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7 de outubro de 2008

Mercado de Carbono: críticas...

Vocês, leitores, sabem como o Progresso Verde é democrático. Faço questão de expor todos os pontos de vista acerca de um assunto. Ultimamente tem-se criticado muito o mercado de carbono, principalmente no que diz respeito aos reais benefícios diretos ao meio ambiente. Vejo isso com muito otimismo, principalmente porque o motivo (e, quem sabe, benefício direto da discussão) é a redução de desmatamento ou desmatamento evitado que não possui amparo na metodologia atual, dependendo, unicamente, do mercado voluntário.

Mesmo a criação de um fundo de compensação para redução do desmatamento é visto com pouco “otimismo” pelos países desenvolvidos, como se pode ler nessa reportagem. A definição da metodologia e mesmo a incorporação dos próprios projetos florestais no mercado de carbono foi difícil e, agora, iniciando as discussões para um tratado pós-Quioto, o tema deve ser levado à ampla discussão. Veja aqui, para se ter uma idéia, como o tempo para os projetos florestais no MDL está acabando.

Como defensor do tema de incorporação do desmatamento evitado no próximo tratado, e entendendo que esta é a única forma de colocar os países mais pobres e que mais sofrem com a pressão no planeta no rol dos beneficiários do mercado, coloco o ótimo texto de Sabrina Domingos sobre o assunto para reflexão.

Pesquisadores criticam o mercado de carbono

A falta de uma preocupação real com o meio ambiente é o principal argumento do físico Luiz Carlos Molion para criticar o mercado de carbono da forma como é conduzido atualmente. Oposicionista das teorias que defendem o aquecimento global causado pelo homem, Molion diz que o interesse das empresas e governos está em como entrar nesse mercado para ganhar dinheiro e não com a preservação do meio ambiente.

A opinião é compartilhada pelo pesquisador da fundação sueca Dag Hammarskjold e autor do livro Carbon Trading, Larry Lohmann, para quem o Protocolo de Quioto e o comércio de carbono nele previsto não trazem grandes alterações para o cenário mundial de emissões de gases do efeito estufa. “Trata-se um mecanismo de mercado, pouco prático e nada efetivo, que promove o comércio do direito de poluir. Acabou funcionando de maneira perversa ao drenar as atenções de soluções mais radicais e efetivas que agora se mostram urgentes”, defende.

Molion destaca que o lobby de grandes empresas geradoras de energia é prejudicial nesse contexto. Na Europa, os governos avaliam dados das emissões de carbono coletados entre 2002 e 2004; verificam o quanto as empresas locais poluíram nesse período e definem, por meio de cotas, o quanto elas poderão poluir daquele ponto em diante. O problema, ressalta o físico, é que muitas dessas empresas já melhoraram seus equipamentos ao longo desse tempo e estão poluindo menos do que o permitido – com isso, ganharão dinheiro vendendo suas cotas para as empresas altamente poluidoras que ultrapassam o limite estabelecido. “Por isso eu digo que não existe preocupação com o meio ambiente e com o futuro da humanidade. Isso se transformou atualmente em um comércio, uma nova bolsa, tanto que hoje existem firmas prontas para investir 1 trilhão de dólares em créditos de carbono com a intenção de vendê-los posteriormente”.

O que ocorre na Europa é exatamente o contrário do princípio “poluidor - pagador”, é o princípio “quem polui, ganha”, afirma Lohmann em entrevista concedida ao jornalista Rafael Evangelista para o site Com Ciência. O pesquisador argumenta que os grandes poluidores se beneficiam também comprando direitos de poluir mais, a partir de projetos em que investem no exterior e que, supostamente, economizariam carbono. É o caso de empresas que compram créditos gerados por projetos de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), como os que geram eletricidade a partir da queima de gases de um aterro sanitário. “Esses projetos oferecem, de bandeja, um turbilhão de direitos futuros de poluir para o conjunto já enorme de direitos à disposição das corporações do Norte”.

Em países como o Brasil, o desmatamento evitado das florestas tropicais tem sido apontado como uma alternativa na luta contra as mudanças climáticas. Molion afirma que a Floresta Amazônica é um seqüestrador ativo de carbono, absorvendo 2 toneladas de CO2 por hectare por ano. “Mas quando você olha o Protocolo de Quioto, as florestas nativas não são levadas em consideração, apenas as plantadas - exatamente para não permitir que países como o Brasil possam se utilizar disso”. Ele lembra que a maior parte das madeireiras que atuam na Amazônia são de fora do país e ressalta que esses empresários adotam um discurso contraditório. “Que hipocrisia é essa de dizer: você desmata, mas a madeira nós queremos aqui? É preciso acabar com essa hipocrisia”.

Saída

Lohmann considera que a única maneira de reverter a situação é promover uma regulação dura, que taxe e controle a indústria poluente, ao lado de reformas estruturais e investimentos fortes na redução do consumo de energia. “Os governos dos países industrializados precisarão transferir subsídios dos combustíveis fósseis para energia renovável; precisarão empreender investimentos públicos grandiosos em eficiência energética e transportes para fornecer a seus cidadãos mais opções sobre como utilizar energia; precisarão aplicar a regulação convencional e taxações de maneira mais radical”.

O tempo para se lidar com os problemas ambientais é uma questão que preocupa Molion. “Em 2045 teremos 9 bilhões de pessoas no planeta, que é finito e conta com recursos naturais finitos. A humanidade precisa viver mais alguns milhares de anos para que a tecnologia possa se desenvolver e nós possamos arranjar outras formas de gerar energia como, por exemplo, a fusão nuclear, ou desenvolver novos tipos de alimentos, ou até mesmo começar a explorar outros planetas”, avalia. “Tudo o que se puder fazer para economizar e utilizar melhor os recursos naturais existentes será muito bem-vindo. É importante olhar para o futuro e dar um tempo para a humanidade conseguir se desenvolver tecnologicamente. Mas nós realmente precisamos de tempo para isso”, conclui.

Fonte: Envolverde.

5 de outubro de 2008

Plano Nacional de Mudanças do Clima incorpora metas de redução do desmatamento...

O Plano Nacional de Mudanças do Clima, apresentado no dia 25 de setembro, em Brasília, faz com que o Brasil se comprometa pela primeira vez a possuir médias decrescentes de desmatamento em todos os biomas, mensuráveis a cada quatro anos, até atingir o chamado desmatamento ilegal zero.

"É um plano ousado, com metas voluntárias e setoriais que, juntas, representam a redução de centenas de milhões de toneladas de gás carbônico por ano, seja pela redução do desperdício, seja pelo aumento da eficiência energética, ou ainda pela redução progressiva do desmatamento ou aumento progressivo do plantio de florestas nativas e comerciais", destacou o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc.

O documento reúne as ações que o país pretende colocar em prática para combate às mudanças globais do clima e criar condições internas para o enfrentamento de suas conseqüências. É fruto do trabalho do Comitê Interministerial sobre Mudança do Clima (CI, de caráter permanente, formado por 16 ministérios e pelo Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, liderados pela Casa Civil). O plano também recebeu contribuição da Conferência Nacional do Meio Ambiente, que este ano debateu o tema Mudanças Climáticas.

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No último dia 02 foi o momento da Secretaria Executiva do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas (FBMC) reunir-se para avaliar a versão do plano. No encontro, mediado pelo secretário-executivo do FBMC e diretor da Coppe/UFRJ, Luiz Pinguelli Rosa, representantes da Casa Civil, do Ministério de Ciência e Tecnologia, da Petrobras e do Instituto Ecoar apresentaram sugestões para serem incorporadas ao documento, que ficará em consulta pública até 31 de outubro.

Mudanças nas regras dos leilões do setor elétrico, com o objetivo de estimular o uso de energias alternativas como a eólica; incentivo a projetos para serem convertidos em créditos de carbono pela modalidade MDL (Mecanismos de Desenvolvimento Limpo) Programático; reduzir para quatro anos o período para medir a redução do desmatamento e a criação de um programa de estímulo ao reflorestamento de terras degradadas foram as principais considerações debatidas. O Fórum também recebeu sugestões da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), do Greenpeace, e do Fórum Baiano de Mudanças Climáticas, que reforçou a importância dos Diálogos Setoriais. Essas e outras sugestões que surgirem nas próximas reuniões do FBMC serão encaminhadas ao governo. "Por ser extenso e ter caráter dinâmico, o Plano abre possibilidade para muitas discussões. EFBMCsse é o maior mérito deste trabalho", comentou Pinguelli.

Também foi discutida uma nova agenda de Diálogo Setorial do FBMC para o período de um mês, durante a consulta pública. Três reuniões já estão previstas, uma em São José dos Campos no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), na Bahia, convocada pelo Fórum Baiano de Mudanças Climáticas, e no Paraná, pelo Fórum Paranaense de Mudanças Climáticas.

Fonte: FBMC através do CarbonoBrasil.

Leia mais sobre o Plano Nacional sobre Mudança do Clima aqui e aqui.

Manual de Capacitação: Mudança Climática e Projetos de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo...

O Centro de Gestão de Estudos Estratégicos (CGEE), uma organização social supervisionada pelo ministério da Ciência e Tecnologia, disponibiliza um conjunto de estudos prospectivos sobre o Setor de C,T&I no Brasil. As áreas de ação ou temas são Estudos Temáticos e de Futuro, Avaliação Estratégica, Articulção e Coorperação e Divulgação e Difusão Científica.

Relacionado à este último tema, o CGEE lançou o Manual de Capacitação: Mudança Climática e Projetos de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, lançado na 60ª reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em julho de 2008. O Manual é o principal material de apoio para os cursos do Programa de Capacitação Sobre Mudança do Clima e Projetos de MDL, organizados pelo CGEE em parceria com a Confederação Nacional da Indústria (CNI). Os cursos têm a finalidade de habilitar empresários e responsáveis municipais e estaduais para adoção de medidas de redução de emissões e elaboração de projetos de MDL.

O estudo propõe verificar o potencial de empresas e instituições estaduais e municipais para oportunidades de negócios no mercado de carbono. Além da atualização do documento Oportunidades de projetos de MDL para setores produtivos, elaborado pelo CGEE em 2006, o estudo identifica instituições brasileiras aptas a atuarem como Entidades Operacionais Designadas.

Em sua conclusão, o trabalho destaca o esforço brasileiro na criação de um cenário propício para a implementação de projetos de MDL. Entre as recomendações sugeridas estão a difusão de informações sobre o potencial do mercado de carbono, bem como a agilidade na definição dos critérios para o segundo período de compromisso do Protocolo de Quioto, o que facilitará a execução de uma política nacional de mudanças climáticas no Brasil.

Para baixar o material, um dos mais completos lançados no Brasil nos últimos tempos, clique na imagem acima ou aqui. Para acessar outros estudos da organização você pode visitar a página junto ao Ministério da Ciência e Tecnologia ou o sítio oficial.

8 de julho de 2008

RCEs são negociadas a preços recorde...

Custos da energia em alta e dúvidas sobre a oferta de créditos de carbono até 2012 empurraram para cima os preços nos mercados primário e secundário de Reduções Certificadas de Emissão (RCEs) ao longo do mês de junho e avançando em julho.

Em três de julho, as negociações secundárias de RCEs expedidas fecharam em 21,50 euros para os contratos de dezembro de 2008 na Bolsa Européia do Clima (ECX - European Climate Exchange), ganhando cerca de três euros ao longo do ultimo mês e alcançando nova alta. Um pico temporário de 22 euros aconteceu devido aos rumores de que a França assumiria sozinha a responsabilidade de conectar-se ao International Transaction Log (ITL) da ONU, um gesto muito esperado por todos os países da União Européia (UE) para facilitar a negociação completa das RCEs expedidas. Os novos níveis acima de 21 euros apareceram apesar da queda de 1,80 euros do mercado de permissões da UE (EUAs - European Union Allowances) para 27,45 euros, o que segundo reportagem da Reuters, os negociadores dizem ser devido a correções neste mercado.

Isto reduz o spread entre EUAs e RCEs em cerca de 7,50 ou 6,15 euros, apesar de ser incerto que as RCEs mantenham os preços atuais se as EUAs continuarem a serem negociadas em baixa. De qualquer maneira, o movimento nos contratos para dezembro de 2008 não contam toda a história sobre a tendência dos preços no mercado de RCEs.

Os preços aumentaram ainda mais nos contratos a longo prazo, que agora valem mais do que os contratos a curto prazo. As RCEs para dezembro de 2009 fecharam em 22,25 euros, para dezembro de 2010 em 22,92 euros; para dezembro de 2011 em 23,89 euros e para dezembro de 2012 em 24,93 euros, uma curva de preços mais convencional, como descreveriam analistas técnicos.

Continue lendo.

Fonte: Carbono Brasil.

Síntese da reunião do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas...

O Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas (FBMC) promoveu uma reunião, no dia 13/06/2008, no auditório do Solar da Imperatriz, na cidade do Rio de Janeiro. A reunião teve por objetivo avaliar os dados relativos ao aumento da taxa de desmatamento na Amazônia divulgados recentemente, além da discussão sobre a expansão da produção dos Biocombustíveis no Brasil e seus possíveis impactos.

Foram também apresentadas as ações desenvolvidas no âmbito dos Fóruns Estaduais de Mudanças Climáticas e debatido como se dará o processo construção do Plano Nacional Sobre Mudanças Climáticas (definido no Decreto Presidencial Nº. 6.263 de 21 de janeiro de 2007).

A reunião foi coordenada pelo Professor Luiz Pinguelli Rosa, Secretário Executivo do FBMC e contou com a presença do Ministro de Meio Ambiente, Carlos Minc. Também estiveram presentes representantes de Ministérios, Governos Estaduais, Fóruns Estaduais de Mudanças Climáticas, além de pesquisadores das universidades brasileiras, de empresas e organizações não-governamentais.

Leia aqui a matéria completa e as avaliações e contribuições sintetizadas.

Fonte: Portal do Meio Ambiente.

22 de junho de 2008

Florestas e aquecimento global...

Apresento para os amigos do Progresso Verde a Revista “Opiniões” abordando entre outros temas o setor de celulose e papel, cuja missão, conforme a própria publicação, é a de ser uma vitrine de opiniões, com esforço focado na estruturação e consolidação do pensamento do empresário do agronegócio brasileiro, preocupando-se em antever situações para dissolver seus aspectos nocivos ou aproveitar os benefícios de suas vantagens.

A edição de março-maio tem como tema “O Sistema Florestal Brasileiro e as Mudanças Climáticas Globais”, assunto que muito me interessa, tema de meu projeto de pesquisa e importantíssimo para o Brasil na problemática do aquecimento global. Todos os artigos são pertinentes e de primeira linha, escritos por profissionais de renome, inclusive, internacional. Muitos poderiam – e vão – virar posts aqui no PV, mas aproveito para indicar para leitura e reflexão alguns deles. Clicando na imagem acima ou aqui você lê a edição na íntegra. Boa leitura.

16 de junho de 2008

G8 apóia o lançamento de 20 projetos de CCS até 2020...

O grupo das oito maiores potências industriais, o G8, anunciou nesta semana que espera lançar 20 grandes projetos para enterrar os gases do efeito estufa (GEE) até 2010 e pretende usar largamente a tecnologia na década seguinte.

Segundo uma declaração escrita dos ministros de energia do G8, a captura e armazenamento de carbono (CCS, na sigla em inglês) tem um “papel crítico no combate das mudanças climáticas e desafios de segurança energética”.

“Nós apoiamos fortemente a recomendação de que 20 projetos de grande escala de CCS demonstrativos precisam ser lançados globalmente até 2010; tendo em vista um apoio ao desenvolvimento tecnológico e uma redução de custo para o início de um grande uso de CCS em 2020”, afirmaram os ministros do G8 no documento divulgado no último domingo.

A tecnologia seria uma saída para resolver o problema das usinas energéticas movidas a carvão, matéria-prima que responde hoje por 25% da demanda de energia primária e representa 40% da energia elétrica produzida no mundo. Somente na China, o carvão representa mais de 80% das reservas energéticas.

Continue lendo aqui diretamente no sítio do Carbono Brasil.

27 de maio de 2008

Estudo derruba ligação entre raios solares e aquecimento global...

Cientistas britânicos produziram novas e convincentes provas de que a mudança climática atual não é causada por mudanças na atividade solar.

A pesquisa contradiz a teoria favorita dos "céticos" do aquecimento global, segundo a qual raios cósmicos vindos para a Terra - e não as emissões de carbono - determinam a quantidade de nuvens no céu e a temperatura no planeta.

A idéia é que variações na atividade solar afetam a intensidade dos raios cósmicos, mas cientistas da Universidade de Lancaster descobriram que não houve nenhuma relação significativa entre as duas variáveis nos últimos 20 anos.

Esta é a mais recente prova a colocar sob intensa pressão a teoria dos raios cósmicos, desenvolvida pelo cientista dinamarquês Henrik Svensmark, do Centro Espacial Nacional da Dinamarca. As idéias defendidas por Svensmark formaram o principal argumento do documentário The Great Global Warming Swindle (A Grande Fraude do Aquecimento Global, em tradução livre), exibido pela televisão britânica, que intensificou os debates sobre as causas das mudanças climáticas atuais.

Leia aqui toda a matéria da BBC Brasil.

26 de março de 2008

Empresas superestimam captura de CO2, diz estudo...

Novos dados de campo contabilizados por uma equipe do IF (Instituto Florestal) de São Paulo lançam mais peso sobre a desequilibrada balança dos processos de neutralização de carbono.

O novo estudo diz que, para seqüestrar uma tonelada de carbono da atmosfera num prazo de 20 anos na mata atlântica, são necessárias 9,7 árvores em média - 137% mais que o que é comumente usado pelas empresas que já prestam esse serviço no Brasil.

"É fundamental olhar para o tipo de espécie utilizada [nesses plantios]", afirma à Folha o engenheiro florestal Antônio Carlos Galvão de Melo, da Floresta Estadual de Assis, no interior paulista. O projeto de pesquisa faz parte das atividades do Programa de Recuperação de Matas Ciliares da Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo e conta com a participação da Universidade Federal do Paraná.

Há três tipos de árvores que podem ser usadas na neutralização: as espécies de crescimento lento (como a peroba, a aroeira ou o pau-marfim), de crescimento médio (como a canafístula) e as de crescimento rápido, ou pioneiras (como o angico ou o peito-de-pombo).

Pelos cálculos de Melo, a diferença de absorção de carbono entre esses três grupos é muito grande. Essa divergência está na base da diversidade de valores vista hoje no mercado de neutralização de carbono: por falta de uma metodologia unificada, ela tende a ser ignorada pelas empresas que prestam esse tipo de serviço.

Dependendo da empresa que faz o projeto, o número de árvores para fixar uma tonelada de carbono varia de 1,6 (Brasil Flora) a 6,2 (conforme a conta da Iniciativa Verde).

Num hipotético plantio para neutralizar 100 toneladas de carbono em 20 anos, feito apenas com espécies rápidas, seriam necessárias 311 árvores pelas contas do IF, ou 3.450 plantas de crescimento médio.

No caso das lentas, o projeto de neutralização precisaria plantar e cuidar durante duas décadas de 9.700 mudas.

Outro problema é saber quanto uma árvore (seja qual for o seu tipo) efetivamente contém de carbono. "Os consultores dos projetos de neutralização costumam trabalhar com um teor de carbono equivalente a 50% da biomassa das árvores", explica Melo. O trabalho do IF agora detectou que essa quantidade, segundo um teor médio, é de 41%.

Medidas

Para chegar aos números finais de absorção de carbono, foram abatidas 120 árvores, com idades entre 5 e 36 anos e diâmetro do tronco entre 5 e 57 cm. Todos os espécimes foram retirados de áreas de reflorestamento heterogêneas, localizadas no médio vale do Paranapanema, em São Paulo.

Toda a biomassa e o carbono das folhas, dos ramos, dos troncos e também das quase sempre esquecidas raízes das plantas foram contabilizados.

O objetivo do grupo de pesquisa, com essa medição, é montar equações que vão permitir quantificar o carbono fixado em qualquer árvore utilizando apenas três variáveis: o diâmetro do tronco, a altura e também a idade da planta.

Base científica

A ONG SOS Mata Atlântica, que faz projetos de neutralização de carbono para terceiros, desde o ano passado também está preocupada com a metodologia de suas ações.

Por isso, depois de calcular a necessidade de 1,7 árvore por tonelada (relação usada nos primeiros trabalhos), a ONG hoje usa 3,3 árvores como base.

"Nós estamos nos baseando em estudos feitos pela Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz)", diz Adauto Basílio, diretor de Capacitação de Recursos da ONG.

A pesquisa, de acordo com Basílio, avaliou o comportamento de 50 espécies, metade de ritmo mais lento e metade de crescimento mais rápido. "Acaba sendo uma média, e nós trabalhamos com um intervalo de 20 anos", diz.

De acordo com Melo, do IF, os resultados obtidos no vale do Paranapanema permitem que seja possível estimar o ritmo de fixação de carbono e, a partir disso, qual será o prazo para que determinada meta de neutralização seja obtida.

"É muito estranho que um evento ou empreendimento que emitiu gases-estufa em poucos dias ou meses tenha como objetivo neutralizar as emissões em 20 anos só."

Eduardo Geraque

Fonte: Folha de S. Paulo

10 de março de 2008

Relatório sobre o Mercado de CERs - Carbon Positive...

Incertezas no mercado de RCEs sobre a demanda futura

Fevereiro foi um mês de recuperação no mercado secundário para Reduções Certificadas de Emissões (RCEs) entregues. Os preços subiram quase 15% depois das baixas de janeiro causadas pelo tumulto no mercado financeiro global e do lançamento das propostas para a fase 3 do EU ETS pela comissão européia.

O contrato referência de RCE, para ser entregue em dezembro de 2008, fechou em €15,05 na bolsa de valores Nord Pool no dia 3 de março depois de tocar na marca de €16 na maior parte da semana anterior. O preço havia caído para €14 no final de janeiro. O desconto para um contrato equivalente de EUA de dezembro de 2008 variou no último mês e firmou entre €5,80 e €6,00 no fechamento do comércio no dia 3 de março.

No novato mercado de carbono futuro da Bolsa do Clima de Chicago (CCX), a última negociação de RCEs para dezembro de 2008 fechou em US$24 (€15,80) no dia 29 de fevereiro, emparelhado com os preços europeus naquele momento.

Se não existir um acordo global para suceder Quioto a partir de 2013 que pressione outros países desenvolvidos a terem metas de redução de emissões, a fase 3 do EU ETS não permitirá usar os créditos de carbono de Quioto para além da fase 2, apesar das metas estarem mais duras. A União Européia (UE) é a fonte primária da atual demanda de RCEs.

Este mês oferece mais oportunidades para compreender melhor a demanda e preços de RCEs com a Bolsa de Valores de Carbono da Ásia colocando 2,4 milhões de RCEs secundárias para entrega através de leilões.

O lançamento da proposta da fase 3 da UE também está impactando no mercado primário de RCEs ainda não entregues de projetos em desenvolvimento. Os acordos de compra de redução de emissões (ERPAs na sigla em inglês) caíram lentamente, talvez €1 por RCEs, no decorrer do último mês ou dos vários estágios de desenvolvimento, dando uma menor incerteza da demanda na Europa para RCEs no pós-2012.

A taxa de novas ERPAs tem diminuído uma vez que os participantes do mercado continuam reexaminando o valor futuro que virá com as dúvidas de demanda da UE. Uma pesquisa de opinião sobre o mercado feita pela IDEAcarbon encontrou uma gota de confiança no mercado primário de RCEs, de um positivismo generalizado em janeiro para um negativismo generalizado em fevereiro.

Os relatórios sobre mercado de carbono são produzidos pela Carbon Positive News - www.carbonpositive.net.

Traduzido por Paula Scheidt, CarbonoBrasil.

28 de fevereiro de 2008

Mercado de carbono deve crescer 56% em 2008...

O comércio global de créditos de carbono deve aumentar 56% neste ano devido à rigidez imposta pela União Européia no principal programa de combate aos gases do efeito estufa, prevê a consultoria norueguesa Point Carbon.

Os analistas prevêm que sejam comercializadas 4,2 bilhões de toneladas de CO2 equivalente em 2008, enquanto que no último ano foram negociadas 2,7 bilhões de toneladas. Nos preços atuais, isto representaria cerca de 63 bilhões de euros (US$ 92 bilhões).

"Há diversas razões para esperarmos este crescimento. A mais importante, o estreitamento das cotas de emissão para a fase 2 do Esquema Europeu (EU ETS) deve aumentar o volume de comércio comparado com 2007, simplesmente porque mais atores irão demandar permissões. O pacote de energia e clima da União Européia proposto em 23 de janeiro fortaleceu este encolhimento", diz o gerente da equipe de Pesquisas de Mercado de Carbono da Point Carbon, Kjetil Roine.

O gerente de implementação de projetos da Ecosecurities, Pablo Fernandez, concorda com as previsões e diz que este crescimento está ligado também às boas perspectivas para os projetos do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), já que juntos, MDL e EU ETS, representam cerca de 95% do mercado global. "Isto explica um ano tão promissor e também porque o mercado vem crescendo em uma velocidade muito maior do que o esperado", diz.

Fernandez destaca que estas previsões não estão relacionadas necessariamente ao aumento nos preços e sim, principalmente, a uma maior liquidez do mercado, com as empresas européias tentando aproveitar as melhores oportunidades no EU ETS. "Além disso, há uma maior dificuldade de atingir as metas com a rigidez imposta", afirma.

A segunda fase do mercado europeu é baseada em dados consistentes dos emissores, explica a analista sênior da Point Carbon, Tiffany Potter, significando que mais usinas energéticas, fabricantes de concreto e outros atores precisarão comprar créditos para alcançar as metas mandatárias de emissões. Como o mercado se estreita, isto pode levar a maior especulação por parte dos banqueiros e fundos hedge, disse.

No ano passado, o volume de créditos negociados já havia registrado uma alta de 64% e, em valores, subindo 80%, passando de 22,5 bilhões de euros em 2006 para 40,4 bilhões de euros em 2007. "O mercado está se alterando de um estágio de recém-nascido para o de um novato", disse Potter por telefone à agência Reuters.

MDL

Os números da Point Carbon também mostram que os países em desenvolvimento continuam a entregar reduções. O mecanismo de desenvolvimento limpo (MDL) viu transações de 947 milhões de toneladas em 2007 nos mercados primários e secundários, produzindo um valor combinado de 12 bilhões de euros (US$17bilhões).

O grupo de analistas espera um encolhimento do mercado primário de MDL e um forte crescimento das transações do secundário. O volume total previsto para o mercado de MDL em 2008 é de 1,2 bilhões de toneladas de CO2e, valendo 15 bilhões de euros (US$22bilhões) nos valores atuais.

Fernandez lembra que o MDL está entrando no quarto 'ano de vida', com os primeiros créditos sendo emitidos somente em 2006. "Agora temos muitos mais projetos operando e gerando créditos", diz. No ano passado foram 280 milhões de toneladas negociadas e, se as previsões se tornarem realidade, o mercado de MDL será multiplicado por cinco em 2008.

O Brasil continuará perdendo mercado para a China e Índia, segundo Fernandez. "O que já estava dentro do esperado", ressalta.

"Se olharmos estudos de 2001 a 2003 que tentavam prever o mercado de carbono, vemos a seguinte participação dos 'players': Brasil com 8 a 12% do mercado, China com 40 a 60% e Índia com 25 a 45%. Esta previsão, por incrível que pareça, está se concretizando", diz.

Segundo ele, o Brasil naturalmente já tem um potencial muito menor, principalmente devido a matriz energética limpa. Porém, alguns problemas continuam inibindo os investidores. "As incertezas estruturais, como clareza dos documentos e prazos necessários para emissão de autorização da DNA (autoridade nacional designada), dificultam um pouco", explica.

A Point Carbon ainda prevê volumes para novos mercados. Dez estados no noroeste dos Estados Unidos, que integram a Iniciativa de Gases do Efeito Estufa Regional (RGGI, na sigla em inglês), começarão a regular o dióxido de carbono em usinas energéticas a partir de 2009, mas o desenvolvimento do comércio já começou. Além disso, há o mercado de permissões de emissões da União Européia (AAUs, na sigla em inglês) e comércio de compensações para esquemas federais futuros de cap-and-trade (metas e comércio) nos EUA, Austrália e Canadá.

No total, os analistas prevêem que os mercados fora do EU ETS e MDL irão valer 1,5 bilhões de euros (US$ 2,1bilhões) em 2008. "Nós vemos novos esquemas de comércio de emissões se desenvolverem no mundo, contribuindo para um movimento no mercado de carbono global em 2008", comenta Roine.

Por Paula Scheidt, CarbonoBrasil

Para se atualizar do panorama e tendências do mercado de carbono, leia esta matéria também do ótimo Carbono Brasil.

21 de fevereiro de 2008

Leis podem reduzir aquecimento global...

Mais de 100 parlamentares de Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Alemanha, Itália, França, Japão, Rússia, Brasil, China, Índia, México e África do Sul debaterão hoje e amanhã, em Brasília, políticas para combater o aquecimento global e as negociações do acordo que substituirá o Protocolo de Kyoto a partir de 2012. Os legisladores também formularão um documento com sugestões a serem apresentadas aos mandatários dos países que integram o G-8, o grupo das sete economias mais industrializadas mais a Rússia. O relatório será entregue na próxima reunião do G-8, que será promovida pelo Japão em julho.

Dirigentes de grandes companhias multinacionais e técnicos de organizações internacionais também estarão presentes. Para o senador Cícero Lucena (PSDB-PB), o debate entre parlamentares pode fazer com que os diferentes países criem leis compatíveis, as quais forçarão os Executivos a assumirem compromissos para combater as mudanças climáticas. O tucano é um dos cinco representantes brasileiros no fórum.

"Deve haver a mobilização da sociedade como um todo. O Executivo precisa ter vontade política. Mas, os Parlamentos também têm de se envolver, pois interferem nos Executivos", complementou a senadora Serys Slhessarenko (PT-MT), que também participará das discussões. Os outros representantes brasileiros são o senador Renato Casagrande (PSB-ES) e os deputados Antonio Palocci (PT-SP) e Augusto Carvalho (PPS-DF).

Na agenda, o estabelecimento de metas de redução de emissões de gases que provocam o efeito estufa, como o gás carbônico. Será debatida a criação de mecanismos que compensem economicamente quem conservar as florestas existentes em seus terrenos. A instituição de incentivos ao mercado de créditos de carbono também constará da pauta.

Biocombustíveis

Não poderá faltar o lobby brasileiro em favor dos biocombustíveis. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, um dos principais defensores do etanol e do biodiesel, é esperado para a cerimônia de abertura do evento.

Apesar de prejudicado pela eleição presidencial dos Estados Unidos, este ano é considerado crucial para o avanço das negociações do acordo que dará continuidade ao Protocolo de Kyoto - o qual não foi assinado pelos americanos. Diplomatas brasileiros esperam que os negociadores cheguem a um entendimento no ano que vem. "Os principais obstáculos são os países desenvolvidos adotarem metas razoáveis e os países pobres aceitarem compromissos sem que isso interfira no desenvolvimento econômico", comentou Lucena.

Como os países desenvolvidos enriqueceram às custas da destruição de suas matas, o Brasil acha que os países em desenvolvimento não devem ser punidos por manterem as maiores florestas do mundo. "As responsabilidades são comuns, mas diferenciadas", repetem os diplomatas brasileiros. O país defende também a transferência de tecnologias para que os países pobres cresçam de forma sustentável.

Fonte: Gazeta Mercantil

20 de dezembro de 2007

Barclays Capital lança primeiro Índice Global de Carbono...

A Barclays Capital - divisão de investimentos do Barclays Bank PLC - anunciou o lançamento de um índice global de carbono, o Barclays Capital Global Carbon Index (BGCI). O BGCI rastreia a performance dos créditos de carbono associados aos maiores esquemas de comércio de emissões de gases do efeito estufa do mundo.

É a primeira vez que um índice é disponibilizado para gerentes de ativos, bancos privados e investidores institucionais na tentativa de estabelecer um benchmark compreensivo para este mercado em rápido crescimento.

O BGCI compreende inicialmente dois sub-índices que rastreiam a performance dos créditos de carbono associados ao esquema de comércio de emissões da União Européia (EU ETS), às permissões da UE e ao Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) do Protocolo de Kyoto - as RCEs (Reduções Certificadas de Emissões). O índice irá incorporar novos esquemas ao passo que eles se desenvolvem ao redor do mundo.

Louis Redshaw, chefe de Mercados Ambientais, diz: “O lançamento deste índice é um desenvolvimento importante em nossas ofertas de produtos para mercados ambientais. Já que caminhamos em direção a primeira fase do Protocolo de Kyoto e a segunda fase do EU ETS, esperamos que o mercado cresça significativamente enquanto tanto empresários quanto investidores procuram gerenciar seus riscos e alavancar novas oportunidades”.

“A Barclays Capital é vista como um dos maiores inovadores na área de mercado de emissões. E com mais este produto em nosso portfólio estamos muito felizes em poder fornecer soluções (relacionadas ao) risco de carbono para todo o espectro de clientes”, acrescenta.

A Barclays Capital irá fornecer suporte e análises para estes índices por meio do seu website e outros canais de e-commerce, incluindo a Bloomberg. Os índices são calculados diariamente e utilizam preços padrão e um calendário de mercado apropriado aos investidores internacionais. Todas as regras do índice estão disponíveis no novo guia do BGCI.

Para obter mais informações, clique aqui.

Traduzido por Fernanda Muller, CarbonoBrasil

Fonte: Barclays

Novos Arquivos no 4Shared...

Adicionados novos arquivos no 4Shared, relativos à desenvolvimento sustentável, MDL, sequestro de carbono, entre outros. Clique no link ao lado, na seção Multimídia e Interatividade, ou aqui.

14 de dezembro de 2007

Um momento histórico para as florestas...

Cerejeira. Foto: Jeison T. Alflen
Conferência do Clima em Bali representou grande avanço para proteção da Amazônia


Juliana Radler*

Nusa Dua, Bali - "Estamos no caminho mais rápido e mais próximo para salvarmos a Amazônia do que sempre tivemos", afirmou Paulo Moutinho, ecólogo e coordenador de pesquisas do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) neste último dia da conferência de Mudanças Climáticas da ONU, em Bali, onde 11 mil pessoas estão reunidas para definir políticas globais de combate ao aquecimento.

O otimismo de Moutinho deve-se à inclusão do REDD (Reducing Emissions from Deforestation and Forest Degradation), um mecanismo que define o pagamento por redução nas emissões de CO2 nas florestas tropicais, na Convenção do Clima e no posterior período de compromissos que substituirá o Protocolo de Kyoto. O que foi definido em Bali é que nos próximos dois anos, os países discutirão novas metas e novos mecanismos de combate às emissões. Neste segundo período, que entrará em vigor em 2012, o REDD passará a vigorar como um instrumento legal da Convenção, assim como o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), para diminuição das emissões.

Trocando em miúdos: foi incluída definitivamente nas discussões de mudanças climáticas a necessidade de se proteger as florestas tropicais. Primeiro porque, hoje, através de suas queimadas e desmatamento, representam a segunda causa de emissões do mundo. Por isso, diz Moutinho, "o Brasil não agir para conter o desmatamento é comparável aos Estados Unidos não assinarem o Protocolo de Kyoto". Em seguida porque a floresta em pé é capaz de absorver carbono, interferir no clima (funcionando como um ar-condicionado natural), sem falar na enorme biodiversidade que abriga.

"Estamos vivendo um momento histórico para as florestas", ressaltou Andrew Mitchell, diretor da Ong Global Canopy Program (GCP) e professor da universidade de Oxford, em Bali. Para Mitchell, o que vivemos hoje é uma conscientização de que é necessário se atribuir um valor às florestas, já que esses ecossistemas prestam serviços essenciais à vida. "As florestas dão mais ao mundo do que o armazenamento de carbono", frisou Mitchell.

E é exatamente essa atribuição de valor às florestas que faz com que Moutinho acredite ser possível "salvar" a Amazônia. Para ele, os instrumentos de conservação da biodiversidade, como a criação das reservas legais, são frágeis e insuficientes para garantir a manutenção dos ecossistemas. Portanto, muito mais eficaz é crer em mecanismos de mercado que tenham compromissos a longo prazo com o financiamento para proteção da floresta, como os que estão sendo negociados na Convenção do Clima.

Até 2009, quando será realizada a Conferência do Clima em Copenhagem, na Dinamarca, precisam ser definidos os detalhes técnicos de como funcionará o REDD, incluindo a sua viabilidade econômica que hoje transita entre duas propostas: a primeira através de doações voluntárias de países industrializados com metas de redução de emissões e a segunda através de mecanismos do próprio mercado, por meio da compra de créditos de carbono.

Moutinho mostrou-se animado com a disposição do governo brasileiro nas negociações sobre floresta em Bali, incluindo o lançamento do Fundo que será gerido pelo BNDES e que receberá aporte de recursos para combate ao desmatamento na Amazônia. Ele destacou que a presença dos dois ministros, Celso Amorim (Relações Exteriores) e Marina Silva (Meio Ambiente) mostrou que o governo percebeu a grande oportunidade que se abre para que o Brasil tenha apoio internacional para preservar a Amazônia. "É preciso frisar que não estamos pedindo dinheiro por aí. Estamos sim buscando recursos em reconhecimento a um serviço que a Amazônia presta ao mundo", concluiu o pesquisador do IPAM.

*Especial para a Revista do Meio Ambiente.

Juliana Radler
Sumaúma Documentários Socioculturais e Ambientais
(21) 2210-2192 / (21) 8806-5808
Skype: juliana2817
MSN: julianaradler@hotmail.com

5 de dezembro de 2007

O Papel das Florestas nas Mudanças Ambientais Globais...

O desenvolvimento tecnológico do homem nos últimos séculos foi baseado principalmente no uso de energia de combustíveis derivados do petróleo e carvão mineral. Estes combustíveis foram formados pela acumulação de matéria orgânica por longos períodos geológicos (da ordem de milhões de anos) que o transformaram em uma "sopa" de moléculas orgânicas ricas em energia. Ao serem utilizados, emitem carbono sob a forma de gás carbônico, que se acumula na atmosfera.

O acúmulo de gás carbônico na atmosfera provoca o aquecimento da superficie da terra, fenômeno esse conhecido como efeito estufa. Outros processos intermediados pelo homem também contribuem com emissões de gás carbônico e outros gases de efeito estufa para a atmosfera. Entre eles, o uso da terra, determinados processos industriais e o tratamento de efluentes e resíduos são as fontes de emissão de carbono para a atmosfera.

O uso da terra provoca o desmatamento pela substituição das florestas por áreas produtivas com o consumo ou queima da madeira existente na floresta. Essa madeira é feita principalmente de carbono que depois de seu uso ou sua queima vai para a atmosfera. Alguns processos industriais, como a produção de cimento e papel, também emitem carbono para a atmosfera, aumentando o efeito estufa. O tratamento de efluentes e resíduos também contribuem para o aumento da concentração de carbono na atmosfera, seja por emissoes de gás carbônico nas estações de tratamento ou pela emissão de metano nos lixões e aterros sanitários.

Esses processos mediados pelo homem vem provocando mudanças significativas na composição química dos gases da atmosfera que podem estar comprometendo a vida na terra. Esse processo é chamado de Mudanças Ambientais Globais.

Por isso, quando falamos de Mudanças Ambientais Globais, a primeira coisa que nos vem à cabeça são as emissões de gás carbônico que são despejadas na atmosfera todos os dias pela queima de combustíveis fósseis. Sabe-se que as principais fontes deste gás (que por conseguir reter calor, ajuda a aumentar o Efeito Estufa) são a queima de combustíveis fósseis, as queimadas em florestas e os desmatamentos que tem ocorrido desenfreadamente em todo planeta.

Como diminuir o Efeito Estufa e as Mudanças Ambientais Globais?

Uma das únicas maneiras de se retirar o carbono acumulado na atmosfera é a fotossíntese que através da energia do sol, gás carbônico e água, as plantas produzem biomassa sob a forma de madeira (celulose) ou açúcares (carbohidratos).

Parte dos carboidratos ela utiliza em sua alimentação, e a outra parte ela estoca na madeira, galhos, folhas e raízes. Além dessa biomassa das árvores (que denominamos de Biomassa Viva Acima do Solo), a floresta também tem outros reservatórios de carbono como por exemplo: o solo, a serrapilheira (formada pela queda de galhos, folhas e até troncos inteiros que ainda não foram decompostos, mas que lentamente vão ser processados pelos organismos do solo) e a biomassa das raízes.

Por isso é que as florestas funcionam como um "sumidouro de carbono", ou seja, através da fotossíntese, a planta retira CO da atmosfera, nutrientes orgânicos do solo e da água, transformando-os em biomassa, que por sua vez ficam estocadas nas florestas e seus solos.
Dessa forma, quando se queima uma área de floresta, estamos liberando para atmosfera o que esta floresta levou centenas a milhares de anos para incorporar.

De forma inversa, os reflorestamentos contribuem para a retirada de carbono da atmosfera, que através da fotossíntese aumentam sua biomassa, estocando carbono na sua maderia. Além desta incorporação de carbono, as florestas exercem grandes e valiosos serviços sociais para a humanidade. Por isso, considera-se que as florestas em regeneração são medidas que contribuem para a redução do efeito estufa.

Os esforços mundiais para o combate às Mudanças Ambientais Globais

Com as evidências das Mudanças Ambientais Globais, houve a necessidade de se reduzirem as emissões e estimular o sequestro do carbono atmosférico. Para isso foi proposto o Protocolo de Quioto, um mecansimo internacional que já entrou em vigor e com isso poderá auxiliar a humanidade a enfrentar o desafio das Mudanças Globais. Dentro desta perspectiva há necessidade de se desenvolver novos métodos de estimativa da capacidade de estoque de carbono em florestas. Essa quantificação é feita através de métodos de avaliação de biomassa em florestas, que pode ser feita através de métodos destrutivos ou não destrutivos.

Ví no Florestas do Futuro.

4 de dezembro de 2007

Começa o COP 13 em Bali...

Começou ontem, na Indonésia, a Conferência do Clima (COP-13), reunião de 180 países para decidir, em 12 dias, como a humanidade vai lidar com o aquecimento global e suas conseqüências. A reunião - a 13ª entre as partes que compõem a Convenção-Quadro da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre Mudanças Climáticas - tem o objetivo de buscar soluções políticas a serem implantadas após 2012, quando termina o prazo de cumprimento do Protocolo de Kyoto. Todos concordam que a resposta precisa ser mais dura do que um corte de 5,2% das emissões de gases-estufa pelos países ricos. O problema, contudo, está nos detalhes.

Os países não conseguem conciliar suas agendas com um modelo único, global e efetivo, que contemple as premissas da própria convenção: a responsabilidade sobre as emissões antrópicas é comum, porém diferenciada entre ricos e pobres, e quem poluiu mais paga e faz mais. As diferenças são tão grandes que podem provocar a inação, resultado menos adequado ao momento.

A COP-13 é o ápice de um ano em que a crise climática se tornou um evento midiático, um consenso científico, um norteador político, um modulador econômico e uma peça de propaganda. Em maior ou menor grau, governos e sociedade discutiram como sentirão e lidarão com os impactos e o que precisa ser feito para evitar os piores efeitos das mudanças pela qual a Terra passa. “Precisamos aproveitar o ano para avançar nessa negociação. No ano que vem o tema esfria um pouco”, diz Rubens Born, coordenador da ONG Vitae Civilis, que acompanhou quase todas as conferências.

O Que Será Discutido:

  • Pós-Kyoto: Cortes mais profundos nas emissões de gases-estufa, pelos países desenvolvidos, válidos a partir de 2013;
  • Ricos vs. pobres: Metas de corte (ou de redução da taxa de crescimento) das emissões nas nações em desenvolvimento;
  • Mitigação: A inclusão das florestas em pé na conta de mitigação do efeito estufa. Além de absorverem carbono da atmosfera, as matas antigas (como a amazônica) guardam muito carbono estocado na forma de biomassa;
  • Recursos: Aumento do fundo de adaptação, alimentado pelos países ricos para ajudar os países pobres a se prepararem para as mudanças climáticas;
  • Alternativas: Mecanismos mais efetivos para a transferência de tecnologias “limpas” dos países desenvolvidos aos em desenvolvimento.

Blog EcoDebate

30 de novembro de 2007

"Kyoto não será suficiente", diz Nobel...

Ganhar um Nobel da Paz tem suas vantagens. Para Mohan Munasinghe, vice-presidente do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), que ganhou o prêmio neste ano - junto do ex-vice-presidente americano Al Gore - a homenagem trouxe pelo menos três benefícios. "Conseguimos reconhecimento, credibilidade e poder de influência. Com o Nobel ficou mais fácil convencer as lideranças políticas e a população de que a ação humana no aquecimento global é um fato", diz.

Natural do Sri-Lanka, Munasinghe é autor de 85 livros sobre temas como energia e desenvolvimento sustentável. Hoje ele dará uma palestra sobre mudanças climáticas na EcoPower, conferência internacional sobre energias renováveis sediada em Florianópolis.

Com voz calma e tom professoral, Munasinghe se mostra cético em relação às chances de a humanidade refrear uma catástrofe climática e econômica. "Como cientista, é difícil falar sobre quando chegaremos a um ponto sem retorno no que tange ao aquecimento global. Mas se os níveis de CO2 na atmosfera ultrapassarem o limite de 450 partes por milhão (ppm), teremos problemas", afirmou.

Atualmente, o nível de gases de efeito estufa na atmosfera está em torno de 385 ppm - o nível adequado para manter a temperatura terrestre na casa dos 14°C seria 275 ppm. "Nos últimos 30 anos, as emissões de gases do efeito estufa aumentaram em 70%. Nossos níveis de CO2 estão muito próximos do limite", pondera.

O ceticismo do professor se revela também quando ele é perguntado se o Protocolo de Kyoto, o acordo global sobre mudanças climáticas, fracassou. "Apesar de Kyoto, as emissões de gases de efeito estufa aumentaram nos últimos dez anos. E nos próximos 30 anos, elas devem crescer de 50% a 100%", disse. "Kyoto é um pequeno passo, insuficiente para refrear o aquecimento global. As próximas negociações sobre clima terão que ser mais ambiciosas para evitarmos catástrofes", diz.

Um dos meios para se atingir o almejado desenvolvimento sustentável seria diminuir a dependência dos combustíveis fósseis. "Aumentar o consumo de energias renováveis para 5% ou 10% da matriz mundial seria o ideal", diz. Mas reconhece que é muito difícil livrar a humanidade do vício do petróleo e do carvão. "Não podemos impedir os países de usar carvão, já que é um recurso altamente disponível, com reservas para os próximos 200 anos. Mas podemos explorar isso de uma forma tecnologicamente mais limpa."

Andrea Vialli

O Estado de São Paulo

26 de novembro de 2007

Austrália muda de lado e isola mais os EUA...

Os países que defendem ações mais duras e urgentes contra as mudanças climáticas ganharam um forte aliado - e ele entra no jogo com pressa de apresentar resultados. Em sua primeira entrevista coletiva após a vitória histórica de seu partido, o Trabalhista nas eleições parlamentares da Austrália no sábado, o novo primeiro-ministro, Kevin Rudd, deixou cristalino que seu os australianos mudaram de lado nessa discussão. Durante anos, o país foi aliado da política dos Estados Unidos para o tema, contestando e rejeitando o Protocolo de Kioto, pacto global de redução das emissões de gás carbônico que o primeiro-ministro derrotado, John Howard, e o presidente George W. Bush consideram nocivo à economia.

Miriam Leitão analisa: A eleição da Austrália é a primeira derrota política causada pelo aquecimento global

O novo premier disse hoje que já busca informações a respeito da ratificação do protocolo, que decidiu representar a Austrália pessoalmente na nova cúpula das Nações Unidas sobre o clima, marcada para dezembro, em Bali, e que já conversou com o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, sobre como intensificar esforços e parcerias contra o aquecimento. Tudo isso com apenas um dia de eleito. A meia-volta australiana no tema isola ainda mais os Estados Unidos, maior emissor de gases do efeito estufa.

- Falamos (com Gordon) sobre o que podemos fazer no futuro para cooperar mais sobre a mudança climática, como governos, e disse que tenho muita vontade de trabalhar nisso com o governo britânico no futuro - disse Rudd.

Aliados na guerra do Iraque, Estados Unidos e Grã-Bretanha sempre ocuparam posições divergentes quando às transformações que a ação humana e a poluição estão provocando no planeta.

Rudd, um ex-diplomata de 50 anos, conquistou os eleitores australianos apresentando-se como o líder de uma nova geração, disposto a retirar as tropas de seu país do Iraque e ratificar Kioto. O cumprimento da promessa sobre o Iraque deve ser bem mais gradual do que a mudança de lado na questão do clima.

O novo primeiro-ministro disse que além de Brown, conversou Kioto com o presidente da Indonésia, Susilo Bambang Yudhoyono.

- O presidente Yudhoyono convidou-me formalmente para comparecer à conferência de Bali, que certamente vai lidar com as mudanças climáticas e para onde vamos agora baseados em Kioto. Eu respondi positivamente - afirmou Rudd.

O Globo

23 de novembro de 2007

Jogando para a platéia na COP13...

Pressionado pelo fato de o Brasil ter rapidamente se transformado no quarto maior emissor mundial de gases poluentes, o governo anuncia nas próximas semanas um plano nacional para enfrentar internamente os efeitos das mudanças climáticas. A data do anúncio tem importância estratégica.

Entre 3 e 14 de dezembro, acontece em Bali, na Indonésia, a 13a Conferência dos países signatários da Convenção do Clima (COP13), que deve marcar o início dos debates da segunda etapa do Protocolo de Kyoto, a partir de 2012. Kyoto II pode gerar sanções contra países poluidores incluindo, grandes emissores, com os EUA, e países em desenvolvimento, como Brasil e China, que hoje não sofrem qualquer restrição para poluir.

No plano a ser divulgado vão constar as estratégias nacionais para enfrentar os efeitos de fenômenos climáticos críticos, como tufões e secas prolongadas. Também constarão indicações da necessidade de reaparelhar o Estado para evitar o desmatamento, responsável por 75% das emissões nacionais. O plano, entretanto, já nasce sob críticas daqueles que não foram ouvidos ou só tiveram suas opiniões parcialmente levadas em conta.

Cientistas de instituições de pesquisa do próprio governo, e ambientalistas que há anos debates o problema das mudanças no clima, avisam que o plano, amplo e complexo por natureza, deveria ter sido discutido com a sociedade. Mas, ao contrário, o documento é uma visão estritamente governamental e está sendo elaborado apenas por representantes Ministérios – os de Ciência e Tecnologia, Meio Ambiente e Relações Exteriores.

Deixa a impressão de ser uma tentativa de jogar para a platéia internacional. Afinal, o governo não dá mostras de que querer interromper um modelo de crescimento econômico baseado na exploração radical dos recursos naturais, razão primeira da destruição da floresta, e aponta inclusive para o seu aprofundamento com o PAC, o Plano de Aceleração do Crescimento. Bali, portanto, será particularmente importante nesse contexto.

Da COP13 devem emergir duas inflexões na forma de tratamento das mudanças no clima. A primeira será a discussão sobre a necessidade de estender a países em desenvolvimento, Brasil e China à frente, metas de redução de emissões, hoje limitadas aos países ricos, que ao longo da história foram, de longe, os maiores responsáveis pela produção de gases poluentes.

A segunda inflexão será a proposta de criar estímulos econômicos para premiar o desmatamento que deixa de acontecer. O governo não é simpático a nenhuma das duas medidas, que se chocam com as formas escolhidas para a economia brasileira crescer.

Mas, há a ampla generalizada de que o Protocolo de Kyoto, em vigor desde fevereiro de 2005, se não foi um fracasso absoluto, ajudou pouco a mudar o panorama. Assim admitiu até o vice-presidente do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC), o cingalês Mohan Munasinghe (Valor Econômico, 26/10).

O IPCC é o grupo cientistas reunidos pela ONU para avaliar a situação do clima no planeta e ganhador do Nobel da Paz 2007. Com o IPCC prevendo que em três décadas a quantidade de gases emitidos cresce de 50% a 100%, Kyoto II passa a representar uma espécie de última chance para o planeta.

Flor do cacaueiro do mato. Foto: Jeison Tiago Alflen

Uma nova versão do Protocolo, reforçada politicamente, pode surgir de uma conjuntura nova, que exija constrangimentos generalizados às emissões de países ricos e em desenvolvimento. Nos EUA, um eventual governo democrata que deseje se diferenciar da mesmice de opiniões com os republicanos quanto à guerra no Iraque pode tomar posições à Al Gore, o outro Nobel da Paz, ratificando Kyoto, mas exigindo metas para Brasil e China.

Por aqui, o Estado brasileiro resiste às metas, avaliando que aceitá-las significaria assumir a culpa pelas mudanças no clima. Mas esse argumento só em parte é verdadeiro. Sem o enfrentamento articulado e firme do conjunto de dimensões das mudanças do clima ele conduz ao imobilismo.

A rigor, a única proposta brasileira é a promoção de uma oportunidade de negócio: o biodiesel e o etanol para substituir combustíveis fósseis. Embalada em orgulho verde e amarelo, a dedicação extrema aos agrocombustíveis impediu o governo até de faturar a redução expressiva do desmatamento amazônico. Ele despencou 30% em 2007, para 10 mil km2, acumulando, desde 2004, queda de 65% - cerca de 20% de todas as emissões que deveriam ter sido alcançadas pelos ricos.

Mas, até a Ministra Marina Silva, do Meio Ambiente, evita soltar foguetes em torno desses índices porque sabe que não há como manter a tendência. Em 2008, alerta Marina, ocorrerão três fortes vetores do desmatamento: eleições municipais, levando governos e candidatos a estimularem a abertura de novas áreas agricultáveis; a possibilidade de uma seca que dificultaria o controle de incêndios; e, concordando com o Greenpeace, o aumento da cotação das mercadorias agrícolas, soja e carne principalmente, pressionando o avanço do grande negócio agrícola sobre dois biomas de alta sensibilidade: o cerrado e a Amazônia.

O Greenpeace alerta que “o desmatamento diminuiu quando os preços internacionais da soja e carne caíram (...) esses preços já aumentaram (...) no trimestre maio-junho-julho de 2007 (...) o desmatamento aumentou em 200% e o número de queimadas também cresceu em relação ao mesmo período do ano passado”. Esses dados, confirmados por Marina, exigem outro tratamento do problema.

Mas, essa não tem sido a prática, assim como não é a primeira vez que o Brasil prepara às pressas um importante documento sobre mudanças do clima. Também em 2004, na COP10 realizada em Buenos Aires, o primeiro inventário de emissões do Brasil só foi divulgado dias antes do evento. Mostra de que o esporte nacional, ao que tudo indica, o velho jogo para a galera continuará sendo o maior esporte nacional.

Por Carlos Tautz

Artigo publicado no Blog do Noblat, em 30 de outubro de 2007.

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