30 de março de 2008

Plantar uma floresta...

Quem planta uma floresta
Planta uma festa.

Planta a música e os ninhos,
Faz saltar os coelhinhos.

Planta o verde vertical,
Verte o verde,
Vário verde vegetal.

Planta o perfume
Das seivas e flores,
Solta borboletas de todas as cores.
Planta abelhas, planta pinhões
E os piqueniques das excursões.

Planta a cama mais a mesa.
Planta o calor da lareira acesa.
Planta a folha de papel,
A girafa do carrossel.

Planta barcos para navegar,
E a floresta flutua no mar.
Planta carroças para rodar,
Muito a floresta vai transportar.
Planta bancos da avenida,
Descansa a floresta de tanta corrida.

Planta um pião
Na mão de uma criança:
A floresta ri, rodopia e avança.

Luísa Ducla Soares

26 de março de 2008

Empresas superestimam captura de CO2, diz estudo...

Novos dados de campo contabilizados por uma equipe do IF (Instituto Florestal) de São Paulo lançam mais peso sobre a desequilibrada balança dos processos de neutralização de carbono.

O novo estudo diz que, para seqüestrar uma tonelada de carbono da atmosfera num prazo de 20 anos na mata atlântica, são necessárias 9,7 árvores em média - 137% mais que o que é comumente usado pelas empresas que já prestam esse serviço no Brasil.

"É fundamental olhar para o tipo de espécie utilizada [nesses plantios]", afirma à Folha o engenheiro florestal Antônio Carlos Galvão de Melo, da Floresta Estadual de Assis, no interior paulista. O projeto de pesquisa faz parte das atividades do Programa de Recuperação de Matas Ciliares da Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo e conta com a participação da Universidade Federal do Paraná.

Há três tipos de árvores que podem ser usadas na neutralização: as espécies de crescimento lento (como a peroba, a aroeira ou o pau-marfim), de crescimento médio (como a canafístula) e as de crescimento rápido, ou pioneiras (como o angico ou o peito-de-pombo).

Pelos cálculos de Melo, a diferença de absorção de carbono entre esses três grupos é muito grande. Essa divergência está na base da diversidade de valores vista hoje no mercado de neutralização de carbono: por falta de uma metodologia unificada, ela tende a ser ignorada pelas empresas que prestam esse tipo de serviço.

Dependendo da empresa que faz o projeto, o número de árvores para fixar uma tonelada de carbono varia de 1,6 (Brasil Flora) a 6,2 (conforme a conta da Iniciativa Verde).

Num hipotético plantio para neutralizar 100 toneladas de carbono em 20 anos, feito apenas com espécies rápidas, seriam necessárias 311 árvores pelas contas do IF, ou 3.450 plantas de crescimento médio.

No caso das lentas, o projeto de neutralização precisaria plantar e cuidar durante duas décadas de 9.700 mudas.

Outro problema é saber quanto uma árvore (seja qual for o seu tipo) efetivamente contém de carbono. "Os consultores dos projetos de neutralização costumam trabalhar com um teor de carbono equivalente a 50% da biomassa das árvores", explica Melo. O trabalho do IF agora detectou que essa quantidade, segundo um teor médio, é de 41%.

Medidas

Para chegar aos números finais de absorção de carbono, foram abatidas 120 árvores, com idades entre 5 e 36 anos e diâmetro do tronco entre 5 e 57 cm. Todos os espécimes foram retirados de áreas de reflorestamento heterogêneas, localizadas no médio vale do Paranapanema, em São Paulo.

Toda a biomassa e o carbono das folhas, dos ramos, dos troncos e também das quase sempre esquecidas raízes das plantas foram contabilizados.

O objetivo do grupo de pesquisa, com essa medição, é montar equações que vão permitir quantificar o carbono fixado em qualquer árvore utilizando apenas três variáveis: o diâmetro do tronco, a altura e também a idade da planta.

Base científica

A ONG SOS Mata Atlântica, que faz projetos de neutralização de carbono para terceiros, desde o ano passado também está preocupada com a metodologia de suas ações.

Por isso, depois de calcular a necessidade de 1,7 árvore por tonelada (relação usada nos primeiros trabalhos), a ONG hoje usa 3,3 árvores como base.

"Nós estamos nos baseando em estudos feitos pela Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz)", diz Adauto Basílio, diretor de Capacitação de Recursos da ONG.

A pesquisa, de acordo com Basílio, avaliou o comportamento de 50 espécies, metade de ritmo mais lento e metade de crescimento mais rápido. "Acaba sendo uma média, e nós trabalhamos com um intervalo de 20 anos", diz.

De acordo com Melo, do IF, os resultados obtidos no vale do Paranapanema permitem que seja possível estimar o ritmo de fixação de carbono e, a partir disso, qual será o prazo para que determinada meta de neutralização seja obtida.

"É muito estranho que um evento ou empreendimento que emitiu gases-estufa em poucos dias ou meses tenha como objetivo neutralizar as emissões em 20 anos só."

Eduardo Geraque

Fonte: Folha de S. Paulo

Floresta em pé para anular emissões...

Reserva Biológia do Jaru/RO. Foto: Jeison T. Alflen
Resultados de pesquisas realizadas no âmbito do Experimento de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia (LBA) reforçam a hipótese de que manter a floresta em pé faz toda a diferença. Na Amazônia, as árvores estariam “engordando” e consumindo maior quantidade de dióxido de carbono do que emitindo, anulando os efeitos do das queimadas na região, responsáveis pela emissão de grandes quantidades do gás para a atmosfera.

Segundo pesquisadores, ao absorver carbono em excesso, usando o gás para crescimento, a própria floresta estaria limpando da atmosfera gases resultantes da queima de florestas e de combustíveis fósseis que contribuem para o aquecimento global.

Esse cenário, obtido a partir de dados da Rede Amazônica de Inventários e Levantamentos Florestais (Rainfor), desafia a teoria mais clássica da ecologia, sobre o clímax ecológico, de que um ecossistema maduro está em permanente equilíbrio – portanto, com biomassa constante.

“Por aqui, dizemos que estamos revisitando a teoria do clímax”, disse Flávio Luizão, especialista em ecologia de ecossistemas do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (Inpa).

As primeiras indicações desse novo cenário foram percebidas há cerca de dez anos, a partir de dados obtidos em torres metálicas de medição de fluxos de carbono do LBA em Rondônia e em Manaus – hoje, são 16 torres instaladas em áreas variadas da Amazônia brasileira. “Quando percebemos que a floresta estava consumindo mais carbono do que emitindo, começamos a questionar o que ela fazia com esse excedente”, explicou.

A inquietação levou grupos de pesquisadores do LBA, ligados ao Rainfor, à verificação de dados de biometria, medindo a mortalidade e o crescimento de árvores em múltiplos sítios experimentais do experimento, incluindo reservas do Inpa, como as vicinais ZF2 e ZF3, ambas no Amazonas. “Os resultados mostraram que, na região de Manaus, a floresta estava crescendo – e bastante”, afirmou Luizão.

Segundo o pesquisador, após alguns ajustes metodológicos e muitas medições, com a constatação de que em algumas áreas da Amazônia a floresta cresce mais do que em outras – e que há áreas de floresta que não crescem nada ou até diminuem sua biomassa –, foi confirmada a expectativa de que na região como um todo a floresta está crescendo a cada ano e seqüestrando carbono da atmosfera.

Torre da LBA instalada na REBIO Jaru/RO. Foto: Jeison T. Alflen

Essa conclusão, somada aos resultados do LBA indicando que a floresta tem papel determinante na produção de nuvens e chuvas para todo o continente, reforça a necessidade da valoração dos serviços ambientais prestados pela floresta, inclusive como estratégia para frear o desmatamento.

Entretanto, de acordo com o pesquisador do Inpa, existem limites para as quantidades de carbono que a floresta pode absorver para crescimento, o que torna a criação de mecanismos de conservação tão emergencial.

“Percebemos avanços na política ambiental, mas ainda há resistência de alguns setores em aceitar a floresta em pé como prestadora de serviços ambientais, com medidas recompensadoras financeiramente”, avaliou, ressaltando que o crescimento da floresta no chamado “arco de desmatamento” é menor do que em outras áreas da Amazônia.

Fatores de crescimento

Os pesquisadores do LBA pretendem, nos próximos quatro anos, ampliar o monitoramento da biomassa florestal, instalando muitas outras parcelas permanentes de medição em diversas regiões da Amazônia, no Brasil e nos países vizinhos. A expectativa é tentar perceber como esse novo cenário – maior concentração de dióxido de carbono na atmosfera – influencia a estocagem de carbono no solo e o ciclo hidrológico da região.

Além da maior quantidade de carbono disponível na atmosfera, outros dois fatores parecem impactar o crescimento da biomassa das florestas. O primeiro seria a extensão das estações secas. Quanto mais prolongada, menor o crescimento.

“A distribuição das chuvas é um fator importante. Na Amazônia andina chove mais e praticamente não há estação seca, e a floresta cresce mais”, explicou Flávio Luizão.

O outro fator é tão ou mais variável na Amazônia do que o ciclo das estações secas: a fertilidade natural dos solos. Quando cresce a fertilidade do solo, também cresce a biomassa. “Como o carbono também influencia na fertilidade, talvez a qualidade do solo esteja sendo modificada em algumas áreas da região, afetando a capacidade da floresta de absorver carbono da atmosfera”, sugeriu.

Por Michelle Portela, da Agência Fapeam

Fonte: Agência Fapesp

Leia aqui sobre o LBA.

20 de março de 2008

Educação Ambiental...

O domínio .gov, relacionado aos órgãos governamentais, geralmente garante uma gama de informação gratuita e confiável a um clique do mouse.

Já falei do site do IBGE que é sensacional, mas em todos níveis - municipal e estadual - também encontramos ótimas iniciativas.

Hoje falo do sítio do Ministério da Educação, mais precisamente a seção de Educação Ambiental, ligada a SECAD - Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade - com ótimo material de apoio para os educadores. Vale a pena visitar.

Ali nos links de referência tem um atalho pra seção de MDL do Ministério de Ciência e Tecnologia. Também fundamental.


Pálido ponto azul...

Pale Blue Dot: A Vision of the Human Future in Space (legendas em portuguese)



No dia 14 de fevereiro de 1990, tendo completado sua missão primordial, foi enviado um comando a Voyager 1 para se virar e tirar fotografias dos planetas que havia visitado. A NASA havia feito uma compilação de cerca de 60 imagens criando neste evento único um mosaico do Sistema Solar. Uma imagem que retornou da Voyager era a Terra, a 6.4 bilhões de quilômetros de distância, mostrando-a como um "pálido ponto azul" na granulada imagem.


Sagan disse que a famosa fotografia tirada da missão Apollo 8, mostrando a Terra acima da Lua, forçou os humanos a olharem a Terra como somente uma parte do universo. No espírito desta realização, Sagan disse que pediu para que a Voyager tirasse uma fotografia da Terra do ponto favorável que se encontrava nos confins do Sistema Solar.


Há chances de duplicação de parque eólico...

Com dinheiro em caixa, financiamento garantido, licenciamento ambiental aprovado e equipamento assegurado, a duplicação do parque eólico de Osório agora só depende de uma garantia do governo para aquisição da energia gerada.

Ontem, a possibilidade de confirmar um investimento de R$ 800 milhões para produzir mais 150 megawatts (MW) ganhou força depois de uma reunião com o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão.

Além de aceitar o convite para conhecer o maior produtor de energia gerada pelo vento na América Latina - em princípio na primeira quinzena de abril - , Lobão assegurou que o ministério "vai traçar uma política clara" para novos projetos alternativos, segundo o relato do presidente da Ventos do Sul, Telmo Magadan. A empresa, controlada pela espanhola Enerfín, pode duplicar o parque, que hoje tem 75 torres em Osório, em um ano e meio.

Fonte: Zero Hora

Releia aqui o post especial sobre energia eólica.

Ecosecurities erra nas previsões, mas mantém otimismo sobre o processo de aprovação do MDL...

Nesta quinta-feira (13), uma das maiores empresas desenvolvedoras de projetos de carbono do mundo, a Ecosecurities, anunciou uma perda maior do que a esperada em 2007, derrubando em 18% as suas ações. Mas a empresa sediada na Inglaterra disse que a maioria dos problemas são relacionados à aprovação dos projetos pela ONU.

A Ecosecurities prevê “lucros significativos” em 2009, sendo que 2008 será um ano de transição com ganhos financeiros reduzidos; afirma o representante financeiro James Thompson.

A empresa publicou uma perda anual de 43,3 milhões de euros, comparados com os 27,6 milhões esperados pelo analista da KBC Peel Hunt, Andrew Shepherd-Barron.

“O processo para passar através do ciclo de registro no MDL (Mecanismo de Desenvolvimento Limpo) continua muito lento", explica o chefe executivo Bruce Usher. “Apesar da percentagem de projetos retirados para revisão pelo comitê executivo do MDL não ter mudado, nosso desempenho está muito melhor do que a média”, completa.

A Ecosecurities tem tido a maior proporção de projetos aprovados pelo secretariado de mudanças climáticas da ONU desde o alerta sobre seus lucros em novembro, diz Usher, pois a companhia está “priorizando agressivamente” a submissão de projetos de maior valor.

As negociações de compensações de emissão sob o Protocolo de Kyoto têm atraído empresas como a Ecosecurities, que vendem os créditos (chamados RCEs - Redução Certificada de Emissões) para companhias e governos em um mercado secundário equivalente a cerca de 12 bilhões de euros no ano passado.

A empresa perdeu 9,2 milhões de euros em 2005 devido a um contrato que envolvia 900 mil RCEs, cuja entrega a uma empresa das Ilhas Mauritius não foi possível devido a razões técnicas. Os créditos continuam nos livros da Ecosecurities e a empresa espera vendê-los por um preço maior no futuro.

A Ecosecurities possui um portfólio com 400 projetos, que devem entregar reduções de 130 milhões de toneladas de dióxido de carbono até 2012. Cerca de 100 destes projetos já estão registrados e geram créditos sob o MDL.

Além disso, a empresa possui cerca de 837 mil RCEs negociadas a aproximadamente 16 euros a tonelada no mercado secundário, segundo o Index MDL da Reuters.

Por Chris Wills e Michael Szabo/Traduzido por Fernanda Muller, CarbonoBrasil.

Fonte: Reuters

O mercado de carbono está em polvorosa. Leia também o anúncio da Ecosecurities e Credit Suisse sobre a compra de 1,6 milhões de créditos, o novo produto para garantir créditos de carbono do Banco Mundial e o planejamento da Bolsa de Montreal em lançar transações de carbono até 30 de maio.


Compostagem pode se transformar em adubo e virar crédito de carbono...

Um grupo formado por três professores da Unesp de Bauru está há cinco meses realizando um estudo preliminar para reaproveitar os resíduos sólidos urbanos gerados em Lençóis Paulista e transformá-los em adubo. A idéia é que o município, futuramente, consiga créditos de carbono a partir do reaproveitamento do lixo que produz.

Os estudos estão sendo realizados pelos professores Celso Luiz Silva, Jorge Hamada e Nariaqui Cavaguti. Este último é especialista na área de compostagem. Silva, que é professor do curso de engenharia mecânica da Unesp, lembra que os estudos estão bastante adiantados e, possivelmente, uma primeira versão do projeto será concluída no próximo mês.

“O objetivo é organizar e apresentar um projeto exeqüível de compostagem para matéria orgânica. Porque em Lençóis Paulista eles já têm todo um processo de triagem e separação do material que é comercializado (material reciclável)”, comenta.

De acordo com o professor, atualmente o município já separa os materiais recicláveis, mas a maior parte do lixo, no entanto, acaba indo parar no aterro sanitário. Dessa forma, o estudo que está sendo realizado pelos três professores visa criar condições para aproveitar também o lixo composto para fins de adubação. “O que nós resolvemos é organizar como é que seria a rota do material depois que passa pela triagem para realmente ter uma eficiência máxima em termos do processo de compostagem”, diz Silva.

“Como resultado deste processo, nós temos um composto que tem qualidades, principalmente, para adubação. A idéia é destiná-lo para toda parte de adubação das plantas, dos viveiros municipais e praças. E ainda tem uma quantidade que está sendo oferecida para parceiros da prefeitura”, detalha.

O professor evita falar em números, mas a expectativa é de que possa ser gerado até cinco toneladas/dia de adubo a partir do aproveitamento dos resíduos sólidos urbano de Lençóis Paulista. Ele ressalta que a prefeitura terá de investir na adequação do pátio, onde atualmente o lixo coletado é depositado. “Vamos tentar fazer o melhor com o menor custo. A idéia é aproveitar a área que já tem. Vai ter que dar uma arrumada, claro, mas é suficiente em termos de área”, garante.

Créditos de carbono

O segundo ponto do projeto, segundo o professor Celso Luiz Silva, é pleitear os créditos de carbono para o município de Lençóis Paulista a partir do projeto que será desenvolvido pelo grupo de professores. Créditos de carbono são certificados emitidos quando ocorre a redução de emissão de gases do efeito estufa. Eles criam um mercado para a redução desses gases dando um valor monetário a poluição.

“Implantando o projeto de uma maneira técnico científica adequada, nós teríamos condições de pleitear os créditos desde que o composto resultante tenha uma destinação. É uma das condições”, confirma. O professor lembra que já está sendo preenchido o formulário que pleiteia os créditos de carbono e que o documento será encaminhado, pela Prefeitura de Lençóis Paulista, para o Ministério da Ciência e Tecnologia. “Estamos trabalhando em cima deste documento”, revela.

Acordos internacionais, como o Protocolo de Quioto, determinam uma cota máxima que países desenvolvidos podem emitir gases que comprometam ainda mais o efeito estufa. Os países por sua vez criam leis que restrigem as emissões de gases. Assim, aqueles países ou indústrias que não conseguem atingir as metas de reduções de emissões, tornam-se compradores de créditos de carbono.

Davi Venturino

Fonte: Jornal da Cidade/Bauru

Sintetizando...

"É preciso haver cidadãos e líderes alfabetizados no aspecto ambiental para construir sociedades mais sustentáveis e justas."

G. Tyler Miller Jr.

19 de março de 2008

Satélites da Nasa confirmam degelo na calota polar ártica...

A espessura de trechos de gelo ártico mais antigos continuou diminuindo em decorrência do aumento das temperaturas globais, revelaram as últimas fotografias por satélite divulgadas pela Nasa, a agência espacial americana.

De acordo com dados fornecidos pela agência, há alguns anos o gelo perene cobria entre 50% e 60% do Ártico. Neste ano, cobre menos de 30%.

"A diminuição do gelo perene reflete a tendência de aquecimento climático a longo prazo e é resultado de um maior degelo no verão (hemisfério norte) e de um maior afastamento do gelo mais antigo" da zona polar, disse a Nasa em comunicado.

O satélite Icesat (Ice, Cloud,and land Elevation Satellite) destinado exclusivamente a registrar alterações na cobertura de gelo das regiões polares faz parte do Sistema de Observação da Terra, ou Earth Observing System (EOS), um programa da NASA que constitui numa série de satélites artificiais cujas missões e instrumentos científicos são designados para observação de longo alcance da superfície da Terra, bem como sua biosfera, atmosfera e seus oceanos. O primeiro satélite do programa foi lançado em 1997 e todas suas missões podem ser vistas aqui.

Neste sítio a NASA disponibiliza os produtos gerados pelo satélite e para saber mais leia sobre o assunto entendendo as lições das calotas polares para o clima.

Leia a notícia na íntegra, visitando sua origem, no sítio da Terra.

16 de março de 2008

Fotos do aquecimento...

No sítio da Folha você pode ver algumas fotos relacionadas ao aquecimento global. Entre elas o branqueamento dos corais em Belize e o recuo das geleiras na Patagônia. Confira aqui.

Ví no blog do Fábio Deboni.

A relação pegada ecológica - consumo: que marcas queremos deixar no planeta?

Palestra com o ambientalista Irineu Tamaio chama atenção para o uso excessivo dos recursos naturais, o consumismo exagerado e a degradação ambiental

A Semana do Consumidor com o tema: Consumidor, Cidadania e Meio Ambiente, realizada pelo Governo do Estado por meio do Procon, apresenta uma programação que envolve a posse dos conselheiros do Conselho Estadual de Defesa do Consumidor, painéis temáticos, exposição de xilogravuras, apresentação de espetáculo teatral e palestras.

Entre as palestras "A relação pegada ecológica - consumo: que marcas queremos deixar no planeta?" será apresentada por Irineu Tamaio, doutor em Desenvolvimento Sustentável pela Universidade de Brasília-UnB, nesta quarta-feira, 12, às 10 horas, na Biblioteca da Floresta Marina Silva.

O conceito de Pegada Ecológica foi criado pelo WWF-Brasil, com o propósito de chamar atenção dos brasileiros para uma ação integrada pelo meio ambiente. O que significa Pegada Ecológica? Para o ambientalista é uma ferramenta de leitura e interpretação da realidade, a visão da intensidade das ações do homem na natureza. Uma forma de chamar à atenção para o uso excessivo dos recursos naturais, do consumismo exagerado e da degradação ambiental.

"Se você pisa mais firme na areia seu rastro será mais visível, mas se você é mais cauteloso então suas pegadas serão menos agressivas e as marcas não ficarão tão visíveis. A Pegada foi criada para nos ajudar a perceber o quanto de recursos da natureza utilizamos para sustentar nosso estilo de vida".

Diante do consumismo exagerado, Irineu explica que a Pegada na realidade irá medir a capacidade que os seres humanos possuem de se apropriarem desses recursos.

"Vivemos desses recursos, mas cada vez mais aumentamos o nosso consumo. Será que a natureza tem a capacidade de repor a quantidade que de fato nós consumimos? O que a Pegada Ecológica tem mostrado é que não. Que nós humanos aumentamos muito esse padrão: eletrodomésticos, energia, água, roupa, alimentos industrializados. Tudo isso gera o que? Lixo e mais recursos da natureza".

Dados comprovam que desde a década de 80 a natureza não consegue mais responder ao nível do consumo, 25% a mais do que é retirado da natureza, não tem capacidade de ser reposto, isso significa que num futuro não muito distante, os recursos não serão mais suficientes para atender a vida dos humanos e haverá uma disputa bem maior por eles.

"A Pegada ela mede isso, ela mensura com a capacidade. É um pouco complicado explicar a Pegada, porque é uma metodologia que mensura deste a habitação, transporte, alimentação, consumo de gasolina, consumo da carne, energia. Por exemplo, a sociedade americana tem um nível de consumo muito alto, então se o mundo inteiro, praticamente 6 bilhões de habitantes, tivessem o mesmo nível de consumo da sociedade norte-americana, nós precisaríamos de nove planetas terra para atender o a demanda de consumo dos humanos", aponta o ambientalista, adiantando que a média brasileira é de 1,9 planetas.

"Significa que temos que rever nossos padrões de consumo, nosso modelo de desenvolvimento na terra. Nós temos um problema na sociedade brasileira, que é ter como referencial a sociedade americana. Então, você liga a TV, ler o jornal, escuta o rádio e está lá: compre isso, compre aquilo, consuma isso, aquilo", comenta.

Para Irineu o Acre é um dos estados que sai à frente em debater questões relacionadas ao consumo consciente, pois não existe uma discussão ampla em relação a temática como a que está sendo promovida pelo Procon-Acre na Semana do Consumidor.

"Isso é muito rico e importante tomara que todos os governos e todos os poderes públicos promovam essa discussão. Temos que reduzir esse impacto e uma forma é organizando a sociedade para que ela mude posturas e comportamentos. Mas, não adianta fechar a torneira, reduzir o consumo de carne, desligar o ar, a lâmpada, temos que pensar modelos de desenvolvimento. O que queremos, nós da WWF com a campanha da Pegada Ecológica é estimular o cidadão a pensar seu comportamento como consumidor, mas também pressionar através dos órgãos de controle social para que os poderes públicos tenham políticas para a redução desse consumo".

É justamente essa metodologia que será aplicada na palestra a fim de explicar o uso consciente da utilização dos recursos que são oferecidos pela natureza prezando sempre pelo não desperdício e visando pela sustentabilidade das gerações futuras.

"É uma oportunidade para a sociedade repensar sobre o modo como tem atuado diante da questão ecológica, repensando sobre o que realmente é ser cidadão e como agir para amenizar os efeitos colaterais causados a natureza pela mão atroz do homem".

Assessoria FEM

Fonte: Agência de Notícias do Acre

Veja aqui uma entrevista com o professor Irineu Tamaio.

15 de março de 2008

O acidente de Chernobyl...

Considero o maior problema ligado à energia nuclear o lixo nuclear formado. Não acho viável uma usina que gere energia por 30-40 anos produzir resíduos altamente perigosos que devem ser monitorados por 10.000-200.000 anos. Entretanto, os acidentes em instalações nucleares são brutais e injustificados, como o de Chernobyl, tema deste vídeo do Greenpeace.

Quem precisa da energia nuclear?

A Alemanha e a decisão de desligar sua última usina nuclear até 2021

Parece não haver muito mais dúvida de que o planeta está ficando febril. Mesmo os cientistas que dizem não ser possível ter certeza absoluta sobre o aquecimento global sugerem que é tempo de adotar o chamado princípio da precaução. Segundo esse princípio, na ausência da certeza científica formal, a existência de risco de um dano sério ou irreversível requer medidas que possam evitar o pior.

No lugar de ver o aquecimento da atmosfera como um dos sinais do Apocalipse, entendo que isso traduz novos tempos, que nos obrigam a achar novas respostas. O aquecimento global está fundamentalmente associado às atuais fontes de energia usadas em nossa sociedade de consumo. As respostas de sempre são basicamente o carvão e o petróleo. Alguns acreditam que trazer de volta uma resposta antiga como a energia nuclear é parte da solução. Os franceses, que têm 70% de sua matriz energética vinda desse tipo de opção, começam a proclamar que viveremos a “renascença nuclear”. O lobby nuclear francês já conseguiu o apoio do presidente Nicolas Sarkozy, que esteve pessoalmente na Líbia, na Arábia Saudita e na Síria mascateando o setor nuclear do seu país.

Em um caminho oposto, a Alemanha se comprometeu a zerar sua dependência da energia nuclear. Pretende desligar sua última central nuclear até 2021. Cumprir essa decisão não é um desafio fácil. Afinal, a Alemanha é o quinto país do mundo em consumo de energia elétrica. Só para comparar, no ano passado, o Brasil consumiu 400 bilhões de quilowatts, enquanto os alemães usaram 600 bilhões. Um terço disso veio das 17 usinas nucleares.

Só que a opinião pública alemã entendeu que os riscos de apostar na energia nuclear não valem a pena. Os alemães foram profundamente sensibilizados pelo acidente na usina nuclear ucraniana de Chernobyl em 1986, cujos efeitos até hoje atingem milhões de pessoas. Os ambientalistas souberam mostrar à sociedade alemã que Chernobyl era um caso exemplar de que os riscos da opção pela energia nuclear são altos demais. E souberam ainda mostrar que o destino final do lixo nuclear, que permanece ativo por milhões de anos, é um problema de resolução ainda pendente. Foi nesse contexto que a rejeição à energia nuclear tornou-se uma política de Estado, quando o Partido Verde alemão entrou na coalizão que chegou ao poder federal no ano 2000.

Para compensar, sem risco de apagão, essa perda de um terço de suas fontes atuais de energia elétrica, governo e empresários alemães resolveram apostar nas seguintes alternativas: aumentar a eficiência energética e investir mais em energias renováveis e sustentáveis, com destaque para a solar e a eólica (dos ventos). Os alemães também decidiram acelerar a pesquisa e o desenvolvimento do hidrogênio como opção energética.

A visão estratégica de governantes e empresários é que o investimento para compensar a política de zerar a dependência da energia nuclear tem um bônus estratégico. Apostam que a Alemanha pode se tornar o líder mundial em termos de sustentabilidade ambiental. Esse bônus já começa a aparecer. A Alemanha está na vanguarda de todas essas modalidades de conservação, eficiência e novas fontes sustentáveis, tanto no conhecimento científico e tecnológico quanto na produção. Desde 2006, a Alemanha tem ganhado todos os campeonatos mundiais de energia renovável: é o primeiro país do mundo em termos de aproveitamento de energia solar, dos ventos e biodiesel. Para se ter uma idéia comparativa, neste ano, o que a Alemanha aproveitou em energia dos ventos equivale a 6 vezes a energia produzida por Angra 1. Em energia solar, já produz o equivalente a uma Angra 1.

Por isso digo à minha filha adolescente, assustada com a visão do apocalipse ambiental, que uma parte da humanidade está empenhada em produzir inovações que vão nos conduzir a uma economia mais sustentável. Mesmo que, na maioria das vezes, isso ainda não seja manchete dos jornais.

Ricardo Neves é consultor de empresas e escreve quinzenalmente em ÉPOCA. É autor do livro Novo Mundo Digital, volume I da trilogia Renascença Digital, e também tem um blog.

Fonte: Revista Época

Energias - Parte 3...

ENERGIA NUCLEAR

Consiste no uso controlado das reações nucleares para a obtenção de energia para realizar movimento, calor e geração de eletricidade. Energia nuclear é a energia liberada durante a fissão ou fusão dos núcleos atômicos. As quantidades de energia que podem ser obtidas mediante processos nucleares superam em muitas as que se pode obter mediante processos químicos, que só utilizam as regiões externas do átomo.

Alguns isótopos de certos elementos apresentam a capacidade de, através de reações nucleares, emitirem energia durante o processo. É o princípio (demonstrado por Albert Einstein) que nas reações nucleares ocorre uma transformação de massa em energia. A reação nuclear é a modificação da composição do núcleo atômico de um elemento podendo transformar-se em outros elementos. Esse processo ocorre espontaneamente em alguns elementos; em outros se deve provocar a reação mediante técnicas de bombardeamento de nêutrons ou outras.

Apesar de polêmica, existem hoje 441 reatores nucleares em operação em 31 países gerando eletricidade para aproximadamente um bilhão de pessoas e responsáveis por aproximadamente 17% da energia elétrica mundial. Países europeus são os que mais utilizam energia nuclear.

A energia nuclear torna-se mais uma opção para atender com eficácia à demanda energética no mundo moderno e, segundo os defensores da tecnologia, são as aplicações da ciência e tecnologia nucleares que resultam em benefícios mais significativos, de amplo alcance e de maior impacto econômico e social, além de considerar a utilização da energia nuclear como a mais limpa das existentes atualmente. A decisão de construir usinas depende em grande parte dos custos de produção da energia nuclear.

Formas de obter energia

Existem duas formas de aproveitar a energia nuclear para convertê-la em calor: A fissão nuclear, onde o núcleo atômico se subdivide em duas ou mais partículas, e a fusão nuclear, na qual ao menos dois núcleos atômicos se unem para produzir um novo núcleo.

A fissão nuclear do urânio é a principal aplicação civil da energia nuclear. É usada em centenas de centrais nucleares em todo o mundo, principalmente em países como a França, Japão, Estados Unidos, Alemanha, Brasil, Suécia, Espanha, China, Rússia, Coreia do Norte, Paquistão e Índia, entre outros. A principal vantagem da energia nuclear obtida por fissão é a não utilização de combustíveis fósseis, não lançando na atmosfera gases tóxicos, e não sendo responsável pelo aumento do efeito estufa.

O emprego pacífico ou civil da energia de fusão está em fase experimental, existindo incertezas quanto a sua viabilidade técnica e econômica. O processo baseia-se em aquecer suficientemente núcleos de deutério até obter-se o estado plasmático. Neste estado, os átomos de hidrogênio se desagregam permitindo que ao se chocarem ocorra entre eles uma fusão produzindo átomos de hélio. A diferença energética entre dois núcleos de deutério e um de hélio será emitida na forma de energia que manterá o estado plasmático com sobra de grande quantidade de energia útil.

A principal dificuldade do processo consiste em confinar uma massa do material no estado plasmático já que não existem reservatórios capazes de suportar a elevada temperatura. Um meio é a utilização do confinamento magnético.

O funcionamento de uma usina nuclear é bastante parecido ao de uma usina térmica. A diferença é que ao invés de nós termos calor gerado pela queima de um combustível fóssil, como o carvão, o óleo ou gás, nas usinas nucleares o calor é gerado pelas transformações que se passam nos átomos de urânio nas cápsulas de combustível. O calor gerado no núcleo do reator aquece a água do circuito primário. Esta água circula pelos tubos de um equipamento chamado Gerador de Vapor. A água de um outro circuito em contato com os tubos do Gerador de Vapor se vaporiza a alta pressão, fazendo gerar um conjunto de turbinas que tem junto a seu gerador elétrico. O movimento do gerador elétrico produz a energia, entregue ao sistema para distribuição.

Elementos mais usados como fonte de energia
  • Tório: As novas gerações de centrais nucleares utilizam o tório como fonte de combustível adicional para a produção de energia ou decompõe os resíduos nucleares em um novo ciclo denominado fissão assistida. Os defensores da utilização da energia nuclear como fonte energética consideram que estes processos são, atualmente, as únicas alternativas viáveis para suprir a crescente demanda mundial por energia ante a futura escassez dos combustíveis fósseis.
  • Urânio: A principal finalidade comercial do urânio é a geração de energia elétrica. Quando transformado em metal, o urânio torna-se mais pesado que o chumbo, pouco menos duro que o aço e se incendeia com muita facilidade.
  • Actínio: O Actínio é um metal prateado, altamente radioativo, com radioatividade 150 vezes maior do que o urânio. Usado em geradores termoelétricos.

Meio Ambiente

Os fatos históricos demonstram que as centrais nucleares foram projetadas para uso duplo: civil e militar.

A energia nuclear pode trazer benefícios para a sociedade, como a utilização das radiações em múltiplas aplicações na medicina, indústria, agropecuária e meio ambiente. Cada um desses usos insere esta energia em um determinado campo de acontecimentos. Assim é que o uso medicinal a insere no ambiente hospitalar e o uso na produção de energia elétrica, no âmbito das relações de moradia e de iluminação pública, por exemplo. Em cada um desses ambientes há uma potencialidade de danos e risco com algumas peculiaridades.

Os problemas ambientais estão relacionados com os acidentes que ocorrem nas usinas e com o destino do chamado lixo atômico - os resíduos que ficam no reator, local onde ocorre a queima do urânio para a fissão do átomo. Por conter elevada quantidade de radiação, o lixo atômico tem que ser armazenado em recipientes metálicos protegidos por caixas de concreto, que posteriormente são lançados ao mar.

A utilização de energia nuclear nas centrais propiciou o surgimento de grandes quantidades de resíduos radioativos de longa vida que devem ser enterrados convenientemente, sob fortes medidas de segurança, para evitar a contaminação radioativa do meio ambiente. Atualmente os movimentos ecológicos têm pressionado as entidades governamentais para a erradicação das usinas termonucleares, por entenderem que são uma fonte perigosa de contaminação do meio ambiente.

Cada parte do ciclo de combustível nuclear produz resíduos sólidos, líquidos e gasosos com baixo ou alto nível de radioatividade. Resíduos altamente radioativos devem ser armazenados com segurança por pelo menos 10 mil a 240 mil anos. Esses resíduos consistem de varetas de combustível gasto das usinas nucleares comerciais e resíduos variados da produção das armas nucleares.

Depois de mais de 50 anos de pesquisas, não há consenso entre os cientistas sobre uma forma segura de se armazenar os resíduos com alto nível de radioatividade. Alguns acreditam que a armazenagem segura de longo prazo ou o descarte dos resíduos altamente radioativos seja impossível do ponto de vista técnico. Outros discordam, alegando que é impossível provar que qualquer método funcionará por 10 mil a 240 mil anos.

Mesmo ignorando os resíduos, a tecnologia nuclear é perigosa, já causou acidentes graves como o de Three Mile Island (EUA) e Chernobil (Ucrânia), com milhares de mortes e enfermidades decorrentes desses acidentes, além da perda de grandes áreas. A utilização desse tipo de tecnologia continua apresentando graves riscos para toda a humanidade.

Os acidentes são devidos à liberação de material radioativo de dentro do reator, ocasionando a contaminação do meio ambiente, provocando doenças como o câncer e também morte de seres humanos, de animais e de vegetais. Isso não só nas áreas próximas à usina, mas também em áreas distantes, pois ventos e nuvens radioativas carregam parte da radiação para áreas bem longínquas, situadas a centenas de quilômetros de distância.

Durante a Segunda Guerra Mundial a energia nuclear demonstrou sua potencialidade de causar danos, como ocorreu nas cidades de Hiroshima e Nagasaki. O horror nuclear pela primeira e única mostrou sua face deliberadamente contra seres humanos. Mais de 100 mil pessoas morreram nos ataques de 6 a 9 de Agosto de 1945 e outros milhares morreriam nos anos seguintes sofrendo de complicações causadas pela radiação.

Energia nuclear no Brasil

A procura da tecnologia nuclear no Brasil começou na década de 50, com Almirante Álvaro Alberto, que entre outros feitos criou o Conselho Nacional de Pesquisa, em 1951, e que importou duas ultra-centrifugadoras da Alemanha para o enriquecimento do urânio, em 1953.

A decisão da implantação de uma usina nuclear no Brasil aconteceu em 1969. E que em nenhum momento se pensou numa fonte para substituir a energia hidráulica, da mesma maneira que também após alguns anos, ficou bem claro que os objetivos não eram simplesmente o domínio de uma nova tecnologia. O Brasil estava vivendo dentro de um regime de governo militar e o acesso ao conhecimento tecnológico no campo nuclear permitiria desenvolver não só submarinos nucleares, mas também armas atômicas.

Em 1974, as obras civis da Usina Nuclear de Angra 1 estavam em pleno andamento quando o Governo Federal decidiu ampliar o projeto, autorizando a empresa Furnas a construir a segunda usina. Mais tarde, em 1975, com a justificativa de que o Brasil já mostrava falta de energia elétrica para meados dos anos 90 e início do século 21, uma vez que o potencial hidroelétrico já se apresentava quase que totalmente instalado, foi assinado na cidade alemã de Bonn o Acordo de Cooperação Nuclear, pelo qual o Brasil compraria oito usinas nucleares e possuiria toda a tecnologia necessária ao seu desenvolvimento nesse setor. Desta maneira o Brasil dava um passo definitivo para o ingresso no clube de potências atômicas e estava assim decidido o futuro energético do Brasil, dando início à Era Nuclear Brasileira.

As usinas nucleares Angra 1, Angra 2 e Angra 3 formam a Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto. As usinas nucleares de Angra 1 e 2 respondem pelo abastecimento equivalente a 40% das necessidades do Estado do Rio de Janeiro. O Brasil possui uma das maiores reservas de urânio do mundo o que permite o suprimento das necessidades domésticas a longo prazo e a disponibilização do excedente ao mercado externo.

Em 1982 a Usina de Angra I, com 626 MWe, começou a operar. Muito criticada pela construção demorada e questões ambientais, a usina teve problemas de funcionamento intermitente nos primeiros anos, tendo melhorado substancialmente o desempenho depois. Em 2000 entrou em operação o reator da Usina de Angra II com 1350 MWe. Atualmente, a energia nuclear corresponde a 3.3% do consumo do país (PRIS, 2007). Desde que entrou em operação comercial a usina de Angra I, até 2005 a produção acumulada de energia das usinas nucleares Angra I e Angra II somam 100 milhões de megawatts.hora (MWh).

A central nuclear brasileira, gerida pela Eletronuclear, deve ser aumentada com a construção de mais um reator, que foi comprado em 1995 e, desde então, armazenado a um custo elevadíssimo. A Eletronuclear procura um parceiro privado com US$ 1,8 bilhões para completar essa construção. A Eletrobrás Termonuclear S/A foi criada em 1997 com a finalidade de operar e construir as usinas termonucleares do país. Subsidiária da Eletrobrás, é uma empresa de economia mista e responde pela geração de aproximadamente 3% da energia elétrica consumida no Brasil.

Veja aqui os projetos da empresa no Brasil e aqui uma reportagem sobre Angra 2.

Vantagens e desvantagens da energia nuclear

Vantagens:

  • Alto suprimento de combustível
  • Baixo impacto ambiental (sem acidentes)
  • Emite 1/6 do CO2 em comparação ao carvão
  • Perturbação moderada da terra (sem acidentes)
  • Utilização moderada da terra
  • Baixo risco de acidentes em função dos múltiplos sistemas de segurança (exceto em 35 reatores mal projetados e em más condições localizados na antiga União Soviética e no leste Europeu)

Desvantagens:

  • Alto custo mesmo com vultuosos subsídios
  • Baixo rendimento de energia líquida
  • Grande impacto ambiental (com acidentes graves)
  • Possibilidades de acidentes catastróficos (como o de Chernobyl)
  • Ausência de solução amplamente aceitável para o armazenamento em longo prazo dos resíduos radioativos e para o descomissionamento de usinas velhas
  • Sujeito a ataques terroristas
  • Dissemina conhecimento e tecnologia para a construção de armas atômicas

11 de março de 2008

Sintetizando...

"Deus perdoa. A natureza nunca."

Carmen Sylva

Vídeos do escurecimento...

Alerta...




Escurecimento Global...

A mídia nunca deu muita importância, especialistas climáticos falam pouco ou não prestam a devida atenção e os relatórios do IPCC nem ao menos o citam.

O escurecimento global é a diminuição da quantidade de radiação que chega à superfície terrestre que, paradoxalmente, pode significar que o aquecimento global é muito mais ameaçador do que se pensava.

Muitas pesquisas foram publicadas nos anos 90 sobre o assunto e reportavam que os raios solares decaiam na Irlanda, que tanto a Antártida quanto o Ártico estavam ficando mais escuros e que a luz no Japão, a suposta terra do sol nascente, estava na verdade diminuindo.

Dados revelam que nos últimos 50 anos a quantidade média de radiação solar que atingiu o solo caiu em 3% a cada década. Apesar de parecer pequeno, implica em conseqüências para as mudanças climáticas, energia solar e fotossíntese das plantas.
Outros estudos mostraram ainda que a radiação solar havia caído 10% nos EUA, cerca de 30% em partes da antiga União Soviética e 16% em partes das ilhas britânicas.

Apesar das últimas pesquisas sobre o assunto terem sido publicadas em revistas científicas há dois anos, o fenômeno continua nos céus esperando para que alguém o acompanhe atentamente.

Quem e como descobriu?

Em 1985, o pesquisador geográfico Atsumu Ohmura, do Instituto Federal de Tecnologia da Suíça, descobriu que os níveis de radiação solar haviam caído mais de 10% em três décadas. “Eu estava chocado. A diferença era tão grande que eu não conseguia acreditar”, disse.

Ohmura foi o primeiro cientista a publicar um estudo sobre o “escurecimento global”, em 1989. Claro, foi totalmente ignorado pela comunidade cientifica que andava se preocupando com o inverso – o aquecimento global.

Em 2001, o inglês Gerry Stanhill, em conjunto com Shabtai Cohen, publicou uma pesquisa que comparava os registros de raios solares em Israel nos anos 50 com os atuais. O pesquisador observou uma impressionante queda de 22% dos raios solares, que o deixou surpreso. Intrigado, ele foi em busca de dados similares de outros pontos do mundo, e encontrou a mesma história em todo local que procurava.

Eles coletaram todas as evidências disponíveis e provaram que, em média, os registros mostravam que a quantidade de radiação solar que alcançava a superfície da Terra tinha diminuído entre 0,23 e 0,32% em cada ano, entre os anos de 1958 e 1992.

Stanhill batizou o fenômeno de “escurecimento global” e, a sua pesquisa também foi recebida com ceticismo pela comunidade científica.

Porém naquele mesmo ano, o cientista climático Graham Farquhar, da Universidade Nacional da Austrália e seu colega Michael Roderick publicaram um estudo que cruzava dados sobre o escurecimento global com taxas de evaporação das chuvas na revista mais bem conceituada americana - a Science. Depois de mais de 20 anos da primeira observação, o escurecimento global finalmente ganhava destaque.

Farquhar utilizou um método completamente diferente para confirmar as conclusões de Stanhill. Estudos e mais estudos usando uma panela de metal cheia de água mostraram que as taxas de evaporação têm caído nos últimos anos. Este era um dos maiores mistérios da ciência climática, uma vez que, já constatado o aquecimento da Terra, esperava-se um aumento na taxa de evaporação.

Quando Farquhar comparou estes dados com os do escurecimento global, eles bateram perfeitamente. A redução na evaporação era causada pela menor quantidade de água que brilhava na superfície aquática. Foi então que os cientistas climáticos acordaram para o problema e começaram a tomar nota, apesar de alguns ainda se recusarem a aceitar, acusando a falta de precisão do equipamento de registro dos dados.

“É uma coisa extraordinárias que, por alguma razão, isto não penetrou nem mesmo nos pensamentos das pessoas que olham para as mudanças climáticas globais”, disse o Farquhar para o jornal britânico The Guardian, em uma reportagem de 2003.

O cientista atmosférico do Instituto Federal de Tecnologia da Suíça, Martin Wild, liderou um estudo publicado na Science em 2005 que mostra que houve um significativo escurecimento sobre a Terra até cerca de 1990, quando os dados sugerem que iniciou um processo gradual de “luminosidade”. Wild atribui o brilho atual ao bem sucedido esforço no controle da poluição.

“De 1960 a 1980, o escurecimento foi grande o suficiente para contrabalancear o aumento induzido dos gases do efeito estufa e diminuir as grandes ondas de radiação”, disse.

Um time liderado por Bruce A. Wielick, do Centro de Pesquisas Langley da Nasa, na Virgìnia, produziu relatos das medidas do satellite da agência Aqua que mostraram uma pequena queda na quantidade de luz refletida para fora da Terra desde 2000. Os resultados da Nasa conflitam nas medidas, sugerindo que a Terra teria recomeçado o processo em 2001.

Em um artigo publicado na Revista Science, James E. Hansen, do Instituto Goddard para estudos espaciais, de Nova York, e seus colegas dizem que muito do excesso de calor gerado pelo aquecimento global tem estado armazenado nos oceanos. Mesmo se mais nenhum gás do efeito estufa for liberado para a atmosfera, eles afirmam, a Terra ficará mais quente nas próximas décadas, uma vez que o calor dos oceanos será liberado.

Pesquisadores do Laboratório Nacional do Noroeste do Pacífico em Washington descobriram que a quantidade de luz que chegava na China caiu em 3,7 watts por jarda quadrada nos últimos 50 anos. As pesquisas foram publicadas no Geophysical Research Letters em 2006.

Como é medida?

A radiação solar é medida vendo quanto o lado de um prato preto aquece quando exposto ao sol, comparado com o outro lado, que está na sombra. É um equipamento relativamente simples e não existem maneiras de provar qual exatas são as medidas feitas 30 anos atrás. “Para detectar mudanças temporais você precisa de dados muito bons, senão estará apenas analisando a diferença entre dados de sistemas possivelmente recuperados (data retrieval systems)”, diz Ohmura.

No início de 2006, a Nasa abandonou um programa que poderia ter oferecido, de alguma maneira, evidências do fenômeno. O Deep Spack Climate Observatory foi criado para observar a luminosidade do sol sobre um lado da Terra durante longos períodos.

Segundo Robert Charlson, do Departamento de Ciências Atmosféricas da Universidade de Washington, em Seattle, o satélite poderia oferecer dados sobre o escurecimento global, assim como sobre o aquecimento. O aparelho foi construído e preparado para ser lançado em 2001, porém com os ataques terroristas e a perda da nave Columbia em 2003, o lançamento foi adiado.

O resultado foi que os pesquisadores estão limitados a fotos de satélites e instrumentos de leitura no solo.

Causa

Os cientistas suspeitam que o fenômeno seja causado pela poluição. Queima de carvão, petróleo e madeira, carros e usinas energéticas não produzem apenas gases invisíveis como o dióxido de carbono, principal responsável pelo Efeito Estufa, mas também minúsculas partículas de poeira, soot, componentes sulfúricos e outros poluentes.

Essa poluição atmosférica visível reflete a luz solar de volta ao espaço, não a deixando chegar ao solo. Além disso, ela muda as propriedades ópticas das nuvens. Nuvens poluídas contem um maior número de gotas do que as não poluídas (pq?)

Pesquisas recentes mostram que isto as faz refletir mais do que o normal, o que mais uma vez provoca reflexos dos raios solares para o espaço.

A pesquisadora Rachel Pinker, da Universidade de Maryland, também nos Estados Unidos, tem feito estudos baseados em imagens de satélites e argumenta que os números sugerem que algo esteja acontecendo, só não existem dados suficientes para saber o que é. "Isto pode ser o nível dos poluentes, mas também pode ser a interação de nuvens de aerosol ou instrumentos diferentes que estão fazendo as leituras”, disse em reportagem para o ABC News em 2006.

Conseqüências

Há sugestões de que o escurecimento está por detrás das secas da África subsaariana, o que acabou com milhares de vidas nos anos 70 e 80. Hoje se suspeita que a mesma coisa esteja acontecendo na Ásia, casa para mais da metade da população mundial.

“Minha principal preocupação é que o escurecimento global está causando um impacto destrutivo às monções asiáticas e estamos falando de bilhões de pessoas”, diz o professor de ciências climáticas e atmosféricas da Universidade da Califórnia, San Diego, Veerhabhadran Ramanathan.

O mais alarmante é que os cientistas podem ter subestimado o verdadeiro poder do efeito estufa. Eles sabem quanta energia extra tem sido mantida na atmosfera terrestre em função do dióxido de carbono que emitimos. O os surpreendem é que esta energia extra até agora resultou em um aumento de apenas 0.6º C.

A conclusão para muitos era de que o clima atual é menos sensível ao efeito do dióxido de carbono (CO2) que era, digamos, na era do gelo, quando um aumento similar de CO2 levaria a um aumento de 6º C.

Mas agora parece que o aquecimento dos gases do efeito estufa foi neutralizado por um forte efeito de resfriamento causado pelo escurecimento – na verdade um ou dois poluentes teriam cancelado um ao outro. Isto significa que o clima na verdade é mais sensível ao efeito estufa que se pensava anteriormente.

Se for isso, então temos más notícias, de acordo com Peter Cox, um dos modelares climáticos líderes do mundo. Do jeito que as coisas andam, os níveis de CO2 são projetados para crescer fortemente nas próximas décadas, enquanto existem fortes sinais de que as partículas poluentes têm sido controladas.

Ohmura diz que as imagens de satélite das nuvens sugerem que o céu se tornou ligeiramente mais limpo desde o início da década de 90 e isto vem sendo acompanhado por uma abrupta subida de temperatura. Ambos os fatos podem indicar que o escurecimento global está diminuindo, e isto pode estar ligado à redução geral da poluição atmosférica, através do declínio da indústria pesada em partes do mundo nos anos recentes.

Também é possível que o escurecimento global não seja inteiramente causado pela poluição atmosférica. “Eu não acredito que os aerossóis sozinhos poderiam causar tanto escurecimento global”, diz Farquhar.

Até as mais pessimistas previsões de aquecimento global precisariam de uma revisão dramática, pois com um aumento de 10º C nas temperaturas em 2100 em jogo, daria ao Reino Unido um clima como o da África do Norte, e deixaria muitas partes do planeta desabitadas.

Por Paula Scheidt, CarbonoBrasil com informações da BBC Brasil, The Guardian, N.Y Times e ABC News

Fonte: CarbonoBrasil

Leia mais sobre o escurecimento global aqui.

10 de março de 2008

A Nova Economia (Globo Ecologia)...

Prometi postar aqui o especial do Globo Ecologia que tratou dos novos mercados ligados ao aquecimento global. Desta forma, assista abaixo o programa de sábado, dia 30, e clicando aqui veja toda a série de 22 programas sobre o tema, todos excelentes.


Créditos para Folha Verde, ótima fonte de informação. Visite.

Soluções sustentáveis para a casa...

Mais um Green House, mas agora é o Green House Effect, nome da exposição produzida pela Orca Design, em conjunto com Singapore Design Festival, que explora o tema sustentabilidade no cotidiano.

A coleção, que reúne produtos de uso diário, desde luminárias à caderno de post-it, são muito simples e têm como base a sustentabilidade e proteção ao meio ambiente. Mesmo quem não domina a língua inglesa, vai adorar conhecer esses novos produtos.

Vi no Com Limão.

Green Buildings e as cidades "low carbon"...

Roberto Teitelroit não é um arquiteto comum. Insatisfeito com o rumo que dava à vida profissional e observando a necessidade de aliar a sustentabilidade ambiental às construções, o membro fundador do Green Building Council Brasil encontrou “a sua tribo” nos Estados Unidos, em 1999.

Depois de passar uma semana com pesquisadores do Instituto Rocky Mountain, entre eles os autores do livro que o inspirou a fazer a viagem - “Natural Capitalism”, de Hunter Lovins and Amory B. Lovins, Teitelroit voltou ao Brasil disposto a empregar o conceito de construções verdes nas edificações e espaços construídos aqui.

Termo surgido na década de 90, os Green Buildings são empreendimentos que utilizam alta tecnologia para reduzir os impactos negativos causados pela construção no meio-ambiente promovendo benefícios sociais, econômicos, ambientais e para a saúde humana, durante todo o processo de concepção, execução e operação.

Hoje, a idéia de construções sustentáveis contamina arquitetos de todo o mundo, principalmente entre os europeus. Nesta semana, mais de 500 expositores e outros 500 palestrantes participaram do Ecobuild 2008, o maior evento dedicado ao design, construção e ambiente construído sustentável realizado em Londres, no Reino Unido.

Durante o evento, foi apresentado o projeto vencedor da “The GreenHouse” , um edifício 'low carbon' (com baixas emissões de carbono) que promete se tornar um centro global para pesquisas e comunicação sobre os desafios ambientais chaves para o século 21 – como mudanças climáticas, perda de biodiversidade e desmatamento. Orçado em 30 milhões de libras (US$ 100 milhões), o edifício tem como patronos o ex-vice-presidente dos Estados Unidos, Al Gore e a vice-presidente da Irlanda, Mary Robinson, recebendo o apoio da Agência de Desenvolvimento de Londres e da Agência de Mudanças Climáticas de Londres. O projeto vencedor é da Feilden Clegg Bradley Studios.

“O projeto GreenHouse irá impulsionar a inovação e práticas entre os negócios, grupos de cidadãos e governos. Ele oferecerá espaços, idéias e evidências para fazer do planeta um lugar mais sustentável”, afirma Al Gore.

O edifício terá 70 mil metros quadrados, poderá acomodar 300 funcionários, terá um centro de convenções, sala de imprensa e de pesquisas junto a espaços públicos, incluindo livrarias e um restaurante orgânico e étnico. “Esta é uma grande oportunidade para produzir um exemplo de trabalho ambiental, trabalhando com um cliente que é igualmente comprometido para ver o quão longe podemos ir para criar design de escritórios sustentáveis”, disse Ian Taylor da Feilden Clegg Bradley Studios. As construções estão previstas para serem iniciadas em março de 2009 e concluídas em novembro de 2010. O projeto continuará em exibição no centro de eventos Earls Court, em Londres até maio.

Brasil

No Brasil, apesar de estar longe de receber um projeto como este, os empreeendimentos podem recebem o status de Green Buidings. Para isso, precisam passar pelos critérios de avaliação da certificação internacional Leadership in Energy and Environmental Design (Liderança em Energia e Desenho Ambiental, em português), ou LEED. O selo norte-americano ainda está sendo adaptado para a realidade brasileira.

“A meta do Brasil é fazer esta certificação com profissionais daqui”, disse Teitelroit durante palestra no Congresso Mundial sobre Desenvolvimento das Cidades, realizado em fevereiro em Porto Alegre (RS).

Segundo Teitelroit, esse reconhecimento só é feito mediante a comprovação de que todo o ciclo de construção de uma obra tenha se dado de maneira sustentável. Ele admite que as construções certificadas têm um custo mais alto do que as convencionais, mas garante que o retorno do investimento vem na operacionalização, bem como através da economia de energia, de recursos naturais e garantia de mais qualidade de vida aos moradores.

Teitelroit explica que a construção deste tipo de edificações promove a redução de 30% do consumo de energia e 35% das emissões de gases do efeito estufa ao longo da vida útil. “A grande meta hoje é mexer na legislação para que o prédio pague menos imposto”, comenta.

Enquanto as mudanças na lei não ocorrem, a disseminação de informações é a melhor maneira de incentivar as construções ecologicamente responsáveis e sustentáveis no Brasil. O Green Building Council Brasil se prepara agora para traduzir e distribuir uma das Standard ASHRAE 90.1 de 2007, que poderá ser utilizado por profissionais que atuam com projetos e construções elétricas – que é a base da análise energética da certificação LEED na categoria Energia e Atmosfera.

A instituição fechou neste mês uma parceria com a American Society of Heating, Refrigerating and Air-Conditioning Engineers (ASHRAE) para promover este trabalho. “Nossa intenção é disseminar o conhecimento técnico de forma inclusiva, para que cada vez mais profissionais do setor, empresas e construtoras possam desenvolver uma nova cultura focada na eficiência e preservação de recursos naturais”, afirma Thassanee.

A ASHRAE é a base da Lei de Eficiência Energética 10.295/2001, que gerou o Programa para Etiquetagem de Edifícios (Procel Edifica), que entrará em vigor no Brasil em 2012.

Nos Estados Unidos, cerca de 6% do mercado imobiliário americano já cumpre as normas segundo a presidente do Green Building Council Brasil, Thassanee Wanick. “A indústria imobiliária é responsável por 5% da emissão mundial de gases causadores do efeito estufa. Com a construção de edifícios de baixo consumo, é possível reduzir impactos, gastos e aumentar os lucros”, afirma.

Fonte: CarbonoBrasil.

Aqui também tem um projeto de construção verde.

Relatório sobre o Mercado de CERs - Carbon Positive...

Incertezas no mercado de RCEs sobre a demanda futura

Fevereiro foi um mês de recuperação no mercado secundário para Reduções Certificadas de Emissões (RCEs) entregues. Os preços subiram quase 15% depois das baixas de janeiro causadas pelo tumulto no mercado financeiro global e do lançamento das propostas para a fase 3 do EU ETS pela comissão européia.

O contrato referência de RCE, para ser entregue em dezembro de 2008, fechou em €15,05 na bolsa de valores Nord Pool no dia 3 de março depois de tocar na marca de €16 na maior parte da semana anterior. O preço havia caído para €14 no final de janeiro. O desconto para um contrato equivalente de EUA de dezembro de 2008 variou no último mês e firmou entre €5,80 e €6,00 no fechamento do comércio no dia 3 de março.

No novato mercado de carbono futuro da Bolsa do Clima de Chicago (CCX), a última negociação de RCEs para dezembro de 2008 fechou em US$24 (€15,80) no dia 29 de fevereiro, emparelhado com os preços europeus naquele momento.

Se não existir um acordo global para suceder Quioto a partir de 2013 que pressione outros países desenvolvidos a terem metas de redução de emissões, a fase 3 do EU ETS não permitirá usar os créditos de carbono de Quioto para além da fase 2, apesar das metas estarem mais duras. A União Européia (UE) é a fonte primária da atual demanda de RCEs.

Este mês oferece mais oportunidades para compreender melhor a demanda e preços de RCEs com a Bolsa de Valores de Carbono da Ásia colocando 2,4 milhões de RCEs secundárias para entrega através de leilões.

O lançamento da proposta da fase 3 da UE também está impactando no mercado primário de RCEs ainda não entregues de projetos em desenvolvimento. Os acordos de compra de redução de emissões (ERPAs na sigla em inglês) caíram lentamente, talvez €1 por RCEs, no decorrer do último mês ou dos vários estágios de desenvolvimento, dando uma menor incerteza da demanda na Europa para RCEs no pós-2012.

A taxa de novas ERPAs tem diminuído uma vez que os participantes do mercado continuam reexaminando o valor futuro que virá com as dúvidas de demanda da UE. Uma pesquisa de opinião sobre o mercado feita pela IDEAcarbon encontrou uma gota de confiança no mercado primário de RCEs, de um positivismo generalizado em janeiro para um negativismo generalizado em fevereiro.

Os relatórios sobre mercado de carbono são produzidos pela Carbon Positive News - www.carbonpositive.net.

Traduzido por Paula Scheidt, CarbonoBrasil.

4 de março de 2008

Sintetizando...

"Existem muitas coisas a serem esclarecidas e é muito bem vinda toda a visão crítica. A ciência vive disso. Ninguém é dono da verdade."

Luiz Pinguelli Rosa

Espaço aberto para o aquecimento global...

O programa Espaço Aberto, transmitido pela GloboNews, na sexta-feira, dia 15 de fevereiro trata justamente desse ceticismo de que trato no dia de hoje. Alexandre Garcia entrevista José Carlos Azevedo, ex-reitor da UnB, e Luiz Pinguelli Rosa, secretário do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, sobre as causas e efeitos do aquecimento global.

Apesar da Globo.com estar permitindo colocar seus vídeos "embed", o mesmo não se adaptou muito à estrutura do Blogger. Portanto, clique na imagem abaixo para assistir o vídeo.

Logo pretendo postar a ótima série produzida sobre o tema pelo Globo Ecologia.

Ceticismo ou conformismo?

Muito se fala do aquecimento global e, cada vez mais, do ceticismo em relação ao fenômeno, como expõe a excelente matéria abaixo.

Surgem novos conceitos, novos produtos, novos nichos de trabalho, novos cursos de graduação, de pós-graduação, conceitos de responsabilidade sócio-ambiental que outrora não habitavam a programação televisiva, novos commodities e até uma nova bolsa de valores ambientais. Ou seja, há uma nova onda em plena ascensão.

E ai está a chave da questão: o problema não é se existe ou não o aquecimento global. Na verdade existe apenas um fato: grande parte do carbono depositado no subsolo do planeta, acumulado durante bilhões de anos, está sendo lançado para a atmosfera em pouco mais de 50 anos e todo o mecanismo capaz de "sequestrar" esse gás tóxico também está sendo amputado, através do desmatamento de imensas áreas florestais.

Poderia dizer com certeza que isso vem causando o efeito estufa, mas esse é um dos pontos que está sendo contestado. Paciência.

Vejo que A GRANDE VANTAGEM ou A GRANDE VERDADE nisso tudo é justamente a possibilidade de desenvolvermos novas tecnologias e novas formas de implantar os processos necessários ao desenvolvimento da sociedade moderna, "engenharizando", usando a cabeça para garantirmos um futuro, no mínimo, mais saudável. Se, no dia a dia, surgem esses novos produtos e nichos como falei, parabéns pra nós. É uma prova de evolução da espécie, que sai de um momento passivo para, se Deus quiser, um momento de provar que merecemos o título de espécie mais importante do planeta.

Nesse sentido e para este propósito que mantenho o Progresso Verde, tentando trazer mais ao nosso cotidiano, com informação e discussão, esta "nova onda".

Agradeço a todos os que acompanham o blog. E que se faça o alarde, que cada vez mais se discuta e se proponha formas de melhorar a saúde do planeta.

Abraço a todos.

O revide dos céticos do aquecimento...

Com uma plástica impecável e a história bem contada sobre os 30 anos de ativismo ambiental do ex-vice-presidente americano Al Gore, o filme Uma Verdade Inconveniente, vencedor do Oscar no ano passado, promoveu um feito: popularizou a questão do aquecimento global nos quatro cantos da Terra. Mas será o homem o responsável por uma emergência planetária iminente, resultado da emissão de CO2, como propagou Gore, a ponto de causar inundações bíblicas e a varrição de cidades inteiras por furacões furiosos? Um grupo de cientistas dissidentes, os céticos, acha que não - e eles resolveram sair a público para contar outra versão da história.

Até então restritos a aparições pontuais e polêmicas, os céticos não são mais tão poucos - formaram um grupo coeso e estão dispostos a comprar briga com ambientalistas radicais. Prova disso é o evento que começa hoje, em Nova York. Mais de seis dezenas de dissidentes, muitos dos quais notáveis, de instituições de renome, irão reunir-se em uma conferência internacional cuja tema principal é Aquecimento Global: Crise ou Fraude? Desde que o aumento das temperaturas tomou as manchetes, nunca tantos cientistas com idéias contrárias ao IPCC, o painel climático da ONU que ganhou junto com Al Gore o Prêmio Nobel da Paz no ano passado, reuniram-se para debater o tema.

A idéia, de acordo com os organizadores, é expor estudos que desmentem a "tese apocalíptica" , mostrar a seriedade da corrente cética e achar soluções plausíveis para o problema do aquecimento. "Discutir a responsabilidade total ou parcial do homem, e os caminhos a seguir caso nossa presença na Terra estiver interferindo no clima, é muito relevante, pois implica em uma mudança radical de vida para todos os habitantes do globo. O unilateralismo só prejudica", diz James Taylor, coordenador do evento.

Vistos como os meninos maus do ambientalismo, os céticos são acusados de ligações com a indústria do petróleo, de quem ganhariam gordas mesadas para passar ao mundo a mensagem de que o aquecimento é uma falácia. Eles juram que não beneficiam ninguém. "Mesmo se diminuíssemos drasticamente a emissão de CO2, não atingiríamos as metas de Kyoto. É um fato", diz Patrick Michaels, da Universidade da Virgínia. "É importante diminuir a emissão de CO2 para melhorar os problemas ambientais imediatos das metrópoles, não para tentar salvar o mundo de um suposto colapso", diz o dinamarquês Bjorn Lomborg, no livro O Ambientalista Cético.

O futuro do planeta, como aceitamos hoje, vem sendo traçado pelo IPCC desde 1998. O painel reúne uma elite de 2.500 dos principais pesquisadores de mudanças climáticas da atualidade e tem a missão de atualizar as informações sobre o clima. De acordo com o painel, o aumento da temperatura em até 6,8°C até o fim deste século acarretará uma série de catástrofes naturais, como aumento do nível dos mares e disseminação de doenças tropicais.

Os céticos não negam a existência de um aquecimento em curso no planeta - quase todos os cientistas atualmente concordam que as temperaturas na Terra aumentaram 1°C no século passado - nem contestam o efeito estufa. Eles partem do princípio de que o clima está mais quente não por causa do homem, mas devido a um ciclo natural de aquecimento e resfriamento do globo. Esse ciclo obedeceria a forças mais poderosas do que a presença de mais CO2 na atmosfera, como a influência do Sol na Terra. Em um estudo recente, o geólogo Don Easterbrook, da Universidade de Western Washington, mostrou que nos últimos 15 mil anos houve dez períodos de aquecimento mais intensos do que o atual - e esses períodos se alinham com o aumento da intensidade da radiação solar.

A radiação solar, o magnetismo do núcleo da Terra e a órbita do planeta, argumentam os céticos, determinaram o clima por milhões de anos. "O aquecimento é resultado de muitos fatores. A emissão de gases é um deles, mas está longe de ser o mais relevante", diz Richard Lindzen, do Instituto Tecnológico de Massachusetts (MIT). "O homem pode alterar o clima, mas é muita ignorância e presunção supor que sua ação tem mais impacto do que as atividades no núcleo terrestre, por exemplo. Isso moveu placas tectônicas, empurrou os Andes e o Tibete."

Para o grupo, as catástrofes anunciadas pelo IPCC não passam de alarmismo. "Caminhamos para uma era glacial, mas, pelo amor de Deus, não precisamos prender a respiração por isso", diz Michaels, da Virgínia. Para os céticos, as medições de computador que projetam tais hecatombes são falhas e excluem muitas variáveis climáticas. O filme de Al Gore, alardeiam os céticos, estimou o aumento dos mares em 2.000%.

Mas, afinal, em quem acreditar? O mundo vai acabar em dez anos se não evitarmos as emissões de CO2, como diz Al Gore? Ou é tudo uma jogada de marketing, como dizem os céticos? "O que propicia essa discussão sem fim sobre o aquecimento global e suas conseqüências é a própria natureza do clima", diz Lindzen, do MIT. "O sistema climático é complicadíssimo - e mecanismos fundamentais ainda são desconhecidos" , escreveu o dinamarquês Lomborg.

Fonte: Gabriela Carelli / O Estado de S. Paulo

Créditos de carbono para pequenas empresas...

As micros e pequenas empresas podem contar com mecanismos de compensação para a emissão de gases de efeito estufa. É o projeto Seringueira Ambiental, desenvolvido em parceira entre a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (FIRJAN), o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e o Instituto Tecnológico da Borracha (IteB).

O selo certificará programas voltados para neutralização do dióxido de carbono com a implantação e monitoramento do plantio de seringais. Com o selo Seringueira Ambiental as micro e pequenas empresas poderão investir no cultivo de seringueiras o valor resultante do número de árvores necessárias para neutralizar a emissão de gases poluentes pela qual são responsáveis.

A FIRJAN estimula a revitalização do cultivo da seringueira nas regiões noroeste, sul e médio Paraíba, desde 1992. O projeto é desenvolvido em conjunto com a Empresa de Pesquisa Agropecuária do Estado do Rio de Janeiro (Pesagro) e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). A experiência piloto se desenvolve em Silva Jardim, onde as primeiras árvores plantadas em uma área de 260 hectares estão em fase de corte para produção de látex.

"O Rio de Janeiro tem condições de iniciar um novo ciclo da borracha. Em Barra do Piraí, acaba de ser firmada parceria com a Fazenda Taquara para a adesão ao Selo Ambiental", adiantou Mário Ramos, vice-presidente e coordenador do Fórum de Mudanças Climáticas da FIRJAN. Ele acrescentou que o projeto de revitalização da cultura da seringueira inclui a construção de uma usina de beneficiamento do látex, em parceria com o Sebrae.

Além do objetivo econômico de investimento na produção de látex para a indústria de borracha, o plantio de seringueiras permite que o estado participe do mercado de crédito de carbono, previsto no Protocolo de Quioto.

O estado do Rio de Janeiro tem 2,1 milhões de hectares com atividades agropecuárias. Deste total, 1,74 milhões de hectares são pastagens para criação extensiva de gado de leite e de corte, embora apenas 440 mil hectares sejam de terras aptas à atividade pecuária, de acordo com a Pesagro. Os restantes 1,3 milhões de hectares podem ser redirecionados para reflorestamento e sistemas de maior sustentabilidade, como o plantio de seringueiras, denominado heveicultura.

A substituição de pastagens degradadas pelo reflorestamento representa alto índice de seqüestro de carbono, representando ganhos para o estado por meio da comercialização de créditos de carbono no mercado internacional.

Fonte: Agência CNI

Vi na REMADE graças ao amigo Pablo Signor.