrada verde", capaz de eliminar da atmosfera a poluição emitida pelos veículos que trafegam por ela.

Estrada verde

Uma pequena estrada na cidade de Hengelo, Holanda, será pavimentada com um concreto especial contendo um aditivo capaz de capturar as partículas de óxidos de nitrogênio emitidas pelos escapamentos dos carros e caminhões.

Mais conhecidos pela sigla NOx, os óxidos de nitrogênio estão entre os mais danosos gases poluentes emitidos na atmosfera, sendo os principais responsáveis pela chamada chuva ácida.

Concreto purificador de ar

O concreto purificador de ar recebe em sua formulação um aditivo à base de dióxido de titânio. Quando exposto à luz do Sol, o material reage com os óxidos de nitrogênio, transformando-os em nitratos, que são inofensivos ao meio ambiente. Basta uma chuva para que todo o pó inerte seja lavado e a estrada fique limpa de novo.

A estrada de Hengelo foi escolhida porque está sendo reconstruída e por causa da excelente qualidade do ar da região, que permitirá um acompanhamento preciso dos resultados obtidos com a pavimentação capaz de eliminar a poluição do ar. As obras deverão terminar até o final de 2008.

Fonte: Site Inovação Tecnológica através do Portal do Meio Ambiente.

UPDATE: Para mais informações, leia aqui a matéria original na página da University of Twente.

Cinco perguntas sobre inventário de emissões de gases de efeito estufa (GEE)...

Mônica Pinto / AmbienteBrasil

Quanto cada empresa, Estado ou Município está contribuindo para o aquecimento global, ao lançar na atmosfera gases causadores de efeito estufa (GEE)? Responder tecnicamente a essa pergunta é a proposta dos inventários de emissões, procedimento adotado hoje não só em algumas esferas do poder público – ainda que timidamente -, mas também por empresas que, na prática, contribuem para o meio ambiente e, em geral, conseguem reduzir seus custos operacionais.

AmbienteBrasil conversou sobre esse processo com Marcelo Theoto Rocha, pesquisador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (CEPEA) da Universidade de São Paulo (USP) e sócio da Fábrica Éthica Brasil - Consultoria em Sustentabilidade. Confira.

AmbienteBrasil - O que é um inventário de emissões?

Marcelo Theoto Rocha - É como se fosse uma fotografia da empresa, município, estado ou país sobre suas emissões de gases de efeito estufa (GEE). Ao "tirar a foto", escolhe-se o que irá aparecer, ou seja, quais as fontes de emissões que serão inventariadas, dentro do que chamamos limites organizacionais e operacionais. Escolhe-se também qual a "nitidez da fotografia", ou seja, como serão feitas as estimativas de emissões. Para tanto, deve-se seguir alguns princípios: transparência, completude, consistência, precisão e relevância.
Outra característica importante de um inventário de emissões é que ele é um processo contínuo, aonde as fotografias vão sendo tiradas ao longo dos anos, sempre buscando um aperfeiçoamento.

AmbienteBrasil - Quais as vantagens de uma empresa privada investir nesse levantamento?

Theoto - O inventário nada mais é do que uma ferramenta para a gestão das emissões de gases de efeito estufa, e como toda ferramenta deve ser utilizada dentro de uma estratégia corporativa de mudanças climáticas e sustentabilidade.
Ao realizar o inventário, a empresa tem a oportunidade de melhor conhecer o seus processos em termos de emissão e com isto identificar corretamente possibilidades de redução de emissão, algumas das quais poderão ser realizadas como atividades de projeto do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo do Protocolo de Quioto.

AmbienteBrasil - Na esfera pública, Estados e Municípios têm sido sensíveis a essa proposta?

Theoto - Sim, vários Estados e Municípios estão pensando em realizar seus inventários de emissões. Nestes casos, é importante salientar que a realização do inventário deve servir para um propósito específico. Ter os dados de emissões simplesmente para tê-los não faz sentido algum. É preciso ter claro para que os dados servirão (ex: estabelecimento de uma política pública sobre emissões de GEE) e usar a experiência de se realizar um inventário como uma experiência contínua de aprendizado.

AmbienteBrasil - Há algum organismo que certifique os inventários de emissões realizados, seja pela iniciativa privada, seja pelo poder público?

Theoto - Os inventários podem seguir diferentes metodologias e/ou protocolos. Os protocolos mais conhecidos e respeitados são o GHG Protocol e a norma ISO 14064. Já em termos de metodologias, as mais conhecidas e respeitadas são do IPCC.
Ao seguir estes protocolos e metodologias, os inventários podem ser avaliados por empresas privadas independentes ("certificadoras") que poderão então atestar se o inventário foi feito de acordo com os protocolos e metodologias escolhidos. Este processo de "certificação", trata-se por enquanto de uma iniciativa voluntária, ou seja, não existe nenhuma obrigação legal por parte de quem realiza seu inventário de buscar tal atestado.
Dependendo da finalidade do inventário - por exemplo servir de base para uma política de comunicação -, recomenda-se que seja feita a avaliação independente.

AmbienteBrasil - Em termos ambientais, quais os ganhos proporcionados pelos inventários de emissões?

Theoto - Ao inventariar suas emissões, a empresa irá melhor conhecer seus impactos e com isto melhor desenhar uma estratégia de redução e compensação. Outros ganhos ambientais também podem ocorrer, tais como redução do consumo de matérias- primas, eficientização energética etc.

Fonte: Ambiente Brasil.

ONU planeja novas regras no MDL para diminuir especulação financeira...

As Nações Unidas querem fechar o cerco contra especuladores que tentam ganhar dinheiro com projetos de redução de emissões de gases do efeito estufa que seriam lucrativos mesmo sem receberem créditos de carbono.

Uma proposta de novas regras contra esta especulação, divulgada ontem pelo Painel de Metodologias da ONU, sugere que futuros projetos mostrem que o corte de emissões são resultados diretos do projeto do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), demonstrando, por exemplo, que os empréstimos bancários foram realizados por causa das vendas de créditos.
O MDL foi criado pela ONU para promover os investimentos em projetos de mitigação de gases do efeito estufa (GEE) que não aconteceriam sem os recursos financeiros vindas das vendas dos créditos de carbono. Este quesito, juntamente com os benefícios para o desenvolvimento sustentável, deveria ser a principal exigência para receber a aprovação das Nações Unidas, o que é chamado de adicionalidade.

No entanto, as Nações Unidas têm recebido críticas constantes sobre a falta de adicionalidade em muitos projetos aprovados que seriam viáveis economicamente sem precisar receber créditos de carbono.

Tais críticas têm ameaçado impactar no preço dos créditos negociados no mercado de carbono do Protocolo de Quioto. Os oficiais políticos da União Européia inclusive já expressaram preocupações sobre a qualidade dos projetos.

Aterros Sanitários

“O foco primário deve ser explorar os tipos de atividades de projetos que são potencialmente muito lucrativos mesmo sem considerar os recursos adicionais do MDL”, disse o Painel em uma chamada pública para comentários. O documento está disponível na página http://cdm.unfccc.int/public_inputs/2008/cers_rev/index.html e comentários serão aceitos até o dia 3 de setembro.

A nova regra seria inicialmente aplicada para novas usinas de biomassa que utilizem lixo para gerar energia. Porém o Painel de Metodologias destaca que poderá estendê-la para outros projetos, dependendo dos setores e tecnologias empregadas.

Para comprovar as dificuldades de atrair investimentos sem o MDL, os desenvolvedores de projetos terão duas opções. A primeira é provar que a atividade é a primeira deste tipo na região ou país onde está sendo desenvolvido.

Outra possibilidade seria demonstrar que o MDL é a única saída para os responsáveis pelo projeto obterem recursos financeiros, pois não conseguiriam diminuir as barreiras que impedem a atração de investimentos.

A partir desta semana, desenvolvedores de projetos terão que informar ao ministro de meio ambiente local e à Convenção Quadro de Mudanças Climáticas da ONU (UNFCCC) o início de novos projetos de redução de emissões com seis meses de antecedência, em um passo que pode tornar mais difícil um forte enfoque do papel do MDL na decisão comercial do lançamento do projeto.

Este é mais uma decisão tomada pela UNFCCC para garantir a qualidade dos projetos. Recentemente, a instituição já havia tornado o processo de aprovação de projetos mais rígido, o que trouxe impactos negativos para algumas consultorias que gerenciam o desenvolvimento de projetos e fazem as negociações dos créditos.

Leia mais:

Fonte: Carbono Brasil.

Cidades e Soluções - Ecovilas...

Programa Cidades e Solução da Globonews especial sobre as ecovilas e suas diversas técnicas de construção. Veiculado em novembro de 2007. Para assistir, clique na imagem do vídeo abaixo que o conduzirá à página da Globo Vídeos e ao programa na íntegra.

Ecovilas...

Segundo Robert Gilman em “Ecovilas e Comunidades Sustentáveis”, ecovilas definem sustentabilidade, incorporando aspectos ambientais, sociais, econômicos e espirituais. Ecovila é uma comunidade de 50 a 2.000 pessoas, unidas por um propósito comum. Este propósito varia de local para local, mas usualmente é baseado numa visão ecológica, social e espiritual.

Um assentamento de proporções humanas, funcionalmente completo, onde as atividades do ser humano se integram inofensivamente ao mundo natural, de forma a ajudar o desenvolvimento saudável deste e poder perdurar por um futuro indefinido, fazendo com que, ao trabalhar com o simples princípio de não retirar da Terra mais do que devolvemos a ela, as ecovilas promovem, na prática, a possibilidade da existência sustentável das gerações futuras.

As necessidades e princípios de uma ecovila se fundamentam no planejamento ocupacional. Veja aqui uma síntese desses princípios. A tecnologia e engenharia, voltada para soluções sustentáveis, locais e integradas, tem um papel muito importante nas ecovilas, como pode ser visto na captação de água, no banheiro seco, nos ecotelhados ou em outras diversas técnicas. A integração com a natureza garante a continuidade da implantação.

Conheça aqui algumas experiências de ecovilas no Brasil ligadas a IPEMA - Instituto de Ecovilas e Permacultura da Mata Atlântica.

Ecovilas movem-se em direção à sustentabilidade, dando alta prioridade a:

  1. Produção local de alimentos orgânicos / biodinâmicos (influência do design da permacultura.)
  2. Utilização de sistemas de energias renováveis, cataventos, biodigestores, etc
  3. Construção ecológica, tijolos de solocimento, bambu etc
  4. Criação de esquemas de apoio social e familiar, incluindo diversidade cultural e celebrações, danças circulares, etc
  5. Experiência com novos processos de tomada de decisão, utilizando técnicas de democracia profunda e facilitação de conflitos
  6. Economia auto-sustentável, baseada nos conceitos de localização e simplicidade voluntária
  7. Saúde integrada
  8. Educação holística baseada na percepção sistêmica

Fonte: Vamos criar uma ecovila? e Wikipedia.

A Terceira Grande Transição - da era petrolífera para a biocivilização...

Vistos com uma ampla perspectiva, o encarecimento do petróleo e a recuperação dos preços dos alimentos se mostrarão positivos se nos ajudarem a nos libertarmos da dependência do petróleo e a melhorar a vida dos pequenos agricultores em lugar de beneficiar as multinacionais da alimentação. A análise é de Ignacy Sachs.

PARIS – A prolongada evolução conjunta do gênero humano e da biosfera foi marcada no passado por duas grandes transições. A primeira, ao passar da coleta e da caça para a agricultura e criação de animais, ocorreu muitos milhares de anos atrás. A segunda, a era dos abundantes e baratos combustíveis de origem fóssil (carvão, petróleo e gás) começou há poucos séculos. Agora estamos no umbral da terceira grande transição, que deixará para trás a era do petróleo e, esperamos, de toda a energia de origem fóssil. A transição levará décadas, mas, segundo muitos indícios, já começou, empurrada pela alta espetacular dos preços do petróleo e pela recuperação dos preços dos alimentos.

Quando analisarem os acontecimentos de nosso tempo, os futuros historiadores verão a era da “energia fóssil” como um breve, mas acidentado, interlúdio que provocou um grande aumento da população mundial. Agora somos 6,7 bilhões de habitantes, e estima-se que seremos 9 bilhões em meados deste século, com a maioria da humanidade vivendo em áreas urbanas. Mas, apresentam-se dois grandes e iminentes desafios: o de uma potencialmente catastrófica mudança climática e o dilema de uma abismal desigualdade social, de mãos dadas com um crônico e severo déficit de oportunidades para a obtenção de trabalho decente.

Para evitar o aquecimento do clima, devido às excessivas emissões de gases causadores do efeito estufa, devemos modificar drasticamente nossas pautas de uso da energia. Para conseguirmos isso são necessárias três coisas: redução do consumo de energia por meio de uma mudança nos padrões de consumo e de estilos de vida; melhoria da eficiência energética; substituição dos combustíveis fósseis pelas diferentes energias renováveis (solar, eólica, hidráulica, marinha e biomassa).

Ao mesmo tempo, devemos reabrir a discussão sobre um novo ciclo de desenvolvimento rural para evitar o beco sem saída da excessiva e prematura urbanização, como aponta Mike Davis em seu livro “Planeta de bairros marginalizados”. É fundamental criar oportunidades de trabalho decente para bilhões de pobres das áreas rurais.

Estes objetivos podem ser conciliados mediante a promoção de modernas biocivilizações que sejam baseadas na energia solar aproveitada através da fotossíntese e que explorem os múltiplos usos da biomassa (alimento para seres humanos, forragem para animais, fertilizantes orgânicos, bioenergias, materiais de construção, fibras, plástico e outros produtos de química orgânica elaborados por bio-refinarias, indústrias farmacêuticas e de cosméticos). Os biocombustíveis são apenas um segmento de um todo mais amplo. Todas as grandes civilizações da antiguidade foram “civilisations du vegetal” (Pierre Gourou). As civilizações que virão serão diferentes das antigas, já que a humanidade se encontra em um novo e superior ponto da espiral do conhecimento. Deste modo, as modernas biocivilizações não devem ser vistas de modo algum como uma regressão, mas como um salto para o futuro.

Para envolver os pequenos proprietários rurais na produção sustentável e no processamento de biomassa, deveremos recorrer a tecnologias que impliquem conhecimentos e trabalho intensivos e, ao mesmo tempo, economia de recursos. As soluções virão de sistemas integrados de produção de alimentos/energia agro-ecológicos adaptados aos diferentes biomas e realizados com os princípios da “revolução sempre verde”, segundo as palavras de M. S. Swarninathan, também conhecidos como os da revolução duplamente verde. Trata-se de um difícil desafio, já que se pretende transformar as ameaçadoras crises dos alimentos e da energia em uma oportunidade para avançar para civilizações mais justas e sustentáveis.

Vistos com uma ampla perspectiva, o encarecimento do petróleo e a recuperação dos preços dos alimentos se mostrarão positivos se nos ajudarem a nos libertarmos da dependência do petróleo e a melhorar a vida dos pequenos agricultores em lugar de beneficiar as multinacionais da alimentação. Naturalmente, neste momento são necessárias medidas urgentes para ajudar os pobres urbanos afetados pelo atual encarecimento dos alimentos. As apostas são altas, mas o resultado está longe de ser garantido. Os capitalistas de risco são rápidos para aproveitar as ocasiões para fazer dinheiro com as novas tecnologias para produzir energia que estão surgindo graças ao petróleo caro e para explorá-las sem transformação séria do tecido social e econômico.

O começo da terceira grande transição coincide com o esgotamento dos mais importantes modelos de desenvolvimento, que dominaram o cenário desde o fim da Segunda Guerra Mundial. O comunismo se desmoronou com a queda do Muro de Berlim. O reformado capitalismo do pós-guerra deu lugar ao neoliberalismo. Mas, para alguns observadores, a recente crise financeira anuncia o início do fim do neoliberalismo. Por sua vez, a social-democracia está presa na situação de “sim à economia de mercado, não à sociedade de mercado”. É por isso que, condenada a inventar novos modelos, a próxima geração se dirigirá a inexplorados e excitantes territórios.

Uma coisa é certa: a emergência de biocivilizações, quando ocorrer, mudará a geopolítica mundial, pois favorecerá os países tropicais, qualificados por Pierre Gourou como “Terras da boa esperança”. Tanto mais se esses países conseguirem ampliar a vantagem que lhes dá o clima natural por meio da pesquisa, uma apropriada organização de sua produção e um efetivo desenvolvimento da cooperação Sul-Sul.

Ignacy Sachs é professor honorário na Escola de Altos Estudos em Ciência Sociais de Paris e na Universidade de São Paulo. Seu último livro é La troisième rive — à la recherche de l’ècodéveloppement (Paris, 2008).

Fonte: Portal do Meio Ambiente.

10 de agosto de 2008

Paredes, pedras e sustentabilidade Inca...

Andei afastado do Progresso Verde durante esses últimos dias, o que deixou o blog sem atualizações. Estava viajando e agora me atualizo do que está rolando com relação ao tema do Progresso para “rotear” informações por aqui.

Durante o período, visitei nosso vizinho Peru, um País com uma potencialidade turística tão grande quanto o explendor do império Inca. Na região da atual província de Cusco (incluindo a própria cidade de Cusco e Machu Picchu), onde se centralizava o império, transparece um exemplo de integração com a natureza e seus recursos mostrada pelo povo pré-colombiano.

Terraços em Pisac, Peru. Foto: Jeison T.Alflen.Terraços em Machu Picchu, Peru. Foto: Jeison T.Alflen.

E não se resume somente nos famosos terraços, que, seguindo as curvas de nível, serviam para conservação do solo em atividades de agricultura e contenção de encostas, mas também pelo planejamento das suas cidades (que hoje seriam chamadas “sustentáveis”) e outras aplicações da engenharia em diversas construções onde nota-se a vocação de trabalhar em conjunto com o meio ambiente, como se observa nas fotos abaixo, onde as pedras trabalhadas interagem completamente com as pedras originais.

Ruínas em Pisac, Peru. Foto: Jeison T.Alflen.Ruínas em Machu Picchu, Peru. Foto: Jeison T.Alflen.
Ruínas em Oyataintambo, Peru. Foto: Jeison T.Alflen.

Mais do que isso, apresentavam forma de trabalho comunitária e usavam banheiro seco. As cidadelas possuíam sistemas de abastecimento de água, irrigação e saneamento. As paredes das casas tinham isolamento térmico. As cidades foram construídas para durarem uma eternidade e é essa a intenção que sugiro tragamos para o dia a dia juntamente com os princípios de planejamento, engenharia, integração e conhecimento presentes até hoje nas ruínas.

Para quem se interessar, fiz um pacote com fotos que tirei lá no Peru de paredes inca, como a da foto abaixo: a famosa pedra dos 12 ângulos de Cusco. Completam o arquivo imagens de paredes das ruínas de Qoricancha, Sacsayhuaman, Oyantaytambo, Pisac e, claro, Machu Picchu. Para fazer o download, clique aqui ou aqui.

Pedra dos 12 ângulos em Cusco, Peru. Foto: Jeison T.Alflen.

Desta forma, retorno às postagens habituais, informando que termino esta semana meu projeto de pesquisa em Avoided Deflorestation, o que gerará, sem dúvida, postagens sobre desmatamento evitado para geração de créditos de carbono.

Fuerza!

UPDATE: o SBT apresentou hoje (11/08) uma matéria muito boa sobre o Peru. Leia aqui e aqui mais sotre a engenharia Inca.

UPDATE 2: para quem quiser saber mais sobre a viagem ou deseja informações para seguir o mesmo trajeto, relatei minha jornada no fórum Mochileiros. Só clicar ai: Cusco via Acre - 100% terrestre (julho 2008).

15 de julho de 2008

Compensação por serviços ambientais é tema de seminário na Câmara...

Rio Madeira no Estado do Amazonas. Foto: Jeison T. Alflen.
A Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara, a Frente Parlamentar Ambientalista, a Fundação SOS Mata Atlântica e a organização Conservação Internacional no Brasil promoveu dia 10 seminário para discutir a compensação por serviços ambientais.

A compensação por serviços ambientais é o pagamento, com dinheiro ou outros meios, para aqueles que ajudam a conservar ou produzir esses serviços mediante a adoção de práticas, técnicas e sistemas que beneficiem a todos os envolvidos em determinada área geográfica.

A secretária-executiva do Ministério do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, deve participar da abertura das mesas de trabalho. O secretário de Extrativismo e Desenvolvimento Rural Sustentável, Egon Krakhecke, e o diretor do Serviço Florestal Brasileiro, Tasso Azevedo, devem participar do painel Pagamento sobre Serviços Ambientais no Brasil: Visão Governamental.

Fonte: Agência Brasil.