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25 de março de 2009

Ecomagination...

A GE lançou o Ecomagination para desenvolver tecnologias ambientais com foco empresarial direcionado a desafios urgentes. Na verdade, a iniciativa foi lançada no dia 09 de maio de 2005, quando a nova iniciativa da GE foi divulgada em uma série de eventos em Washington, D.C. e contou com a participação de executivos de grandes companhias que estão trabalhando com a GE em projetos e tecnologias ecomagination, incluindo as empresas American Electric Power, Boeing, Canadian Pacific Railway, Cinergy, Delphi e Pardee Homes.

A proposta visa auxiliar os clientes a enfrentar desafios ambientais urgentes utilizando novas tecnologias GE. Jonathan Lash, presidente do Instituto de Recursos Mundiais, localizado em Washington, disse: “Esse é um passo extremamente importante dado por uma das empresas mais importantes do mundo. É muito motivador que a GE esteja focando sua pesquisa em tecnologias ambientais e se comprometendo seriamente na busca pela estabilidade dos gases que geram o efeito estufa e contribuem para as mudanças climáticas. São necessárias inovação e liderança para tentar mudar o clima e isso é o que estamos percebendo na GE”.

A GE identificou inicialmente 17 produtos que se aplicam aos critérios ecomagination. Esses produtos devem melhorar significativamente o desempenho operacional e ambiental dos clientes, com produtos mais eficientes que as tecnologias existentes de recurso renovável, como a energia eólica, e produtos que seguem padrões ambientais ou de eficiência a terceiros. A GeenOrder, uma empresa de consultoria ambiental, forneceu uma análise independente dos produtos da GE. Informações detalhadas sobre esses produtos estão disponíveis on-line no site.

O que chama a atenção é o capricho do sítio da proposta, unindo animação em flash e 3D para fazer representações infográficas do uso consciente. Show de bola!

26 de novembro de 2008

Soluções inovadoras virão de desconhecidos...

Co-fundador de empresas de consultoria na área de sustentabilidade, John Elkington afirma que a crise econômica é necessária para destruir alguns elementos da cultura global e que a mudança virá de pessoas vistas como loucas

Paula Scheidt do Portal do Meio Ambiente.

“Muitas das soluções que precisamos para o futuro não virão das grandes empresas, mas sim de pessoas sobre os quais vocês nunca ouviram falar”, afirma o inglês John Elkington, co-fundador da SustainAbility e diretor da Volans Venture, fundada neste ano com o objetivo de encontrar soluções empreendedoras para enfrentar os grandes desafios atuais, que segundo ele vão desde as mudanças climáticas e pobreza até o acesso a medicamentos. 

Autor de 17 livros, incluindo o Guia do Consumidor Verde que vendeu um milhão de cópias em 1988, Elkington é uma autoridade mundial em responsabilidade corporativa e desenvolvimento sustentável. O empresário diz que para os empreendedores inovadores, que estão na borda do sistema, será muito mais fácil aproveitar a desestruturação econômica desta crise, pois não estão focados na ‘antiga ordem’.

Elkington afirma que, há dois anos, já vem dizendo que a humanidade ruma em direção a uma descontinuidade econômica, não uma recessão. “Acho que isto está apenas começando”, exclama.

A curto prazo, o empresário e consultor explica que o resultado desta crise será devastador sobre o cidadão a e sustentabilidade. “Muitas empresas a usarão como desculpa para cortar gastos e enxugar áreas com especialistas”, garante, ressaltando já ter atravessado cinco recessões e ter visto as empresas fazerem exatamente isso em áreas como segurança, saúde e meio ambiente. “Esta é a má notícia”.

A boa notícia, diz, talvez venha daqui a três a cinco anos. “Devido à desestabilização do modelo econômico, causada porque os líderes empresariais e políticos não sabem o que está acontecendo nem o que fazer, a oportunidade de levar adiante mudanças radicais será muito maior”, comenta.

Segundo Elkington, os desafios atuais serão apenas enfrentados quando empresas, governos e os cidadãos se alinharem em torno de uma meta e cita os planos da Nissan para ter 60 modelos de veículos elétricos nas estradas em até três anos. “Eles já fazem isso porque vêem que o mercado para este tipo de veículo está crescendo, pois observam um aumento de interesse do governo japonês, principalmente no nível municipal”, conta.

O especialista prevê, além de falências absolutas, muitas fusões e incorporações, com uma grande transformação no cenário empresarial. “Esta também é uma oportunidade imensa para usar um exemplo da ecologia: muitas vezes precisamos de um incêndio numa floresta para limpar o espaço para que novas plantas possam crescer”, compara.

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12 de agosto de 2008

Cinco perguntas sobre inventário de emissões de gases de efeito estufa (GEE)...

Mônica Pinto / AmbienteBrasil

Quanto cada empresa, Estado ou Município está contribuindo para o aquecimento global, ao lançar na atmosfera gases causadores de efeito estufa (GEE)? Responder tecnicamente a essa pergunta é a proposta dos inventários de emissões, procedimento adotado hoje não só em algumas esferas do poder público – ainda que timidamente -, mas também por empresas que, na prática, contribuem para o meio ambiente e, em geral, conseguem reduzir seus custos operacionais.

AmbienteBrasil conversou sobre esse processo com Marcelo Theoto Rocha, pesquisador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (CEPEA) da Universidade de São Paulo (USP) e sócio da Fábrica Éthica Brasil - Consultoria em Sustentabilidade. Confira.

AmbienteBrasil - O que é um inventário de emissões?

Marcelo Theoto Rocha - É como se fosse uma fotografia da empresa, município, estado ou país sobre suas emissões de gases de efeito estufa (GEE). Ao "tirar a foto", escolhe-se o que irá aparecer, ou seja, quais as fontes de emissões que serão inventariadas, dentro do que chamamos limites organizacionais e operacionais. Escolhe-se também qual a "nitidez da fotografia", ou seja, como serão feitas as estimativas de emissões. Para tanto, deve-se seguir alguns princípios: transparência, completude, consistência, precisão e relevância.
Outra característica importante de um inventário de emissões é que ele é um processo contínuo, aonde as fotografias vão sendo tiradas ao longo dos anos, sempre buscando um aperfeiçoamento.

AmbienteBrasil - Quais as vantagens de uma empresa privada investir nesse levantamento?

Theoto - O inventário nada mais é do que uma ferramenta para a gestão das emissões de gases de efeito estufa, e como toda ferramenta deve ser utilizada dentro de uma estratégia corporativa de mudanças climáticas e sustentabilidade.
Ao realizar o inventário, a empresa tem a oportunidade de melhor conhecer o seus processos em termos de emissão e com isto identificar corretamente possibilidades de redução de emissão, algumas das quais poderão ser realizadas como atividades de projeto do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo do Protocolo de Quioto.

AmbienteBrasil - Na esfera pública, Estados e Municípios têm sido sensíveis a essa proposta?

Theoto - Sim, vários Estados e Municípios estão pensando em realizar seus inventários de emissões. Nestes casos, é importante salientar que a realização do inventário deve servir para um propósito específico. Ter os dados de emissões simplesmente para tê-los não faz sentido algum. É preciso ter claro para que os dados servirão (ex: estabelecimento de uma política pública sobre emissões de GEE) e usar a experiência de se realizar um inventário como uma experiência contínua de aprendizado.

AmbienteBrasil - Há algum organismo que certifique os inventários de emissões realizados, seja pela iniciativa privada, seja pelo poder público?

Theoto - Os inventários podem seguir diferentes metodologias e/ou protocolos. Os protocolos mais conhecidos e respeitados são o GHG Protocol e a norma ISO 14064. Já em termos de metodologias, as mais conhecidas e respeitadas são do IPCC.
Ao seguir estes protocolos e metodologias, os inventários podem ser avaliados por empresas privadas independentes ("certificadoras") que poderão então atestar se o inventário foi feito de acordo com os protocolos e metodologias escolhidos. Este processo de "certificação", trata-se por enquanto de uma iniciativa voluntária, ou seja, não existe nenhuma obrigação legal por parte de quem realiza seu inventário de buscar tal atestado.
Dependendo da finalidade do inventário - por exemplo servir de base para uma política de comunicação -, recomenda-se que seja feita a avaliação independente.

AmbienteBrasil - Em termos ambientais, quais os ganhos proporcionados pelos inventários de emissões?

Theoto - Ao inventariar suas emissões, a empresa irá melhor conhecer seus impactos e com isto melhor desenhar uma estratégia de redução e compensação. Outros ganhos ambientais também podem ocorrer, tais como redução do consumo de matérias- primas, eficientização energética etc.

Fonte: Ambiente Brasil.

13 de junho de 2008

A estratégia é mudar o sistema...

Dedicada à causa ambiental, dos direitos das minorias e pela paz entre as nações, a economista Amyra El Khalili realiza projetos que buscam desenvolver uma economia solidária.

Por Léia Tavares

Atuando por duas décadas no mercado de capitais, trabalhando como operadora da BM&F (Bolsa de Mercadorias e Futuros), a economista Amyra El Khalili já realizou transações gigantescas, negociando contratos e títulos, também moedas, ouro, petróleo, gado, café e outros insumos. De ascendência palestina – seu pai veio refugiado do Oriente Médio em 1960 – e tendo conhecido a fundo as mazelas sociais e os mecanismos perversos de exploração da natureza, também do homem pelo homem, Amyra sempre esteve engajada na luta pelos direitos das minorias, pelo equilíbrio ambiental e, principalmente, pela paz, razão pela qual já foi indicada para o Prêmio Bertha Lutz, 2007, e o Prêmio Mil Mulheres, ao Nobel da Paz, 2004.

Lidando diretamente com as grandes especulações internacionais e conhecendo a fundo esse jogo em que tanto se ganha como se perde milhões num mesmo dia, ela passou a estudar a relação direta entre as guerras e o mercado financeiro: “Percebia que a cada vez que o petróleo subia, estourava uma guerra em algum lugar, o que, conseqüentemente, tinha correlação direta com a morte de pessoas. Quando os banqueiros estão ganhando dinheiro de um lado, proporcionalmente estão morrendo milhares do outro”. Isso serviu para aproximar Amyra das questões que envolvem o ambiente e o desenvolvimento sustentável. Não compactuando com a frenética atividade predadora do mercado financeiro, preferiu lançar-se a novos desafios, dentre eles o de fazer valer a ética nas macrorrelações econômicas. Se havia quem estivesse lucrando com o petróleo e as guerras, sua proposta foi a de desenvolver um modelo econômico mais justo e solidário.

E foi assim que ela, em 1996, fundou o projeto B.E.C.E. – Brazilian Enviromental Commodities Exchange, sigla em inglês para Bolsa Brasileira de Commodities Ambientais, que tem como base o tripé educação, informação e comunicação. Com sua união a REBIA, Rede Brasileira de Informação Ambiental, formou-se a parceria BECE-REBIA. O projeto B.E.C.E. busca estimular não apenas a produção de pequenos agricultores como também desenvolver atividades de valorização cultural de pequenas comunidades. Todo o trabalho desenvolvido por sua organização pode ser melhor conhecido no Portal do Meio Ambiente, bem como por meio de sua publicação, a Revista do Meio Ambiente. Amyra acredita que só por meio da informação é que poderemos construir uma economia mais solidária, respeitando-se as diferenças culturais, multirraciais e religiosas. Mas para isso é preciso uma nova consciência no meio econômico.

Leia aqui a entrevista com Amyra El Khalili.

27 de maio de 2008

Energia nuclear: os dois lados da moeda...

Em um curso de perícia ambiental no ano passado conheci o Dr. Georges Kaskantzis Neto, autoridade em impacto ambiental muito requisitado para perícias que envolvem, principalmente, acidentes com petróleo. Dr. Georges me afirmou ser um "apreciador" da energia nuclear e que, recentemente, havia mudado seu conceito sobre a tecnologia. Eu ainda acho que não compensa devido ao lixo nuclear produzido: a usina gera energia por 30, 40 anos e seus resíduos devem ser monitorados por 10.000 anos. Não dá.

Mas o Progresso Verde, democrático como é, coloca aqui os dois lados da moeda. O entendimento de dois experts no assunto para informar e gerar discussão sempre em busca de um planeta um pouco melhor para vivermos.

A energia elétrica produzida através da fissão do urânio enriquecido artificialmente ainda gera muitas dúvidas. Há argumentos fortes tanto com relação aos seus benefícios, quanto aos riscos. O Eco conversou com duas pessoas de opiniões absolutamente contrárias sobre a nova planta. As entrevistas com Iukio Ogawa, superintendente de licenciamento e meio ambiente da Eletronuclear, e José Rafael Ribeiro, coordenador da Sociedade Angrense de Proteção Ecológica (SAPÊ) aconteceram um pouco antes do diretor interino de Licenciamento do Ibama, Valter Muchagata, iniciar a audiência pública do Iate Clube, em Angra dos Reis.

De acordo com Ogawa, a população que vive no entorno do local escolhido para erguer Angra 3 pode ficar tranquila: não há qualquer risco da usina liberar material radioativo para a atmosfera. “A estrutura conta com várias barreiras (para cortar a radiação), os operadores são treinados para enfrentar essas situações anormais, e há vários sistemas de alarme, detenção e monitoração para orientar a ação de nossos trabalhadores. Então, o projeto já é voltado para reduzir a níveis insignificantes a possibilidade de um acidente”, diz.

Já Ribeiro enxerga perigos latentes. Segundo ele, ainda não existe solução para a destinação final segura dos rejeitos radioativos em nenhum lugar do mundo. Além disso, sugere que o plano de evacuação montado pela estatal é ineficiente e conta que há trabalhadores temporários expostos à radiação nos momentos de parada das usinas. “Se o empreendedor levasse os problemas a sério, não iria construir uma planta no nível do mar, sendo que há previsões de que ele vai se elevar nos próximos anos. Será o primeiro cemitário nuclear submerso”, lamenta.

Para conferir às duas entrevistas na íntegra, clique nos arquivos abaixo

Fonte: O Eco

22 de maio de 2008

Entrevista com Phillip Fearnside...

Uma das maiores autoridades quando se fala em desmatamento evitado e Amazônia é o ecólogo Phillip Fearnside, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). Ele é o segundo cientista mais citado no mundo sobre aquecimento global - 530 vezes, para ser mais exato. O número está no Science Citation Index, um índice compilado pela gigante inglesa Thomson Scientific e é parte do ramo da empresa especializado na criação de bancos de dados com informações sobre ciência.

A frequência com que os colegas citam Fearnside dá uma medida da importância científica de suas idéias. Elas estão formuladas em mais de 400 artigos baseados em suas pesquisas na Amazônia, onde bateu meio por acidente em 1976. Fearnside, nascido em Massachussets, nos Estados Unidos, planejava fazer seu nome como cientista na Índia. A geopolítica tirou-o da rota.

O cientista concedeu uma ótima entrevista para o sítio O Eco, que você confere aqui. Para saber mais das publicações de Fearnside visite sua página no INPA.

16 de abril de 2008

Compensação de emissões com árvores requer atenção...

O plantio de árvores para neutralizar a emissão de CO2 de empresas ou eventos tem sido uma ferramenta de Marketing tão forte que faz com que muitos consumidores percam a visão da importância dessa iniciativa. Pelo processo da fotossíntese, as florestas absorvem e estocam o carbono da atmosfera, dessa maneira, contribuem para combater o aumento do efeito estufa e o aquecimento global.

Cientes dos benefícios ambientais do reflorestamento, muitas empresas passaram a prestar serviços de consultoria nessa área. Apesar de aparentemente a iniciativa só trazer benefícios para a sociedade e o meio ambiente, a falta de padrões faz com que, em alguns casos, o processo seja desvirtuado. A tendência agora é que as empresas mostrem a sua responsabilidade por ações que vão além do plantio de árvores.

“Para que realmente seja benéfica ao meio ambiente e ao clima global, a compensação de emissões não deve ser adotada como uma solução única”, afirma o diretor de meio ambiente da ONG Iniciativa Verde, Osvaldo Stella. Ele entende que o plantio de florestas deve entrar como última alternativa na lista de ações para tornar o consumo mais consciente. “Em nossas parcerias, primeiro realizamos um inventário de emissões e, em cima disso, trabalhamos os conceitos de ‘reduzir’, ‘reutilizar’ e ‘reciclar’. Somente as emissões inevitáveis são compensadas com o plantio de árvores”, explica.

O processo de restauro ambiental realizado pela Iniciativa Verde dura, em média, 30 meses, com o plantio e a manutenção de espécies nativas em áreas de preservação permanente de mata ciliar.

Para se definir o número de árvores a serem plantadas, calcula-se a quantidade de carbono emitida durante um evento, por exemplo. As florestas plantadas levam 37 anos para alcançar o clímax de absorção de carbono. Nesse período, cada hectare de árvore é capaz de neutralizar 80 toneladas de CO2 da atmosfera.

Stella conta que além de reflorestar áreas desmatadas e contribuir para o clima do planeta, o plantio de árvores traz consigo uma série de benefícios ambientais, como a preservação de cursos de água, conservação da biodiversidade (restaurando o habitat de várias espécies de flora e fauna e possibilitando o intercambio genético); conscientização, mudança de comportamento e geração de renda no campo.

O diretor acredita ser fundamental esclarecer a população da necessidade de agir de forma pró-ativa para reduzir as emissões dentro de casa ou no trabalho, ao invés de esperara apenas pela compensação.

O plantio de árvores não é uma solução definitiva para o efeito estufa, esclarece. “Para resolver esse problema é preciso mudar os hábitos da sociedade que está acostumada com facilidades como carros poluentes e aparelhos de ar-condicionado que consomem energia elétrica”.

Por se tratar de iniciativas voluntárias, o mercado de neutralização de emissões com plantio de árvores não recebe nenhuma regulamentação, o que favorece a ocorrência de fraudes. Há registros de empresas que prometeram compensar emissões com árvores que nunca foram plantadas. Há casos também de florestas derrubadas antes de se completar o período necessário para a compensação e, até mesmo, de empresas que subestimaram a quantidade de árvores necessárias para o plantio, dando uma falsa idéia de neutralização das emissões.

Para se consolidarem no mercado, as empresas que trabalham com compensação precisam agir de maneira honesta, pois cada vez mais os resultados das suas ações serão cobrados pela sociedade.

Leia a entrevista com o diretor da ONG Iniciativa Verde, Osvaldo Stella

Por Sabrina Domingos, CarbonoBrasil

Fonte: CarbonoBrasil

16 de março de 2008

A relação pegada ecológica - consumo: que marcas queremos deixar no planeta?

Palestra com o ambientalista Irineu Tamaio chama atenção para o uso excessivo dos recursos naturais, o consumismo exagerado e a degradação ambiental

A Semana do Consumidor com o tema: Consumidor, Cidadania e Meio Ambiente, realizada pelo Governo do Estado por meio do Procon, apresenta uma programação que envolve a posse dos conselheiros do Conselho Estadual de Defesa do Consumidor, painéis temáticos, exposição de xilogravuras, apresentação de espetáculo teatral e palestras.

Entre as palestras "A relação pegada ecológica - consumo: que marcas queremos deixar no planeta?" será apresentada por Irineu Tamaio, doutor em Desenvolvimento Sustentável pela Universidade de Brasília-UnB, nesta quarta-feira, 12, às 10 horas, na Biblioteca da Floresta Marina Silva.

O conceito de Pegada Ecológica foi criado pelo WWF-Brasil, com o propósito de chamar atenção dos brasileiros para uma ação integrada pelo meio ambiente. O que significa Pegada Ecológica? Para o ambientalista é uma ferramenta de leitura e interpretação da realidade, a visão da intensidade das ações do homem na natureza. Uma forma de chamar à atenção para o uso excessivo dos recursos naturais, do consumismo exagerado e da degradação ambiental.

"Se você pisa mais firme na areia seu rastro será mais visível, mas se você é mais cauteloso então suas pegadas serão menos agressivas e as marcas não ficarão tão visíveis. A Pegada foi criada para nos ajudar a perceber o quanto de recursos da natureza utilizamos para sustentar nosso estilo de vida".

Diante do consumismo exagerado, Irineu explica que a Pegada na realidade irá medir a capacidade que os seres humanos possuem de se apropriarem desses recursos.

"Vivemos desses recursos, mas cada vez mais aumentamos o nosso consumo. Será que a natureza tem a capacidade de repor a quantidade que de fato nós consumimos? O que a Pegada Ecológica tem mostrado é que não. Que nós humanos aumentamos muito esse padrão: eletrodomésticos, energia, água, roupa, alimentos industrializados. Tudo isso gera o que? Lixo e mais recursos da natureza".

Dados comprovam que desde a década de 80 a natureza não consegue mais responder ao nível do consumo, 25% a mais do que é retirado da natureza, não tem capacidade de ser reposto, isso significa que num futuro não muito distante, os recursos não serão mais suficientes para atender a vida dos humanos e haverá uma disputa bem maior por eles.

"A Pegada ela mede isso, ela mensura com a capacidade. É um pouco complicado explicar a Pegada, porque é uma metodologia que mensura deste a habitação, transporte, alimentação, consumo de gasolina, consumo da carne, energia. Por exemplo, a sociedade americana tem um nível de consumo muito alto, então se o mundo inteiro, praticamente 6 bilhões de habitantes, tivessem o mesmo nível de consumo da sociedade norte-americana, nós precisaríamos de nove planetas terra para atender o a demanda de consumo dos humanos", aponta o ambientalista, adiantando que a média brasileira é de 1,9 planetas.

"Significa que temos que rever nossos padrões de consumo, nosso modelo de desenvolvimento na terra. Nós temos um problema na sociedade brasileira, que é ter como referencial a sociedade americana. Então, você liga a TV, ler o jornal, escuta o rádio e está lá: compre isso, compre aquilo, consuma isso, aquilo", comenta.

Para Irineu o Acre é um dos estados que sai à frente em debater questões relacionadas ao consumo consciente, pois não existe uma discussão ampla em relação a temática como a que está sendo promovida pelo Procon-Acre na Semana do Consumidor.

"Isso é muito rico e importante tomara que todos os governos e todos os poderes públicos promovam essa discussão. Temos que reduzir esse impacto e uma forma é organizando a sociedade para que ela mude posturas e comportamentos. Mas, não adianta fechar a torneira, reduzir o consumo de carne, desligar o ar, a lâmpada, temos que pensar modelos de desenvolvimento. O que queremos, nós da WWF com a campanha da Pegada Ecológica é estimular o cidadão a pensar seu comportamento como consumidor, mas também pressionar através dos órgãos de controle social para que os poderes públicos tenham políticas para a redução desse consumo".

É justamente essa metodologia que será aplicada na palestra a fim de explicar o uso consciente da utilização dos recursos que são oferecidos pela natureza prezando sempre pelo não desperdício e visando pela sustentabilidade das gerações futuras.

"É uma oportunidade para a sociedade repensar sobre o modo como tem atuado diante da questão ecológica, repensando sobre o que realmente é ser cidadão e como agir para amenizar os efeitos colaterais causados a natureza pela mão atroz do homem".

Assessoria FEM

Fonte: Agência de Notícias do Acre

Veja aqui uma entrevista com o professor Irineu Tamaio.

17 de dezembro de 2007

Lixo vira água quente...

José Alcino Alano desenvolveu um aquecedor solar de água utilizando garrafas pet, embalagens tetra-pak, tubos de pvc e muita criatividade. A iniciativa ganhou, inclusive, o prêmio SUPER Ecologia 2004 da Revista Superinteressante.

O esquema é mesmo dos aquecedores solares produzidos industrialmente, conhecido tecnicamente de sistema termo-sifão. A diferença está justamente do material utilizado. As garrafas, as caixas de leite e alguns metros de canos de PVC são utilizados para confeccionar o painel que serve para a aquecer a água. As caixinhas recortadas e os canos são pintados de preto fosco para absorverem a energia solar e a transformar em calor. As garrafas envolvem os canos por onde passa a água e mantém o calor através de efeito estufa. A água sai da caixa d’água em temperatura ambiente, passa lentamente pelo sistema, eleva a sua temperatura e volta para a caixa.

Após seis horas em média nesse ciclo constante, a água pode chegar a uma temperatura de até 38º Celsius no inverno sul-catarinense ou 50º no verão. “No inverno, como o frio é demais na nossa região, ás vezes ligamos o chuveiro elétrico com controle eletrônico no mínimo somente para dar aquecida a mais, pois o sistema já quebrou aquele gelo. Já no verão a água fica realmente quente e é preciso misturar com água fria para não se queimar”, conta seu José Alano, que usa o aquecedor de pet em sua casa desde outubro de 2002. “Resolvi elaborar esse projeto ao perceber o grande desperdício de plástico e de papel que promovemos ao jogarmos essas garrafas e caixas no lixo”, conta.

Na sua residência, o sistema abastece dois banheiros e custou um investimento total de R$ 83,00. Apesar de hoje estar precisando de uma ampliação, Zé Alano, como é mais conhecido, consegue economizar até 120 quilowatts de energia elétrica por mês.

O sonho do comerciante agora é ver o seu invento sendo utilizado em escolas, creches, entidades e pela comunidade em geral. “Nós registramos a patente não para desenvolver um processo industrial, mas justamente para evitar que outros não utilizem comercialmente a idéia”, ressalta. Para tanto, seu José tem buscado apoio de entidades para levar o seu projeto, que ainda não foi instalado em nenhum outro lugar, adiante. “Se você parar para pensar, vai perceber que, na verdade, não estou fazendo isso por caridade, afinal, reaproveitando o lixo, vou estar fazendo um mundo melhor para mim, para meus filhos para os meus netos”, diz empolgado. “Mas somente consegui chegar a esse resultado graças à ajuda da minha esposa, Lizete, e de meus filhos”.
Interessados em conhecer o projeto de seu José Alcino podem entrar em contato através do e-mail da família Alano walano@ibest.com.br.

Aprenda aqui, passo a passo, a construir o aquecedor...

25 de novembro de 2007

Não há possibilidade de desenvolvimento sustentável...

Doutor em Ecologia, analista ambiental do Ibama e professor da Universidade Católica de Brasília (UCB), Genebaldo Freire esteve no Ceará ministrando a palestra ´Desenvolvimento Sustentável - Arrogância e Utopia´. Nesta entrevista, ele fala sobre mitos e fatos do futuro do ser humano na Terra. Vi no Estado do Nordeste.

´Desenvolvimento Sustentável – Arrogância e Utopia´. O que quer dizer?

Significa que, mantidos o cinismo das formas de produção, crescimento populacional, aumento do consumo e políticas totalmente afastadas da relação ser humano-ambiente, não há a menor possibilidade de desenvolvimento sustentável, nem teoricamente. Esse termo é extremamente arrogante. O que precisamos é de ´Desenvolvimento de Sociedades Sustentáveis´. Essa história de ´salvar o planeta´ é bobagem. Primeiro porque o planeta não está em risco, segundo porque não teríamos condições de salvá-lo, nem ele precisa disso. O planeta sempre esquentou, passou por períodos de glaciação e vai continuar sua escalada. Daqui a 7,5 bilhões de anos, o sol apaga, congela. Ele tem seus próprios mecanismos de regulação.

Então a Terra não está em risco como se propaga?

O que está em risco é a sociedade humana, conceitos de bem-estar, democracia, respeito ao próximo, organização social. Isso está ameaçado porque tivemos uma educação que nos remete a sermos consumidores úteis e não a pensarmos a relação com o ambiente. Somente nos últimos tempos, com o aquecimento global, percebemos a necessidade de mudanças radicais em nosso estilo de vida.

E o aquecimento global?

A Universidade de Columbia publicou, em setembro, o índice de vulnerabilidade de 100 países. Lugares que estão mais em cima, como Finlândia, Islândia, Noruega e Dinamarca, estão menos vulneráveis. Mas o Japão, que é uma ilha, está em sexto lugar na lista. Por quê? Porque há mais de 15 anos eles investem em adaptações para se ajustar ao aquecimento global. A Holanda, que tem 57% de suas terras abaixo do nível do mar, está em 14º lugar. Países como Estados Unidos, Alemanha e França estão investindo nisso porque sabem o que pode acontecer nos próximos 10, 20, 50 e 100 anos. O Brasil está em 56º lugar em vulnerabilidade. Isso mostra que não temos alta governança.

Alta governança?

Isso mesmo. Quer dizer que, apesar de sermos o oitavo país mais rico do mundo, temos baixa capacidade de respostas. Isso acontece por diversos motivos, mas, principalmente, pela burocracia e corrupção. Temos tecnologia, cientistas brilhantes e o mapa de vulnerabilidade já está feito. Mas falta a parte seguinte, que são os planos de adaptação e mitigação. Estamos parados em relação a isso. Sabemos que terras boas vão virar semi-áridas e, depois, áridas. Sabemos que as regiões que mais vão sofrer no Brasil são Nordeste, Sul e Sudeste, pelas mudanças profundas no regime de águas. Fortaleza, por ser litoral e estar no Nordeste, está dentro da área de altíssima vulnerabilidade. Disponibilidade de água, perda de safras e migração precisam ser pensadas. Até 2050, quem está hoje com 10 anos de idade, vai passar sufoco, caso não haja planejamento agora. Não há necessidade de pânico, mas é preciso competência, envolvimento e seriedade.

Então o nosso fim pode ser adiado?

A destruição é inevitável. O que é evitável é apressar o processo para ficar mais tempo aqui e evoluir. Daqui a três bilhões de anos a Terra não vai mais reunir condições para que nossa espécie continue, pelo menos como é hoje. A evolução biológica não acompanha a evolução cultural. A cultural é muito mais rápida. Biologicamente levamos milhares e milhares de anos para incorporar adaptações, digamos, casuais, de uma mudança na composição química da atmosfera. E, se não tivermos mais 21% de oxigênio, mas 22%? Todos os seres humanos morrerão. Não há como se ajustar caso a mudança seja rápida. Biologicamente não teremos resposta. O grande fascínio da vida são os mistérios que nos cercam, a contemplação, a reflexão sobre esses mistérios. Infelizmente as políticas não têm tratam disso.

A conscientização pode minimizar os impactos?

Não acredito em grandes catástrofes ecológicas, mas muitas populações irão migrar passando fome, aliás, já está acontecendo. São 36 nações em guerra por causa de água, com recursos minados pela corrupção. O grande papel do movimento ecológico foi trazer a análise sistêmica, ver o todo, para que não se perca no tempo apenas ganhando dinheiro e comprando coisas. A indústria do entretenimento, por exemplo, mantém a pessoa presa diante da televisão, sem tempo para meditar, refletir ou buscar vida plena. As pessoas ficaram ocupadas em ganhar dinheiro e esse tipo de valor corrompeu demais, gerou valores perigosos. Ninguém poderia imaginar, há 20 anos, que alguém tivesse coragem de falsificar medicamentos para pessoas com câncer ou colocar soda cáustica em leite servido para idosos e crianças. Comportamentos dessa natureza são sintomas de afastamento da missão maior. Hoje, o grande desafio da educação é trabalhar valores, ética. Quando eu vejo educação ambiental centrada em coleta seletiva, despoluição, hortas, digo que é pouco. Temos que fazer isso e muito mais. Isso representa apenas 5% do problema.

É como ampliar a idéia de causa e efeito?

Exato. É preciso saber que são necessárias mudanças mais profundas que simplesmente proteção da camada de ozônio, economia de água ou energia elétrica. Claro que são fatores importantes, complementam elementos de gestão ambiental. Mas, o que se exige hoje, está muito além de separar e reciclar lixo. É preciso repensar o consumo. Há necessidade de recusar certas coisas. E isso não se faz de uma hora para outra. Estamos em processo evolucionário, no topo de mudanças e transformações que vão mexer com estilos de vida. As empresas, no início, incorporaram a questão ambiental forçadamente. Agora fazem porque dá lucro, quando elas economizam matéria-prima, quando melhoram o marketing ambiental. É preciso ter estados, empresas, pessoas que incorporem a necessidade de mudar a relação com o ambiente. Isso demora algumas décadas, mas acredito que estamos em bom caminho.

Para onde caminha a humanidade?

Vivemos um período fascinante. Talvez o mais exuberante da escalada humana na Terra. Porque estamos mudando paradigmas e o aquecimento global veio facilitar isso. Ganhamos esqueleto ósseo e corpo físico recheado de água e proteínas para vivermos a experiência humana por determinado período de tempo. Nossa experiência é para a evolução. Nosso papel é produzir transformações. Todo o universo está assim. Mas nosso equipamento sensorial é bruscamente atrapalhado pela religião e educação. Tem um pensador inglês que diz que o ser humano nasce ignorante, mas são necessários vários anos de educação para que ele se torne estúpido. A educação como está virou comércio e com baixíssimo potencial de preparar pessoas tolerantes, compreensivas, éticas, perceptivas, que tenham clareza do que vieram fazer aqui. Tudo embevecido pelo consumismo. A grande preocupação é reunir dinheiro para comprar coisas e pagar impostos. Depois envelhecem, entram em depressão e morrem. A vida é mais que isso e o tempo curto para vivermos essa experiência. É preciso aproveitar intensamente cada dia, minuto, segundo; ser consciente do próprio papel, dizer o que pensa, discordar elegantemente e contribuir.

O homem ainda tem a ilusão de ser o centro do Universo?

Temos um milhão de anos sobre a terra. Os gatos têm 35 milhões de anos; as lagartixas, 50 milhões; as samambaias, 400 milhões de anos. Imaginar que o planeta foi preparado para receber a espécie humana é arrogância e falta de percepção do que significa a vida na Terra. Somos apenas elo integrante da teia da vida que não deveria ser chamado planeta Terra, mas sim, planeta ´Vida´. Tudo aqui foi costurado, programado, concebido para abrigar vida. A vida no planeta é tão exuberante que, se um prédio ficar sem manutenção alguns anos, a vegetação toma conta. Você encontra uma flor emergindo no meio de um asfalto a 50º C. A Terra foi concebida para abrigar vida. Nós, seres humanos, somos, apenas, mais uma espécie. Fomos guinados a sermos a coisa mais importante do planeta por meio das religiões, erro que hoje elas próprias tentam consertar.

Erros que levarão tempo para serem reajustados?

O surgimento da nossa espécie, a partir do momento em que nos organizamos em sistemas urbanos, tornou nossa relação complexa. Agredimos muito, nos trancamos em paredes e achamos que, por meio de tecnologias, resolvemos tudo. É preciso perceber como as coisas funcionam. Não estamos isolados. Nosso corpo é formado por milhares de sistemas dentro de sistemas. Átomos que formam moléculas, células e tecidos; que formam o indivíduo humano, sociedades, populações, biota, ecossistema global, sistema solar, galáxia e cosmos. E, se regredir abaixo do átomo, tem os níveis de energia. Somos macro e micro ao mesmo tempo. Tanto religião quanto educação, enfiaram em nossas cabeças que somos indivíduos. Não! Somos elementos de um todo. Ao mesmo tempo pequenininhos e gigantescos. Não somos os donos da história. Temos, também, nossa importância cósmica. Não falamos mais em educação ambiental para pensar globalmente e agir localmente. É muito estreito. Tudo influencia o todo. Precisamos pensar cosmicamente e agir global e localmente.

Natercia Rocha

Diário do Nordeste