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25 de março de 2009

Aumenta a lista de maiores desmatadores da Amazônia ...

A lista dos 36 municípios que mais desmataram a Amazônia foi ampliada nesta terça, dia 24, e agora tem mais sete cidades entre as campeãs de devastação da floresta. Juntos, os 43 municípios foram responsáveis por 55% do desmatamento da Amazônia Legal em 2008, que chegou a 11,9 mil quilômetros quadrados.

É a primeira vez que o ranking, criado em 2007, é atualizado. Dos sete municípios incluídos, quatro são do Pará (Marabá, Pacajá, Ituporanga e Tailândia), um de Mato Grosso (Feliz Natal), um de Roraima (Mucajaí) e um do Maranhão (Amarante do Maranhão).

A inclusão dos municípios levou em conta a área total desmatada, o aumento da taxa de desmatamento nos últimos cinco anos e a derrubada de área igual ou maior que 200 quilômetros quadrados de floresta em 2008. No caso do município de Feliz Natal, por exemplo, o desmatamento saltou de 22 para 207 quilômetros quadrados entre 2007 e 2008.

O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, negou que a ampliação da lista represente falhas na atuação do governo para reprimir o avanço do desmate.

–Os critérios estão mais rígidos. Eu preferi ser cauteloso e conservador nesse caso. A política ambiental está funcionando, é boa, mas ainda é insuficiente, nosso objetivo é o desmatamento zero – afirmou.

Nos 43 municípios da lista fica proibida a autorização para qualquer novo desmatamento (mesmo nos casos em que a legislação ambiental permite) e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) pode exigir o recadastramento de todas as propriedades da região, a partir de um novo georreferenciamento. Além disso, os produtores dessas cidades estão sujeitos às restrições de crédito agrícola impostas pelo Conselho Monetário Nacional a quem tem irregularidades ambientais.

O ministro também anunciou os critérios para exclusão do ranking do desmatamento. Segundo Minc, a lista deverá ter uma nova modificação nos próximos dois meses, com a saída de três municípios, os matogrossesenses Alta Floresta, Porto dos Gaúchos e Nova Maringá. Para a saída da lista, além da redução do desmatamento anual, a derrubada em 2008 deve ter sido de no máximo 40 quilômetros quadrados e 80% do território devem estar cadastrados regularmente junto aos órgãos fundiários.

– Pelo critério do desmatamento, (três municípios) já poderiam ter saído. Mas ainda falta concluir o cadastramento ambiental rural, que deve acontecer nos próximos meses – adiantou.

O ministro atribuiu a redução do desmatamento nos municípios que possivelmente deixarão a lista a ações locais de educação ambiental, atuação de organizações não-governamentais ambientalistas e a medidas governamentais de combate ao desmatamento, como operações da Polícia Federal e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

Fonte: Agência Brasil.

Confira a lista do 43 municípios que mais desmataram a Amazônia (em ordem alfabética):

Alta Floresta (MT) *
Altamira (PA)
Amarante do Maranhão (MA)
Aripuanã (MT)
Brasil Novo (PA)
Brasnorte (MT)
Colniza (MT)
Confresa (MT)
Cotriguaçu (MT)
Cumaru do Norte (PA)
Dom Eliseu (PA)
Feliz Natal (MT)
Gaúcha do Norte (MT)
Itupiranga (PA)
Juara (MT)
Juína (MT)
Lábrea (AM)
Machadinho D%27Oeste (RO)
Marabá (PA)
Marcelândia (MT)
Mucajaí (RR)
Nova Bandeirantes (MT)
Nova Mamoré (RO)
Nova Maringá (MT) *
Nova Ubiratã (MT)
Novo Progresso (PA)
Novo Repartimento (PA)
Pacajá (PA)
Paragominas (PA)
Paranaíta (MT)
Peixoto de Azevedo (MT)
Pimenta Bueno (RO)
Porto dos Gaúchos (MT) *
Porto Velho (RO)
Querência (MT)
Rondon do Pará (PA)
Santa Maria das Barreiras (PA)
Santana do Araguaia (PA)
São Félix do Araguaia (MT)
São Félix do Xingu (PA)
Tailândia (PA)
Ulianópolis (PA)
Vila Rica (MT)

* Deverão ser excluídos da lista, de acordo com o MMA

UPDATE: confira as duas portarias no DOU.

PORTARIA No- 102, DE 24 DE MARÇO DE 2009
Dispõe sobre a lista de Municípios situados no Bioma Amazônia onde incidem ações prioritárias de prevenção, monitoramento e controle do desmatamento ilegal.


PORTARIA No- 103, DE 24 DE MARÇO DE 2009
Dispõe sobre os requisitos para que os municípios listados pelas Portarias nos 28, de 24 de janeiro de 2008 e 102, de 24 de março de 2009, do Ministério do Meio Ambiente passem a integrar a lista de Municípios com desmatamento monitorado e sob controle.

Com desmatamento não há lucro futuro...

Um relatório da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) divulgado esta semana trouxe dados preocupantes sobre o desmatamento no mundo. O relatório coloca o Brasil em péssima situação quanto à conservação de suas matas.

No estudo, que analisa a perda absoluta de florestas entre 2000 e 2005, o Brasil figura como responsável por 42% de hectares da mata cortada em todo o mundo nesse período. O total mundial chegou a 7,3 milhões de hectares. No Brasil, a perda foi de 3,1 milhões de hectares anuais.

No Brasil, segundo a FAO, houve uma aceleração no desmatamento em comparação com o período entre 1995 e 2000. Naqueles anos, os cortes totalizaram 2,6 milhões de hectares.

O mundo perdeu a cada dia 200 quilômetros quadrados de florestas. E as projeções futuras do órgão da ONU apontam para a continuidade desse processo de devastação. Em nosso país, a expansão da agricultura e da pecuária e também a produção de biocombustíveis são elementos de estímulo ao crescente desmatamento.

Este relatório da FAO compilou dados até 2005, mas de lá para cá todos os estudos mostram que o desmatamento tem aumentando bastante e em alguns casos até com a justificativa de que isso faz parte do desenvolvimento econômico. Tal equívoco é estimulado pelo próprio presidente Lula quando ele diz coisas como que “entre um cerradinho e a soja” ele fica com a soja.

Colocar a destruição ambiental como um ônus inerente ao progresso é um raciocínio que favorece apenas aos que buscam o lucro fácil sem consideração com os graves problemas criados para toda a humanidade. Para este tipo de desenvolvimento econômico sem dúvida é imprescindível a destruição do meio ambiente.

Porém, esta é uma dicotomia falsa. Não pode haver conflito entre a preservação do meio ambiente e o progresso, pois quando isso acontece o próprio desenvolvimento acaba sendo de curto prazo, com o risco inclusive de um retrocesso que pode custar mais caro que os lucros obtidos durante a experiência.

A situação do planeta no aspecto ambiental é tão delicada que até proposições tidas como positivas para o equilíbrio ecológico exigem um debate aprofundado, pois onde parece existir uma solução pode estar o agravamento do problema.

A questão do biocombustível está neste plano. Quando a produção do biocombustível avança sobre nossas florestas, então o argumento ecológico deixa de fazer sentido. Aí o projeto deixa de atender a expectativa principal e se restringe ao aspecto meramente econômico.

Há cerca de um ano o jornalista Washington Novaes, um pioneiro brasileiro em ecologia e um dos melhores textos na área, escrevia sobre a produção do biocombustível na Indonésia, outro país campeão mundial em desmatamento.

Na Indonésia o desmatamento ocorre em florestas encontradas em pântanos turfosos. Isso acaba provocando a liberação intensa de dióxido de carbono, já que na turfa de áreas como essas, no Sudeste Asiático, estão armazenados cerca de 155 bilhões de toneladas de CO2, o que dá seis vezes as atuais emissões anuais no mundo. Os dados ele extraiu da revista New Scientist.

Então Novaes faz a pergunta inevitável: “Vale a pena, por exemplo, desmatar uma área e drenar o terreno turfoso, se ele libera 30 vezes mais dióxido de carbono do que a redução que é conseguida com o biocombustível produzido naquela área?”

São questões como essa que devemos avaliar quando nos defrontamos com números como estes divulgados agora pela FAO. Para onde nos leva um desenvolvimento econômico que agride o meio ambiente, provoca o aquecimento da Terra e cria outros problemas globais, além de deixar em nosso próprio país o terreno devastado e imprestável para o futuro?

Evidentemente fazemos uma pergunta retórica. O destino reservado aos brasileiros por um modelo como este pode ser previsto pelos problemas que já vivemos atualmente. E não podemos esperar a conta do futuro para só então denunciar que um progresso à custa do meio ambiente não vale sequer o seu lucro imediato.

** Texto do Movimento Água da Nossa Gente

EcoDebate a partir do sítio da SBEF.

25 de dezembro de 2008

Mudança climática: Outro ano de fenômenos extremos...

As temperaturas registradas este ano foram, em média, as mais altas desde 1850, quando os cientistas começaram a registrá-las, afirmou a Organização Meteorológica Mundial (OMM) em seu último estudo sobre a mudança climática. A ocorrência de fenômenos meteorológicos extremos, como inundações devastadoras, secas severas e persistentes, tempestades de neve e ondas de calor, se registrou em vários países, segundo esta agência da Organização das Nações Unidas.

O estudo da OMM mostra que este ano a temperatura média da terra e do mar foi 0,31 grau superior às registradas entre 1961 e 1990. A informação anterior a 2008 se baseia em dados obtidos por estações meteorológicas em terra, navios, bóias e também via satélite. “Em 2008, voltaram a ser registradas temperaturas superiores à média na Europa”, disse Carine Richard-Van Maele, da OMM. “Uma vasta zona geográfica, incluindo Sibéria e partes da Escandinávia, teve um inverno notoriamente mais suave”.

Na maior parte da Europa, janeiro e fevereiro foram “muito suaves’, com temperaturas média sete graus maiores do que na Escandinávia. De fato, para os moradores dessa região foi o inverno mais temperado em mais de cem anos. Mas, o inverno passado teve um frio incomum na maior parte da Eurásia. Em algumas regiões da Turquia, na mesma temporada foram registradas as temperaturas mais baixas em quase 50 anos. “Este inverno extremamente frio fez centenas de vítimas no Afeganistão e na China”, afirmou Maele.

Os dados mostram que fevereiro também foi um mês muito frio nos Estados Unidos. A região centro-ocidental do país, por exemplo, registrou temperaturas médias entre quatro e cinco graus abaixo do normal em algumas áreas. Quanto às mudanças abruptas das condições climáticas, os pesquisadores da OMM disseram que algumas zonas da América Central foram atingidas no meio do verão por uma onda de frio com temperaturas abaixo dos seis graus.

Por outro lado, em julho, em algumas zonas da América do Sul houve uma onda de calor com temperaturas 3% acima da média, no que foi o mês de inverno mais quente dos últimos 50 anos. O mesmo ocorreu no sul da Austrália, onde houve uma onda de calor sem precedentes com altas temperaturas. Adelaide teve o verão mais longo e quente de sua história. As variações dos padrões climáticos causaram as secas e inundações mais prolongadas e as tempestades mais devastadoras em muitas partes do mundo, segundo os especialistas da OMM.

O sul da província canadense de Colúmbia Britânica, por exemplo, sofreu seu quinto período mais seco em meio século. Na Europa, Espanha e Portugal foi registrado o inverno mais seco em décadas. Na América do Sul, uma grande parte de Argentina, Paraguai e Uruguai sofreram situação semelhante. O estudo também se estende às conseqüências devastadoras de inundações e ciclones em numerosos países. Bangladesh, Índia, Paquistão e Vietnã foram consideradas as nações mais prejudicadas e onde dezenas de milhares de pessoas perderam suas casas e mais de 10 milhões tiveram de ser reassentadas.

Os pesquisadores da OMM disseram que a camada de ozônio aumentou este ano sobre a Antártida em relação a 2007. Além disso, o gelo do mar Ártico atingiu seu segundo nível mais baixo desde que começaram as medições via satélite em 1979. Tendo em conta as mudanças dramáticas das condições climáticas e seu impacto no meio ambiente e na economia mundiais, a ONU divulgou na terça-feira novas pautas para ajudar os países a coletarem informação importante que permitirão enfrentar os desastres naturais.

“Para evitar que os desastres naturais sejam responsabilidade da atividade humana, precisamos de sistemas efetivos para identificar necessidades, gerir dados e ajudar a reduzir as respostas calibradas”, disse John Holmes, subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários. Esses sistemas podem ser proveitosos para a coordenação da distribuição de suprimentos em tempo e forma, diz Holmes na introdução do informe “Dados contra desastres naturais”, apresentado na terça-feira.

“A eficiência da resposta é especialmente importante porque, como agora fica claro, a vulnerabilidade diante dos desastres naturais e a ineficiência na distribuição da ajuda causa perdas econômicas desnecessárias, maior sofrimento e aprofunda a pobreza”, afirma. Baseando-se em estudos de caso como o tsunami do oceano Índico que em 2004 atingiu Indonésia e Sri Lanka, os últimos furacões na Guatemala, Moçambique e Haiti e o terremoto de 2005 no Paquistão, o livro destaca a necessidade de criar sistemas de gestão de informação para conseguir uma resposta efetiva aos desastres. “Deve-se reunir dados básicos antecipadamente como parte da preparação para responder aos desastres. As operações de busca e resgate, evacuações e os cuidados com as vítimas de tramas devem estar coordenadas”, acrescenta o livro.

Fonte: Envolverde.

6 de outubro de 2008

Planeta Terra no vermelho...

Dia 23 de setembro foi o Earth Overshoot Day, que em 1955 se desencadeou quase dois meses mais tarde. As projeções das Nações Unidas: sem adoção de medidas, em 2050 encerraremos no dia primeiro de julho.

É o dia em que a renda anual à nossa disposição acaba e os seres humanos vivos continuam a sobreviver pedindo um empréstimo ao futuro, ou seja, retirando riqueza aos filhos e aos netos. A data foi calculada pelo Global Footprint Network, a associação que mensura a pegada ecológica, ou seja, o sinal que cada um de nós deixa sobre o planeta retirando aquilo de que necessita para viver e eliminando o que não lhe serve mais, os rejeitos.

O dia 23 de setembro não é uma data fixa. Por milênios o impacto da humanidade, em nível global, foi transcurável: era um número irrelevante no que se refere à ação produzida pelos eventos naturais que modelaram o planeta. Com o crescimento da população (o século vinte começou com 1,6 bilhões de seres humanos e concluiu com 6 bilhões de seres humanos) e com o crescimento do consumo (o energético aumentou 16 vezes durante o século passado) o quadro mudou em períodos que, do ponto de vista da história geológica, representam uma fração de segundo.

Em 1961 metade da Terra era suficiente para satisfazer as nossas necessidades. O primeiro ano em que a humanidade utilizou mais recursos do que os oferecidos pela biocapacidade do planeta foi 1986, mas, daquela vez o cartãozinho vermelho se ergueu no dia 31 de dezembro: o dano ainda era moderado. Em 1995 a fase do superconsumo já devorara mais de um mês de calendário: a partir de 21 de novembro a quantidade de madeira, fibras, animais e verduras devoradas ia além da capacidade dos ecossistemas de se regenerarem; a retirada começava a devorar o capital à disposição, num círculo vicioso que reduz os úteis à disposição e constringe a antecipar sempre mais o momento do débito.

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14 de julho de 2008

Aquecimento global já faz peixes migrarem...

Mudanças de temperatura provocado pelas alterações climáticas terão um forte impacto sobre as pescas e da aquicultura, relatou na quinta-feira a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO).

O FAO realizou uma reunião nesta semana em Roma sobre o tema, que pretende traçar uma imagem detalhada dos desafios que irão enfrentar a pesca marinha e os milhões que dela dependem para a sua renda e de alimento. Na reunião participaram cerca de 200 especialistas e autoridades políticas da pesca em todo o mundo.

De acordo com este organismo, ao contrário de espécies terrestres, aquáticos variar o seu corpo, dependendo da temperatura ambiente. Qualquer mudança na temperatura do seu habitat afeta seu metabolismo, afetando o seu crescimento, produtividade, de reprodução e de sensibilidade para doenças sazonais e toxinas.

Além disso, a agência observou que já sentiu os efeitos das alterações climáticas. O Atlântico mostra sinais claros de aquecimento de águas profundas e que tenham sido observadas alterações na distribuição de pescado. A água morna espécies estão se movendo em direção ao pólo. Além disso, há alterações na salinidade dos oceanos devido ao degelo e aumentou chuva.

O FAO salientou que o peixe é um dos produtos alimentares mais comercializados em todo o mundo e que cerca de 42 milhões de pessoas estão diretamente empregados no setor da pesca, principalmente nos países em desenvolvimento.

Fonte: ONU Brasil (espanhol). Vi no Portal do meio Ambiente.

Brasil é líder total em desmatamento, mostra novo estudo...

As florestas tropicais do mundo todo encolheram o equivalente a mais de um Estado de São Paulo entre 2000 e 2005. E quase metade dessa destruição aconteceu --onde mais?-- no Brasil.

Os dados são de um estudo americano publicado na edição de hoje da revista "PNAS". Eles mostram que, nesses cinco anos, o país foi campeão de área absoluta desmatada e de velocidade de devastação. A análise, justiça seja feita, não capturou todo o período no qual o desmatamento esteve em queda no país (entre julho de 2004 e agosto de 2007).

Mesmo assim, com 3,6% de perda na Amazônia em relação ao total de floresta que havia em pé no ano 2000, o país ganhou até da Indonésia --dona da indústria madeireira mais predatória do mundo. Na África, onde a pressão do agronegócio industrial ainda não chegou, a taxa foi de 0,8%.

O estudo, liderado por Mathew Hansen, da Universidade do Estado de Dakota do Sul, contabilizou 272 mil quilômetros quadrados de florestas perdidas na América Latina, na África e no Sudeste Asiático.

A fatia do leão coube ao Arco do Desmatamento brasileiro, em especial Mato Grosso. "Por área, o Brasil responde por 47,8% de toda a derrubada de florestas tropicais, quase quatro vezes mais do que o segundo maior [desmatador], a Indonésia, que tem 12,8% do total", dizem os pesquisadores.

Apesar de sistemas de monitoramento do desmatamento não serem novidade nenhuma para um país como o Brasil, o novo trabalho é um dos primeiros a estipular a área desmatada nesse bioma no mundo todo. Esse tipo de monitoramento é crucial numa época em que o mundo reconhece a importância do desmatamento como fonte de gases-estufa e que países tropicais pleiteiam receber dinheiro na forma de créditos de carbono por controlá-lo.

"Muitos países não têm sistemas como o do Brasil, então a abordagem pode ser útil na capacitação para monitorar florestas", disse à Folha Ruth DeFries, da Universidade de Maryland, co-autora do estudo.

DeFries e colegas desenvolveram uma metodologia que combina imagens dos satélites Modis (mais rápidos) e Landsat (mais preciso). Em vez de olhar imagem por imagem de país por país, o grupo pegou uma amostra limitada de imagens e extrapolou o desmatamento para regiões vizinhas. "É uma abordagem estatística" diz Carlos Souza Jr., do Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia), que já trabalhou com DeFries.

Segundo ele, a correlação encontrada pelo grupo foi "muito boa". Ou seja, a notícia é muito ruim.

Fonte: Folha On Line.

8 de julho de 2008

Destinação do lixo é desafio...

O Brasil gera diariamente cerca de 141 mil toneladas de resíduos sólidos por dia, segundo dados da Associação Brasileira de Empresas Públicas e Resíduos Especiais (Abrelpe). O volume assustador de lixo produzido é ainda mais preocupante quando estima-se que 59,5% desse total são dispostos inadequadamente no ambiente, e apenas 3,8% são reciclados ou compostados. Esses números mostram a necessidade de ampliação de investimentos público-privados e da conscientização da população no que diz respeito à questão do lixo urbano e seus efeitos no meio ambiente.

A capital mineira tem um exemplo de um aterro sanitário de sucesso, cuja vida útil foi encerrada depois de 32 anos. Agora, estuda alternativas para o futuro. O caso de Belo Horizonte e exemplos de aterro consorciado e de concessão dos serviços de limpeza urbana para a iniciativa privada foram algumas experiências apresentadas no 6º Seminário Meio Ambiente e Cidadania, promovido pelo HOJE EM DIA, no último dia 17.

Segundo o diretor operacional da Superintendência de Limpeza Urbana de Belo Horizonte (SLU), Edmundo Martins, a população de BH gera cerca de 54,52 Kg de resíduo por minuto. A quantidade de resíduo aterrado na cidade é de 4.430 toneladas por dia, o que representa em média 94% do total. São dados bastante positivos, já que o aterro sanitário é uma destinação ambientalmente correta para o lixo.

Leia a matéria completa aqui.

Fonte: Ambiente Brasil.

27 de junho de 2008

GTA e o relatório do desmatamento em Rondônia...

Não havia comentado o relatório do GTA ainda pois a organização não havia liberado o material na íntegra, o que acontece só agora. O relatório é muito bom e fortalece a tendência de acompanhamento contínuo e fiscalização pela qual passa toda a Amazônia Legal, em especial as áreas localizadas na fronteira de expansão agrícola e pecuária, como aqui em Rondônia.

O estudo foi lançado em 16/06/08, em Cacoal/RO, e reúne pela primeira vez dados sobre o desmatamento e a grilagem em áreas protegidas de Rondônia e aponta os responsáveis e co-responsáveis pelo processo que coloca o Estado entre os maiores devastadores da Amazônia. Veja o relatório aqui ou clique na imagem acima.

Produzido nos últimos nove meses pelo Grupo de Trabalho Amazônico (GTA-RO), o dossiê “O Fim da Floresta? A Devastação das Unidades de Conservação e Terras Indígenas no Estado de Rondônia” traz dados sobre a grilagem e a retirada de madeira ilegal de Terras Indígenas, reservas extrativistas, florestas e parques estaduais e nacionais, áreas de proteção permanente e outras, revelando os laços que unem o setor madeireiro, agropecuário e grileiros à elite política do estado.

A divulgação do dossiê, acompanhada por um grupo de cerca de 30 indígenas, foi conduzida por lideranças Suruí, cuja terra Sete de Setembro é um dos casos tratados no dossiê. Contando com a presença da prefeita de Cacoal, representantes do programa de cooperação da ONU USAID, da Polícia Federal, da Funai, do Agência Nacional de Inteligência (Abin) e do programa Google Earth, entre outros, a cerimônia foi encerrada com uma fala do cacique Almir Suruí, que entregou cópias do documento às autoridades presentes com a cobrança de uma agenda futura que discuta a solução dos problemas apontados.

O documento, que havia sido entregue antecipadamente ao ministro Extraordinário de Assuntos Estratégicos, Roberto Mangabeira Unger, foi apresentado aos conselheiros do Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente), ao Conaflor/CGFLOP (Conselho Nacional de Florestas), à Frente Parlamentar Ambientalista e aos ministros do Meio Ambiente, Carlos Minc, e da Justiça, Tarso Genro e ao presidente Lula.

Fonte: GTA.

26 de junho de 2008

Desmatamento cai em maio, mas tendência ainda é de alta...

Em maio de 2008, de acordo com SAD, o desmatamento atingiu 294 quilômetros quadrados na Amazônia Legal. Isso representa uma queda de 26% em relação a maio de 2007 quando o desmatamento somou 397 quilômetros quadrados.

No acumulado do período (agosto de 2007 a maio de 2008), o desmatamento totalizou 4.142 quilômetros quadrados contra os 3.870 quilômetros quadrados do período anterior (agosto de 2006 a maio de 2007). Portanto, houve um aumento de aproximadamente 7% na área desmatada.

Em maio de 2008, o desmatamento foi maior no Pará (60%), seguido por Mato Grosso (17%), Rondônia (13%) e Amazonas (9%). Os demais estados contribuíram com cerca de 1% do desmatamento.

Não foi possível detectar a situação do desmatamento em 36% da Amazônia Legal por excesso de nuvens nessas áreas. A região não-mapeada corresponde ao Estado do Amapá, parte de Roraima, norte e noroeste do Amazonas, centro-norte e norte do Pará. Além disso, como o SAD só detecta desmatamentos acima de 12,5 hectares, a estimativa de desmatamento para maio de 2008 é conservadora.

A maioria (70%) do desmatamento em maio de 2008 ocorreu em áreas privadas ou sob diversos estágios de posse. Foi relativamente expressivo o desmatamento nas Unidades de Conservação alcançando 19%, enquanto os 10% restantes ocorreram em Assentamento de Reforma Agrária. O desmatamento nas Terras Indígenas foi menor do que 1%.

A Floresta Nacional (Flona) do Jamanxim (Oeste do Pará) perdeu 35 quilômetros quadrados em maio de 2008. No acumulado do período (agosto 2007 a maio de 2008), essa Flona já perdeu 44 quilômetros quadrados de floresta.

Fonte: Imazon.

Acesse aqui o último relatório. Esta e outras edições do Boletim Transparência Florestal, além de mapas e gráficos utilizando o dados do SAD, podem ser acessados de maneira interativa no ImazonGeo, um portal de geoinformação sobre a Amazônia. O objetivo do portal é fornecer informações sobre a situação, dinâmica e pressão sobre as florestas e Áreas Protegidas da região. Os dados e as (geo)informações são organizadas em mapas interativos, gráficos e relatórios. Vale o clique.

22 de junho de 2008

É possível viver sem petróleo?

Por Redação Akatu

O mundo se prepara para diminuir a dependência deste recurso, mas enfrenta dificuldades.

Diante da escassez anunciada, dos preços em alta e do aquecimento global, o mundo se prepara para reduzir o uso de uma de suas principais fontes de energia, o petróleo. Produtoras e distribuidoras investem em alternativas. Montadoras testam novas tecnologias para mover carros e caminhões. Mas a tarefa é difícil. Da gélida Sibéria ao tórrido deserto do Saara, não há quem dispense o uso do petróleo. A redução influenciaria a quantidade e o tipo dos bens produzidos na economia mundial – e não se está falando apenas de energia e transporte.

Formado por uma mistura de compostos, o petróleo é matéria-prima essencial nas indústrias de tintas, ceras, vernizes, resinas, extração de óleos e gorduras vegetais, pneus, borrachas, fósforos, fertilizantes e alimentos. A partir de seu refino são extraídos, entre outros, gasolina, diesel, querosene, óleo combustível, lubrificante e parafina. Além disso, as perfurações em busca de petróleo geram também o gás de cozinha, encontrado nos poços de petróleo. Assim, não é à toa que ele tenha sido apelidado de “ouro negro”: o petróleo está presente em uma infinidade de produtos.

Dados fornecidos pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) mostram que o petróleo ocupa uma posição de destaque na matriz energética brasileira, com 37% da oferta de energia primária. Apesar disso, o País começa a fazer sua lição de casa e aprende a depender um pouco menos desse tipo de combustível. É o que ocorre, por exemplo, em Betim, município mineiro conhecido como pólo da indústria automobilística e petroquímica. A cidade é modelo nacional no uso de energias limpas. Betim também participa da campanha internacional denominada Cidades pela Proteção do Clima, destinada a incentivar políticas com medidas quantificáveis para a redução de emissões locais de gases de efeito estufa como forma de melhorar a qualidade do ar e da vida.

Significa que a cidade não apenas utiliza fontes alternativas de energia, mas também se preocupa em racionalizar o uso dos combustíveis fósseis e da eletricidade. Lâmpadas a vapor de sódio, mais eficientes e econômicas, substituem as de mercúrio na iluminação pública. Leis municipais obrigam o uso de veículos oficiais do tipo flex (gasolina e álcool) e a frota de ônibus é movida a biodiesel, que contém um percentual de 2% de fonte energética renovável.

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14 de junho de 2008

Ecologia urbana: a mudança indispensável...

Texto de Manoel Neto e Flávio Shirahige, do Le Monde Diplomatique Brasil, publicado originalmente no site Envolverde. Boa reflexão!

Uma das questões mais comuns que enfrentamos, face à crescente importância da questão ambiental, diz respeito à necessidade de mudarmos hábitos e padrões de consumo profundamente arraigados. Somos educados, há quase um século, em uma cultura do desperdício, dentro de uma lógica de consumo irresponsável, de industrialização predatória, baseada no pressuposto suicida de que os recursos naturais são ilimitados, da mesma forma que a energia barata.

Porém, é cada vez mais evidente que precisamos combater a crise ecológica e transitar para outro padrão de economia, de atividade industrial e de consumo. Como fazer isso? Apresenta-se, por vezes, uma disjuntiva: ou mudanças de consciência e de hábitos práticos do consumidor (quer dizer, reeducação das pessoas e educação das crianças) ou imposição, pelos poderes públicos, de normas e regulamentos aos fabricantes, comerciantes e governos, que seriam obrigados a produzir e tratar de forma sustentável suas mercadorias e serviços. Trata-se de um falso dilema.

É evidente que de nada adianta, por exemplo, separar o lixo para reciclagem se a coleta despejar todos os detritos misturados em um lixão! Também são inúteis legislações que, por falta de respaldo na vida prática das pessoas, não se materializem em novos hábitos e comportamentos, impactando também as atividades produtivas e comerciais. Porém, cidadãos conscientes, atuando politicamente (e não apenas numa perspectiva individual), podem respaldar e impor mudanças na legislação, normas de controle, processos de fabricação e comercializaçã o, procedimentos de fiscalização, etc. Sem isso, as leis ficam no papel.

Tomemos um caso, destacado pelo ambientalista Washington Novaes. "No Brasil, para pilhas e baterias já existe uma resolução (nº 257) do Conselho Nacional do Meio Ambiente, que determina a entrega de pilhas e baterias que contenham cádmio, chumbo, mercúrio e seus compostos, bem como produtos eletroeletrônicos que as incluam, aos estabelecimentos que os comercializam ou à rede de assistência técnica das respectivas indústrias, para que repassem aos fabricantes ou importadores, que deverão reutilizá-los, reciclá-los ou lhes dar destinação final adequada. Mas o cumprimento ainda é escasso, mesmo com o crescimento acelerado da produção de lixo tecnológico" [1]. Esta norma continuará sendo uma legislação "pra inglês ver", com se dizia no Segundo Império, enquanto não for amplamente publicizada pelos governantes e se tornar um hábito do consumidor.

Para evitar esse tipo de situação e também para politizar de forma cidadã as questões ecológicas urbanas, propomos o lançamento de quatro campanhas. Campanhas em que muito pode ser feito em relativamente pouco tempo, particularmente se as iniciativas dos movimentos organizados e da sociedade civil forem capazes de construir ações de grande exemplaridade.

O decisivo é conduzir as quatro campanhas como uma ação encadeada. Isso permitirá gerar sinergia e induzir uma reflexão sobre a o consumo e o descarte dos produtos:

  1. Muitos países têm substituído o uso de sacos plásticos por sacolas e mochilas ou, no limite, por sacos de papel. Campanhas em torno desse tema já vêm sendo desenvolvidas, assim como propostas de restrição ao uso dos sacos plásticos. Mas as iniciativas só prosperarão com uma ampla difusão de informações sobre o caráter nocivo deste tipo de produto - o que exige a participação ativa do comércio, a começar pelas grandes redes varejistas. Precisamos consolidar as campanhas fazendo com que saiam do âmbito individual e sejam assumidas pelos governos, regulamentando e limitando legalmente a utilização das sacolas.
  2. O mesmo se passa com a substituição das lâmpadas incandescentes por lâmpadas frias, muito mais eficientes na relação entre o consumo de energia e a iluminação obtida. Foi um processo iniciado no Brasil no período do "apagão", mas depois abandonado pelo desleixo governamental. Esta é uma campanha central de conscientizaçã o da sustentabilidade em países como Cuba e Venezuela. Os governos dos países centrais também estão adotando legislações que banem a fabricação de lâmpadas incandescentes. São propostas que deveriam ser seguidas também pelos governos federal, estaduais e municipais, além de empresas.
  3. Um terceiro desafio é reverter a tendência ao aumento do consumo da água engarrafada. Este costume arraigou-se profundamente por todo o mundo, já que a água destas garrafas passou a ser vista como segura contra contaminação. Isso até pode ter sentido em países onde os sistemas de tratamento de água são precários, mas não é o caso dos países centrais nem na maior parte do Brasil, onde filtros ou bebedouros são igualmente seguros. Valorizar a água encanada é o primeiro passo de uma mudança que terá que afetar todas as embalagens de plástico, as de maior impacto ambiental.
  4. É igualmente indispensável recolher todo material descartado que seja tóxico ou nocivo ao meio ambiente - o que inclui produtos inertes, mas com alto impacto ecológico. É o caso do óleo de cozinha (cuja coleta já é objeto de campanha de uma ONG), de pneus, mas também garrafas de pet, sandálias de plástico e materiais similares. Deve-se, para tanto, fazer valer o que a legislação já estabelece para pilha e baterias, estendendo estes procedimentos para computadores, celulares, eletrônicos, televisores e eletrodomésticos em geral. Isso pode ser agilizado pelos governos municipais e estaduais, com o estabelecimento de postos ou centros de coleta destes materiais, em colaboração com os fabricantes e grandes varejistas. O seu sentido não é somente técnico, mas político, de conscientizaçã o da população e mudança de hábitos de consumo e relações com os processos produtivos e o meio ambiente.

Estas quatro questões devem ser objeto de campanhas cidadãs, com o apoio de empresas (que, em geral, se envolvem nestas atividades como relações públicas) e governos, difundindo a consciência da relação entre padrões de consumo e defesa do meio-ambiente. O mais decisivo, porém, é conduzirmos estas campanhas particulares como uma ação encadeada. Isso permitiria gerar sinergia entre os vários movimentos e induzir uma reflexão sobre a necessidade do consumo e do descarte dos produtos. Tudo isso deve ser trabalhado com uma meta política geral e culminar no desestímulo e proibição da produção e uso de bens de alto impacto ambiental e na generalização da reciclagem dos bens e resíduos descartados como lixo.

Graças ao Educom Verde.

13 de junho de 2008

Por que continua o desmatamento na Amazônia?

Após três anos de queda, a retomada no ritmo de desmatamento na Amazônia, verificada no último semestre de 2007, agora se confirma com os dados divulgados tanto pelo Inpe quanto pelo Imazon — Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia, para o mês de abril de 2008. O aumento é explicável sobretudo pela alta nos preços de produtos como soja e carne. A floresta está sendo derrubada porque, a curto prazo (e para alguns segmentos econômicos) a agropecuária é mais lucrativa do que opções tais como o manejo sustentável, que permite a retirada de madeira e outros produtos sem destruição ambiental. Para entender por que estamos encalhados há mais de três décadas na busca de solução efetiva para esse problema, é preciso conhecer suas causas.

O desmatamento é relativamente recente na história amazônica. Foi impulsionado a partir da década de 70 pelo governo federal por meio de incentivos para a ocupação da região. Passou de 0,5% do território da floresta original, em 1975, para quase 18% — ou mais de 740 mil quilômetros quadrados — até 2007, área equivalente à soma dos estados de Minas Gerais e Paraná. Além disso, da floresta remanescente estima-se que cerca de um terço já tenha sofrido algum tipo de pressão, como exploração madeireira predatória e incêndios. Isso significa que a situação é muito mais crítica do que sugerem os dados do desmatamento recém-divulgados.

Por que o desmatamento persiste na Amazônia? A explicação mais plausível é que ele gera benefícios econômicos e políticos para segmentos que lá atuam. O Imazon chama isso de padrão “boom-colapso”: nas novas áreas desmatadas (municípios de fronteira), ocorre rápido e efêmero crescimento na renda e no emprego, porém com altos custos em termos de violência rural e degradação ambiental. A médio prazo, em geral após uma década, os indicadores socioeconômicos pioram e esses municípios entram em colapso social, econômico e ambiental. É o pior dos mundos — natureza destruída e manutenção ou agravamento da pobreza.

Leia aqui todo o artigo de Adalberto Veríssimo.

A questão da antropização da Amazônia vai além da extinção de espécies...

Fronteira Rondônia/Mato Grosso. Foto: Jeison T.Alflen
A extinção de uma espécie é um fato cruel, porém nos constantes e famigerados desmatamentos aqui na Amazônia onde diversas espécies arbóreas podem vir a ser extintas, toda comunidade é atingida. Desde o seu nível mais elementar, como a comunidade bacteriana, ao maior dos animais que habita o ecossistema. Não bastasse a erradicação de espécies nativas, estimula-se a proliferação de espécies exóticas cujas conseqüências ao meio são, muitas vezes, desconhecidas.

Da mesma forma que a extinção se dá em todos os níveis, a introdução de espécies afeta profundamente o meio ambiente. Desde espécies arbóreas exóticas, como a teca e animais de produção de grande porte, como os búfalos, passando pelas culturas anuais, como o café ou a soja, chegando também às comunidades microbianas, sob a forma de novos patógenos ou ainda de agrotóxicos, por exemplo. A conseqüência dessas duas intervenções são igualmente preocupantes e desconhecidas.

Observemos todas as etapas de queda de uma floresta: a derrubada de apenas uma árvore produz um efeito em cadeia semelhante, mantidas as devidas proporções, a uma bomba nuclear. Vários nichos são perdidos automaticamente, desde a vida que se sustenta no alto dos galhos, que possui um ecossistema próprio e único, até as interações que ocorrem ao nível do solo e necessitam tanto da sombra providencial quanto do substrato para sustentação.

Pensar na perda de um desses exemplos é alarmante, mas pensar que todos os mecanismos estão conectados e que a alimentação de todos componentes vivos das partes estão intimamente ligados, para ficar em um exemplo mais óbvio, nos dá uma atmosfera de desolação total. A queda daquela árvore representa agora a queda de dezenas, centenas ou milhares de nichos ecológicamente interligados. A queda de toda floresta amplifica de forma definitiva a tragédia.

Araras na região de Costa Marques/RO. Foto: Jeison T.Alflen

Mas, infelizmente, não para por ai. A introdução não apenas de outras espécies, mas de novas interações com o meio são como “um tiro no escuro” nas áreas deflagradas. A compactação produzida pela esteira do trator, o monóxido de carbono liberado pela combustão de seu motor são exemplos disso. De alguma forma, em maior ou menor grau, o meio ambiente está sendo afetado e incentivado a se manifestar e adaptar buscando novamente o equilíbrio. Isto não é de todo mal e é um dos fundamentos da seleção natural e da evolução. Entretanto, para que obtenha sucesso é necessário que o substrato básico se mantenha, e não é isso que temos observado na constante supressão de qualquer condição de suporte às espécies mais avançadas, restando, muitas vezes, substrato para proliferação apenas de microorganismos.

A inserção de novas espécies animais, vegetais ou microbiológicas, da mesma forma que a retirada dos atores do ecossistema através da degradação de áreas nativas altera profundamente a relação entre as espécies, principalmente através da alimentação e refúgio. Assim como as espécies que não sucumbiram à violência da supressão da vegetação de um local buscarão novos habitats para viverem, novas espécies começarão a habitar o ecossistema impactado, causando descontrole de toda cadeia e conseqüente desequilíbrio ambiental.

Esquece o homem que é apenas mais uma espécie integrante desse mecanismo. Assim como agente fomentador de todo desequilíbrio, sofre com as adaptações promovidas pelo meio ambiente na desesperada luta para sobreviver. Se a mudança no comportamento da microfauna do solo não impressiona, alterações no regime de chuvas, para ficar novamente em um exemplo mais óbvio e veiculado, colocam o homem a par dos efeitos de suas ações.

Recentemente li em um artigo o desabafo de um produtor autuado e “injustiçado” que justificava toda degradação de nosso patrimônio ambiental como conseqüência do progresso. Teríamos que “ter paciência”. Na verdade, à medida que sentimos no dia a dia os efeitos de nossa interferência no planeta, estamos caminhando um passo em busca da correção da situação e, o que é mais importante, na construção de uma sociedade mais sustentável.

9 de junho de 2008

Mudando os hábitos de consumo...

Compilo aqui algumas dicas para mudar nossos hábitos de consumo visando minimizar nossa influência quanto às mudanças climáticas.

A primeira dica é o sítio do IDEC (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor). Neste especial diversas informações sobre vários aspectos do impacto ambiental nos dias de hoje, como por exemplo o que você pode fazer no dia a dia para combater o desmatamento, para economizar energia, para minimizar as emissões provocadas pelo transporte, e para reduzir a produção de lixo.

O IDEC propões uma mudança radical. Existe um princípio no direito internacional que se aplica à questão das mudanças climáticas não apenas entre países, mas também para definir qual deve ser a divisão de trabalho entre governo, empresas e consumidores: responsabilidades comuns, mas diferenciadas. Queremos dizer que os consumidores têm papel fundamental, mas dependem de alternativas que devem ser estimuladas por políticas públicas conduzidas pelo governo e implementadas pelas empresas, que devem ofertar produtos e serviços “sustentáveis”, ou seja, com menor impacto social e ambiental negativo.

De qualquer maneira, é importante ressaltar que os hábitos do consumidor são uma parte do problema (e da solução). É preciso que governos e indústrias - os quais o consumidor pode, evidentemente, pressionar - contribuam para uma mudança radical nos padrões de produção e consumo.

As pessoas no mundo desenvolvido, como em alguns países e cidades em desenvolvimento – de Manchester e Manhatan a Moscou e Mumbai – podem desde já começar a “deixar o hábito”, segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).

Algumas medidas simples podem reduzir à metade as emissões diárias de CO2 de um indivíduo, com a possibilidade de cortes ainda maiores se alguns setores, como os fornecedores de energia, automobilíticos, aviação e fábricas de eletrodomésticos, contribuírem mais para um estilo de vida global mais ecológico.

Pesquisas demonstram que, por exemplo, se cada passageiro de uma empresa aérea reduzisse para menos de 20kg o peso dos bens e pertences carregados e comprassem aquilo que necessitasse ao chegar, no “duty-free” do saguão de chegada, poder-se-ia reduzir anualmente aproximadamente dois milhões de toneladas das emissões de dióxido de carbono. Leia aqui mais sobre pequenas escolhas para reduzir nosso impacto.

A campanha da ONU intitulada "Deixe o vício do CO2" sugere, entre outras atitudes, que o consumidor coma menos carne de boi e mais verduras, não use escova elétrica para escovar os dentes e desligue seu computador quando não o estiver usando.

O foco da campanha são os consumidores que andam a pé, que não precisam fazer "grandes mudanças, ou grandes sacrifícios", para reduzir pela metade sua cota individual de emissões de gases nocivos ao ambiente, de acordo com o Pnuma, que escolheu a Costa Rica para lançar a iniciativa. Leia mais aqui.

No Folha Online li que o IEA pede "revolução tecnológica" contra emissões de CO2. Segundo a agência, o mundo deve destinar 1% de seus recursos anuais para reduzir à metade as emissões de gases que provocam o efeito estufa até 2050, anunciou a IEA (Agência Internacional de Energia, na sigla em inglês), que pediu "uma revolução tecnológica" para combater o aquecimento global.

Caso não sejam adotadas medidas, as emissões de CO2, um dos principais gases que provocam o efeito estufa, aumentarão 130% até meados do século e a demanda de petróleo subirá 70%, revelou a IEA em um relatório divulgado em Tóquio.

Para reduzir à metade as emissões de CO2, o mundo deveria gastar 45 bilhões de dólares adicionais para desenvolver tecnologias energéticas limpas, ou seja, 1% do PIB (Produto Interno Bruto) médio do planeta, calculou a IEA. "Não há dúvida alguma de que alcançar o objetivo de 50% de redução de emissões constitui um desafio formidável", declarou o diretor executivo da agência, Nobuo Tanaka.

Saiba mais:

2 de junho de 2008

Infográfico: quanto você polui?

Fonte: Blog Ecodebate

Brasil e Indonésia lideram ranking de desmatamento...

Um ranking publicado no relatório Global Monitoring Report, realizado pelo Banco Mundial (Bird) e divulgado no mês passado afirma que, entre 2000 e 2005, o Brasil teria desmatado um total de 31 mil quilômetros quadrados de sua área florestal, seguido pela Indonésia, que desmatou 18,7 mil quilômetros quadrados, e o Sudão, que derrubou 5,9 mil quilômetros de sua área florestal.

O desmatamento nos dois países com as maiores regiões de floresta no mundo vem ocorrendo, predominantemente, devido à transformação de suas áreas florestais em terras agrícolas. Segundo o documento, o desmatamento no Brasil tem sido movido pela demanda por carne, soja e madeira. Na Indonésia, ele tem sido estimulado pela demanda por madeira e por terras para o cultivo de palmeiras que fornecem óleo. Nos dois países, afirma o Bird, o desmatamento tem sido causado "tanto por grandes interesses corporativos como pelo de pequenos proprietários".

Transformação

No Brasil, o relatório afirma que o índice de hectares desmatados foi de 2,7 milhões, entre 1990 e 2000, mas que ele passou para 3,1 milhões de hectares entre 2000 e 2005. Na Indonésia, ao contrário, os índices permaneceram inalterados no mesmo período.

O estudo do Bird afirma que áreas florestais do tamanho de países como Serra Leoa ou Panamá são perdidas anualmente devido a sua transformação em terras agrícolas. As regiões mais afetadas têm sido a América Latina e Caribe e a África Subsaariana. O documento afirma que problemas de saúde causados por fatores ambientais são responsáveis por 80% das doenças, entre elas malária, diarréia e doenças respiratórias em todo mundo.

O relatório afirma que a maior parte dos países não conseguirá cumprir as chamadas Metas do Milênio até 2015. As oito metas foram fixadas em 2000 por 191 países da ONU. As diferentes nações se comprometeram a implementar até 2015 medidas como pôr fim à fome e a miséria, fornecer educação básica e de qualidade para todos, reduzir a mortalidade infantil, combater a Aids, a malária e outras doenças e promover a qualidade de vida e o respeito ao meio ambiente.

Fonte: BBC Brasil.

DETER verifica 1.123 km2 de desmatamentos na Amazônia em abril...

De acordo com o sistema DETER – Detecção do Desmatamento em Tempo Real, 1.123 km2 da Floresta Amazônica sofreram corte raso ou degradação progressiva durante o último mês de abril. O número foi apresentado na tarde desta segunda-feira (2/6) pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) durante coletiva à imprensa na sede do órgão, vinculado ao Ministério da Ciência e Tecnologia, em São José dos Campos (SP). Confira neste link a nota técnica com todos os dados.

Além dos números do desmatamento em cada estado da Amazônia Legal, o INPE também divulgou o índice de cobertura de nuvens do período analisado. A cobertura de nuvens costuma variar muito de um mês para outro, assim como a localização das áreas encobertas.

Do total verificado pelo DETER em abril, 794 km2 correspondem ao Mato Grosso. Em março, o sistema havia registrado 112 km2 no estado. Porém, no mês anterior 78% da Amazônia estava coberta de nuvens, sendo que 69% do Mato Grosso não pôde ser observado pelos satélites. Já em abril, 53% da Amazônia esteve sob nuvens, mas apenas 14% do Mato Grosso ficou encoberto. Isto indica que a oportunidade de observação no estado aumentou muito de março para abril (conforme Fig 01 e Fig 02).

Em operação desde 2004, o DETER foi concebido como um sistema de alerta para suporte à fiscalização e controle de desmatamento. São mapeadas tanto áreas de corte raso quanto áreas em processo de desmatamento por degradação florestal. É possível detectar apenas polígonos de desmatamento com área maior que 25 hectares por conta da resolução dos sensores espaciais (o DETER utiliza dados do sensor MODIS do satélite Terra/Aqua e do sensor WFI do satélite sino-brasileiro CBERS, com resolução espacial de 250 metros). Devido à cobertura de nuvens, nem todos os desmatamentos maiores que 25 hectares são identificados pelo sistema.

Por estado, o total de áreas em processo de desmatamento na Amazônia em abril:

Distribuição da área de cobertura de nuvem por estado:

Fig 01 - Nuvens em Março/2008

Fig 02 - Nuvens em Abril/2008

Fonte: INPE.

30 de maio de 2008

Amazônia, Mudanças Climáticas e o Cinismo dos Muito Ricos...

A origem do fundo descrito no post abaixo, de uma reserva para aplicação em meio ambiente constituído pelo governo da Noruega com uma taxação sobre a exploração de petróleo no Mar do Norte, está presente abaixo no ótimo artigo de Luiz Prado. Não acho que as negociações de compensação e flexibilização são verdadeiramente "licenças" para poluir, mas servem para fomentar iniciativas em busca de um planeta um pouco mais sustentável. Ou você acha que a Noruega, na inexistência do Protocolo de Quioto, deixaria de explorar os novos campos de petróleo? Toda a questão serve para desenvolver um pensamento reflexivo de todo o "mercado verde" que possui apenas dez anos de existência. Muita água vai rolar por baixo dessa ponte.

Amazônia, Mudanças Climáticas e o Cinismo dos Muito Ricos...

Por Luiz Prado

As empresas de navegação dos países nórdicos e canadenses estão felizes com as mudanças climáticas: já duplicaram, na úlltima década, e ampliam-se rapidamente as condições de trânsito dos grandes cargueiros por rotas do Ártico que até recentemente permaneciam fechadas pelo gelo durante a maior parte do ano. Até mesmo o trâfego de carga de Nova York a Yokohama (Japão) poderá ser feito por distâncias significativamente menores: de 25.000 km através do Canal de Suez ou 18.500 km pelo Canal do Panamá para 15.000 km pelas “novas” rotas do Ártico. “O uso comercial dessas rotas é questão de tempo” - comemoram os executivos dessas empresas, ainda que as condições de segurança ideais possam requerer mais 5 anos de derretimento da calota do Polo Norte.

“Com reservas petrolíferas que já foram estimadas pelo Kremlim em 586 bilhões de barris - algo em torno de 100 vezes maior do que o potencial do mega-campo brasileiro de Tupi -, o mar de Barents, entre a Noruega e a Rússia, poderá em breve se transformar em um novo eldorado energético e já afeta as estratégias de defesa desses países” - informa o jornalista Daniel Rittner, de Estocolomo, em publiação do Valor Econômico de 19 de maio de 2008. A Noruega já encomendou 48 novos caças militares para proteger essas rotas.

Para os “verdes”, que não gostam de Real Politik ambiental, vale dizer que nos dias 27 e 28 de maio, reuniram-se, na capital da Groenlândia, Illulissat, representantes da Rússia, Canadá, EUA, Dinamarca e Noruega para discutir o controle das reservas petrolíferas e minerais que se abrem rapidamente à exploração comercial em decorrência do degelo. “Cientistas norte-americanos estimam que na região encontram-se 25% das reservas mundiais de petróleo e gás natural”.

A Groenlândia é um “estado” autônomo da Noruega. Nos termos dos tratados internacionais em vigor, cada país tem direitos exclusivos sobre a exploração dos recursos naturais numa faixa de 200 milhas. Mas qualquer país pode ir além desses limites se provar que a sua plataforma continental é mais extensa.

Esses países pretendem abocanhar o maior pedaço possível dessa áreas alegando tratar-se de um prolongamento de suas plataformas continentais. Na prática, as possibilidades maiores são da Rússia, do Canadá e da Dinamarca, mas os EUA não se contiveram e enviaram a tediosa Condoleezza Rice à reunião.

Lutam para queimar mais petróleo, principal causa das mudanças climáticas, e falam em proteger a Amazônia e a biodiversidade. Maior cinismo é impossível. Sobretudo quando a Noruega anuncia que será a primeira doadora do Fundo Brasil Amazônia para a proteção das florestas. Doará talvez o equivalente ao preço dos caças militares comprados para proteger os seus interesses nas jazidas de petróleo agora acessíveis em decorrência do degelo no Ártico.

***

A Anistia Internacional divulgou relatório falando sobre terras indígenas e silenciando sobre o genocídio cometido pelos norte-americanos no Iraque, bem como sobre a decisão dos EUA de expandir as prisões abusivas do tipo Guantánamo para outros países. Dose adicional de cinismo no tabuleiro das relaçôes internacionais.

Fonte: Luiz Prado Blog.

29 de maio de 2008

Infográfico: o que polui?

Fonte: Blog Ecodebate

IPVA verde?

Segundo pesquisas realizadas recentemente, pelo menos 40% do que ganhamos são destinados pra pagar impostos. Todos sabem que esse dinheiro na maior parte dos casos não vai pros lugares devidos e pra piorar ainda mais, tem imposto que a gente paga duas vezes. Enfim, tá tudo errado e o IPVA é um dos impostos errados que deveria ser repensado para a realidade de hoje em dia.

Hoje paga-se uma média de 4% do valor do carro todo ano. Carros com mais de 20 anos são isentos. Não vou dizer que é culpa do IPVA, mas ele acabou sendo mais um incentivo para comprarmos carros poluentes. Calma, deixa eu colocar meu ponto. Um cara que compra um carro diesel novo - que polui muito mais o ar e com o barulho, agrava a poluição sonora - paga menos imposto (proporcionalmente) que um popular a álcool, por exemplo. Uma caminhonete a gasolina, consome muito mais que um carro japonês, polui muito mais, e o imposto é o mesmo. Sem falar nos carros velhos, que gastam e poluem muito mais que qualquer outro, tanto o ar como poluição sonora e muitas vezes são isentos de IPVA.

O imposto sobre automóveis em pleno 2008 deveria levar em conta além do valor da caranga, a poluição sonora, a poluição do ar e a utilização de materiais recicláveis na produção. Um carro que polui mais deveria pagar mais imposto que um que polui menos. E faço “mea culpa”, me incluo no perfil dos poluentes com o meu carro, já prometi que vou me desfazer dele e ficar só de bike ainda esse semestre. Agora que eu deveria pagar mais imposto por ele poluir mais que outros, deveria.

Fica a sugestão para os políticos que vem aí esse ano.

Fonte: Update or Die